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Saúde

Análises clínicas: alguns dos parâmetros mais pedidos e o que traduzem

13 outubro 2022
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As análises clínicas desempenham um papel central no diagnóstico, ajudando na opção de um tratamento, na monitorização clínica e na resposta terapêutica.

Análises clínicas é o nome dado ao conjunto de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, os quais utilizam amostras de produtos biológicos para pesquisa ou doseamento de parâmetros múltiplos.

O âmbito das Análises Clínicas ou Patologia Clínica varia nos vários países europeus, de acordo com as legislações e formalismos locais.

No grupo Unilabs português incluem-se nos seus serviços os exames analíticos de hematologia, imunohematologia, microbiologia, imunologia, bioquímica, endocrinologia e estudo funcional dos metabolismos órgãos e sistemas, a pesquisa de elementos vestigiais, a toxicologia e monitorização de fármacos, a biologia molecular e a medicina transfusional.

Estes serviços possuem tradução nas várias valências do laboratório, sendo todas elas parte da produção dos laboratórios do grupo Unilabs em Portugal.

Análises clínicas mais comuns

Por frequência de solicitação as grandes áreas laboratoriais são:

  • Hematologia e imunohematologia, incluindo estudo da coagulação,
  • Química analítica, incluindo bioquímica, serologia, endocrinologia e marcadores tumorais,
  • Microbiologia convencional, nomeadamente incluindo exames culturais de variados produtos,
  • Imunologia, incluíndo os estudo de alergologia e de marcadores de autoimunidade entre outros,
  • Biologia molecular, para pesquisa de ácidos nucléicos de agentes infecciosos ou indicadores de patologias variadas,
  • Elementos vestigiais ou análises complexas de metabolismo e endocrinologia.

Nas determinações analíticas o controlo das condicionantes pré-laboratoriais é fundamental para a correção do seu resultado e para a correção da sua inerente utilização. Por isso se denomina habitualmente como variáveis pré-analíticas o conjunto de detalhes associados à identificação do paciente, definição de tempo adequado de colheita, colheita propriamente dita, preparação e conservação da amostra, seu transporte e registo de entrega na unidade laboratorial.

Destas variáveis o momento de colheita e o estado de jejum são dois dos fatores mais conhecidos a ter em atenção. Não só a variação com o ritmo circadiano pode influenciar alguns resultados como a presença ou ausência de jejum pode ter impacto relevante em vários valores. De uma maneira geral os exames laboratoriais devem ser realizados de manhã, em jejum e depois de uma noite bem dormida.

analista a fazer análise em laboratório

São exemplos de alguns dos exames mais frequentemente solicitados:

1. Hemograma

Sem um diagnóstico prévio definido trata-se de uma ferramenta de despiste. Destinada a detetar patologia hematológica, permitindo afirmar ou excluir um conjunto de diagnósticos, assim como permitindo também a monitorização de efeitos de variados tratamentos.

Deve ser prescrito tendo em conta o contexto clínico do momento da observação do paciente.

Avalia os elementos celulares sanguíneos, nomeadamente leucócitos e as suas variantes, os eritrócitos e a hemoglobina, bem como a contagem das plaquetas.

O hemograma é útil:

  • Na avaliação de um estado de possível anemia, bem como na monitorização de carências associadas;
  • Na avaliação de síndromes febris, bem como na monitorização de inflamações e infeções;
  • Na avaliação de patologia hemorrágicas;
  • Na avaliação de cancros hematológicos; 
  • Na situação de gravidez, independentemente de qualquer outra situação;
  • Em pediatria, na valorização de situações deficitárias;
  • Na valorização de patologias associadas (comumente identificado como avaliação de comorbilidades);
  • Na monitorização de tratamentos múltiplos.

2. Glicose

A determinação da glicose em jejum é um dos elementos laboratoriais base definidos pela OMS para o diagnóstico de diabetes. E faz parte da monitorização e avaliação de eficácia de um tratamento anti-diabético. Para valorização adequada do seu resultado é fundamental garantir o cumprimento correcto das variantes pré-analíticas definidas atrás.

Os valores esperados em jejum devem situar-se entre 70 e 100 mg/dL. Valores inferiores a 70 mg/dL só são valorizáveis quando acompanhados de sintomas específicos.

Outro biomarcador (como a hemoglobina glicada / A1c) pode ser utilizado como complemento de diagnóstico.

O teste de tolerância à glicose mede a capacidade de resposta do organismo ao açúcar (glicose). Pode ser usado para despiste de diabetes no adulto. Uma variante desta prova é usada na gravidez para despiste de diabetes que se desenvolve nesta situação.

3. Creatinina e Ureia

As determinações de ureia e de creatinina séricas são habitualmente utilizadas como elemento de avaliação da função renal e do estado de hidratação. Podem ser utilizados para monitorizar a função renal em pacientes submetidos a variadas terapêuticas.

Os níveis de creatinina sérica podem ser utilizados para ajustar a dose de medicamentos cuja eliminação é efetuada pelo rim, particularmente em pacientes idosos ou quando é detetada insuficiência renal.

Os seus níveis séricos podem depender de variados fatores, incluíndo dieta, constituição muscular ou atividade física.

Não devem ser utilizados como elemento(s) isolado(s) para um diagnóstico de insuficiência renal, havendo outros parâmetros também importantes para este fim.

4. Ionograma (sódio, potássio e cloretos)

Traduz as concentrações de Sódio (Na), Potássio (K) e Cloretos (Cl) do sangue.

São parâmetros essenciais na avaliação do equilíbrio hídrico do paciente, nomeadamente em situação de insuficiência renal, insuficiência cardíaca e doença hepática, permitindo avaliar estado de desidratação ou de possível intoxicação pela água

São parâmetros complementares da avaliação de função renal, podendo ser utilizados no seguimento e ajuste de dose de pacientes em tratamento com antihipertensores.

5. Ácido úrico

A determinação de ácido úrico é importante na avaliação de doenças metabólicas ou renais, ou efeito adverso, secundário da administração de alguns fármacos.

É elemento complementar do diagnóstico de gota, sendo utilizado na monitorização de calculose renal e de terapêutica com fármacos citotóxicos.

Os seus níveis podem ser influenciados pela dieta como por exemplo, pelo abuso do consumo de álcool e ingestão excessiva de proteína.

teste ao sangue hepatite A

6. Transaminases (TGO/AST e TGP/ALT)

São duas enzimas produzidas no fígado e cuja libertação para o sangue traduz a atividade metabólica hepática.

São dos mais clássicos marcadores cujos níveis no sangue permitem avaliar de possível lesão hepática.

São frequentemente utilizados para avaliar a possível toxicidade hepática de algumas medicações.

Os seus resultados, quando alterados, devem ser avaliados a par dos de fosfatase alcalina e de gama-glutamiltransferase.

7. Fosfatase alcalina (ALP) e Gama-Glutamiltransferase (GGT)

A Fosfatase Alcalina (ALP) pode ser encontrada como produzida em muitos tecidos do organismo. A sua utilização clínica está associada ao diagnóstico e monitorização de doenças hepáticas, intestinais, ósseas e da paratiroide.

A causa mais comum de ALP elevada é a doença hepatobiliar obstrutiva e, por isto, é frequentemente utilizada nos estudos da função hepática. Pode encontrar-se elevada em situações de atingimento ósseo, podendo encontrar-se ligeiramente elevada em casos de osteoporose.

A Gama-Glutamil-Transferase (GGT) é sobretudo útil na avaliação da lesão hepato-biliar, sendo o marcador mais sensível de lesão hepática.

Quando utilizado em comum com as transaminases e a  ALP permite uma avaliação mais completa dos resultados e o seu enquadramento na avaliação funcional do organismo.

A presença de GGT isoladamente elevada é comum (podendo traduzir um traço pessoal ou ser compatível com lesão hepática mínima).

8. Colesterol (total e suas variantes) e triglicerídeos

Este conjunto de análises constitui o que habitualmente é referido como “perfil lipídico básico”. Permite avaliar o risco cardiovascular e monitorizar a terapêutica associada.

Os seus níveis encontram-se elevados em situações genéticas familiares e em várias alterações do metabolismo, como litíase biliar obstrutiva, insuficiência renal, diabetes e várias outras patologias endócrinas.

Para valorização adequada do seu resultado é fundamental garantir o cumprimento correto das variantes pré-analíticas, nomeadamente o jejum, como definidas atrás.

O colesterol é produzido em muitos tecidos, mas sobretudo no fígado e parede intestinal. Cerca de 75% é sintetizado enquanto que 25% é diretamente de origem alimentar.

O valor sérico desejável para o colesterol total no adulto é inferior a 200 mg/dL. Os níveis são considerados elevados quando acima de 240 mg/dL.

O Colesterol HDL possui também um papel na avaliação de risco cardiovascular, uma vez que valores superiores a 60 mg/dL parecem possuir um papel protector U(daí a designação frequente de “Bom colesterol”).

O Colesterol LDL é mais um elemento de avaliação de risco, podendo ser utilizado isoladamente ou em conjunto com os restantes. O valor sérico desejável no adulto não tratado é inferior a 130 mg/dL.

Os Triglicerídeos constituem mais um risco cardiovascular isolado. Um valor normal para adulto em jejum é <150 mg/dL, sendo dos analitos mais sensíveis ao cumprimento das regras de jejum prévio à colheita. 

Cada uma destas análises do perfil lipídico pode ser utilizada, isoladamente ou em conjunto, como elemento de avaliação de risco de aterosclerose. Do mesmo modo podem ser utilizadas para monitorizar a eficácia de terapêuticas.

tubos de análises clínicas

9. Análise sumária de urina, com estudo do sedimento

Esta análise inclui a avaliação de características físicas gerais da urina como aspecto, cor e densidade. A densidade depende da ingestão de água, traduzindo diretamente a capacidade de concentração do rim.

A constituição químicas, inclui a pesquisa de constituintes invulgares como proteínas (presentes nas lesões renais), bilirrubina, urobilinogénio (presente nas patologias hepáticas), glicose e corpos cetónicos (utilizados na avaliação da função renal em diagnósticos de diabetes) e nitritos (geralmente tradutores de presença de bactérias).

O estudo microscópico do sedimento permite avaliar e conter eritrócitos e leucócitos, cuja presença pode traduzir infeção urinária.

Todos os exames bacteriológicos de urina devem ser complementados por avaliação, na mesma amostra, deste tipo de estudo sumário.

Em caso de patologia renal vários destes parâmetros podem encontrar-se alterados, sendo utilizáveis para diagnóstico e monitorização de uma possível terapêutica.

10. Proteina C-reactiva e Velocidade de sedimentação globular

São dois indicadores de inflamação, frequentemente solicitados em conjunto. Qualquer um destes, quando elevado, traduz geralmente a presença de um estado inflamatório.

De uma maneira geral a proteína C-reactiva é mais sensível e específica e a sua variação mais precoce num estado inflamatório. As suas concentrações variam rapidamente em poucas horas, podendo atingir várias dezenas ou centenas de vezes o valor basal. Por isso, é utilizada como indicador precoce de inflamação, servindo também para a sua monitorização.

A velocidade de sedimentação é um indicador indirecto de inflamação, sendo influenciada por várias doenças. Como depende da concentração de múltiplas proteínas, as suas variações são lentas a estabelecer e a variar. É particularmente útil no diagnóstico rematológico e ósteo-articular em geral.

Outras Análises Clínicas

1. Tempo de protrombina (PT) e Tempo de tromboplastina parcial activado (APTT)

São os testes que, em conjunto com a contagem de plaquetas (ver “hemograma”), mais frequentemente se identificam como estudo sumário da coagulação. 

Auxiliam na avaliação geral da coagulação, sendo frequentemente estudados antes de intervenções médicas, para excluir deficiências funcionais variadas.

É importante referir que algumas medicações podem afetar os resultados obtidos. A utilização de anticoagulantes pode ser controlada por estes estudos.

Dependendo da sintomatologia permitem avaliar:

  • Deficiências na síntese de fatores de coagulação (incluindo hemofilia);
  • Presença de anticoagulantes endógenos (por exemplo em situação de doenças autoimunes);
  • Baixa contagem de plaquetas ou outros distúrbios plaquetários.

2. Marcadores tumorais

Com este nome incluem-se vários doseamentos cuja concentração pode permitir monitorizar o tratamento de um tumor diagnosticado. Muito raramente podem ser utilizados como elemento de diagnóstico, uma vez que é a variação ao longo do tempo que possui significado, A quantificação isolada é de difícil interpretação.

São exemplos os marcadores gastrointestinais antigénio cárcino-embrionário (ou CEA) e o CA19.9, o marcador mamário CA15.3, os marcadores germinativos alfafetoproteína e gonadotrofina coriónica, o marcador tiroideu tiroglobulina e o marcador prostático PSA.

De uma maneira geral devem ser solicitados levando em consideração cada caso de forma individual e os seus resultados valorizados por médicos.

3. Hemoglobina glicada A1c

Parâmetro complementar de avaliação da diabetes e da eficiência da terapêutica/controlo desta. Embora algumas sociedades médicas utilizem a A1c isolada como elemento de despiste de diabetes em grávidas e em pacientes com mais de 45 anos, a norma portuguesa segue as orientações da OMS: o primeiro elemento de diagnóstico de diabetes é o doseamento de glicose (ver atrás).

A hemoglobina eritrocitária A1c é glicada em função da concentração de glicose no sangue. Sendo a duração dos eritrócitos de cerca de 120 dias, aquele parâmetro traduz os níveis médios de glicose no sangue durante este período. Deste modo pode ser utilizada como elemento de avaliação da eficiência de uma terapêutica instituída para uma diabetes.

4. Marcadores víricos

As análises clínicas que mais frequentemente geram curiosidade neste capítulo, são as associadas ao diagnóstico da hepatite vírica B e C e da infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH).

Estes marcadores pesquisam vírus ou anticorpos em circulação, resultantes da resposta do organismo. Em qualquer dos exemplos esta resposta não é imediata relativamente a um contacto de risco. Se for necessário excluir uma possível infecção, quatro a doze semanas é o período habitualmente considerado de incubação e durante o qual deve ser mantida uma avaliação analítica cuidada e seriada.

Análises Clínicas na Unilabs

Para que os resultados sejam o mais fiáveis possível, na Unilabs garantimos a qualidade máxima dos valores obtidos, através de rigorosos programas de Controlo da Qualidade Interno e Externo.

As análises clínicas são acompanhadas dos valores de referência que pode ler de forma sucinta. No entanto, é importante referir que a interpretação dos resultados dos testes laboratoriais é mais complexa do que a simples comparação com os valores de referência (indicados individualmente em cada análise), sendo necessário considerar vários fatores, tais como o género, a idade e a situação clínica.

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