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Saúde

Mel para a tosse: há evidência científica?

11 dezembro 2019
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Sempre se ouviu dizer que não há nada melhor do que o mel para a tosse. Neste artigo revelamos se essa prática é válida ou não.

O mel é consumido pelo ser humano há milhares de anos, quer pelas suas propriedades adoçantes, quer como agente anti-inflamatório, antioxidante e antibacteriano 1.

 

Entre os principais produtores de mel encontram-se países como a China e os Estados Unidos 2.
Os principais componentes nutricionais do mel – e razão para o seu potencial adoçante – são os hidratos de carbono na forma de monossacarídeos (frutose e glicose) e dissacarídeos (maltose, isomaltose, maltulose, sacarose e turanose).

 

Podem ainda ser encontrados vestígios de enzimas como a amílase, a peróxido oxidase, a catalase e a fosforilase, o que explica o uso deste alimento como agente terapêutico 2. Além disso, o mel contém ainda aminoácidos livres, minerais, ferro, zinco e antioxidantes. 3

 

Existem cerca de 320 variedades de mel, originárias de várias fontes florais. O sabor, cor e odor de um determinado tipo de mel depende não só da origem mas também do tipo de abelha que poliniza a flor. 2

 

Do ponto de vista nutricional, uma colher de sopa deste produto (aproximadamente 20 gramas) contém cerca de 65 Kcal e mais de 17 gramas de hidratos de carbono – na sua totalidade açúcares simples -, estando virtualmente desprovido de proteínas, fibras e gorduras.

 

Utilização terapêutica do mel

 

Este produto tem um destaque bastante grande nas medicinas alternativas. No entanto, os seus supostos efeitos terapêuticos têm vindo a ser bastante discutidos na literatura científica, especialmente no que diz respeito à segurança da sua ingestão por pessoas com doenças metabólicas, por exemplo, diabéticos.

 

Os benefícios da sua ação antioxidante, antibacteriana, antifúngica e hepatoprotetora podem ser encontrados em vários artigos científicos, fazendo deste alimento um suplemento valioso para a população humana 4.

 

Outras vantagens associadas ao mel (algo controversas) são o seu papel na cicatrização de feridas e a promoção da fertilidade humana 2. No entanto, no que diz respeito ao consumo de mel para a tosse, os benefícios estão já bem comprovados, especialmente na população pediátrica.

 

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Consumo de mel para a tosse 

 

Enquanto sintoma de doença, a tosse aguda é uma das principais queixas médicas, sendo bastante comum nas crianças e, frequentemente, associada a outras causas patológicas. Aliás, a tosse aguda, como sintoma de patologia, é bastante frequente na primeira infância.

 

A sua origem depende muito da idade, bem como das condições meteorológicas e ambientais 2.

 

Independentemente disso, uma das principais causas de tosse são as infeções do trato respiratório superior, que afetam não só a qualidade de vida das crianças mas também dos pais.

 

Surpreendentemente, alguns dos fármacos disponíveis para o tratamento da tosse não são eficazes e podem ter efeitos secundários. Vários estudos indicam que anti-histamínicos, descongestionantes e antitússicos de venda livre são tão eficazes como um placebo no tratamento da tosse aguda 2.

 

Paralelamente, o volume de trabalhos que estudam o efeito do consumo de mel para a tosse aguda tem vindo a crescer e os seus resultados estão em concordância com as recomendações da Organização Mundial de Saúde em 2001 5.

 

De acordo com estes trabalhos, uma toma única de mel parece reduzir a inflamação da mucosa, diminuir a formação de muco e o número de episódios de tosse não só em crianças mas também em adultos. Estes achados estão provavelmente associados aos seus efeitos antioxidantes e à sua capacidade para promover a libertação de citocinas com propriedades antimicrobianas 6.

 

Com efeito, de acordo com a evidência científica disponível 7, 8, o mel parece ser uma escolha melhor no tratamento da tosse aguda.

 

Um estudo indica ainda que o mel é superior a dois dos fármacos mais prescritos para a tosse, o dextrometorfano e a difenidramina 9. Os resultados são visíveis não  só na frequência dos episódios mas também na qualidade de sono tanto das crianças como dos pais 8.

 

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Consumo de mel para a tosse: dose e riscos 

 

Uma vez que os anti-histamínicos e outros fármacos parecem não ter efeitos significativos no tratamento da tosse aguda, o mel aparenta ser uma alternativa segura para as crianças.

 

O efeito terapêutico do mel é conseguido em doses de 2,5 mL antes de deitar, para crianças 8. No entanto, pode haver risco de contaminação do produto com Clostridium botulinum pelo que esta recomendação apenas se aplica a crianças com mais de 1 ano de idade 10.

 

Outros possíveis efeitos secundários do consumo excessivo de mel passam por insónia e hiperatividade, que devem ser mencionados aquando da recomendação 10.

 

Conclusão

 

No que diz respeito ao tratamento da tosse aguda, o mel é um produto de grande interesse terapêutico. No entanto, relativamente às outras alegadas propriedades, não existem estudos científicos que comprovem o seu efeito benéfico deste produto.

 

Salienta-se que o uso de mel deve ser evitado antes do ano de idade e, em caso de doença metabólica, deve ser supervisionado por um profissional de saúde.

Fontes:

 

  1. Noori S.Al.W., et.al. (2014). Effects of natural honey on polymicrobial culture of various human pathogens. Disponível aqui.

  2. Meo, S. A., et.al. (2017). Role of honey in modern medicine. Disponível aqui.

  3. Fatimah B., et.al. (2013). Analysis of biochemical composition of honey samples from North-East Nigeria. Disponível aqui.

  4. Denisow B., Denisow-Pietrzyk M. (2016). Biological and therapeutic properties of bee pollen. Disponível aqui. 

  5. Department of Child and Adolescent Health. (2001). Cough and cold remedies for the treatment of acute respiratory infections in young children. Geneva, Switz: World Health Organization. Disponível aqui.

  6. Goldman RD, Canadian Paediatric Society. (2011) Drug Therapy and Hazardous Substances Committee Treating cough and cold: guidance for caregivers of children and youth. Disponível aqui.

  7. Goldman, RD. (2014). Honey for the treatment of cough in children. Disponível aqui.

  8. Paul, I. M. (2007). Effect of Honey, Dextromethorphan, and No Treatment on Nocturnal Cough and Sleep Quality for Coughing Children and Their Parents. Disponível aqui.

  9. Shadkam, M. N., Mozaffari-Khosravi, H., & Mozayan, M. R. (2010). A Comparison of the Effect of Honey, Dextromethorphan, and Diphenhydramine on Nightly Cough and Sleep Quality in Children and Their Parents. Disponível aqui.

  10. Chan CW. (2014). Does honey improve cough symptoms in children with upper respiratory tract infections? Disponível aqui.

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