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Gravidez

Como lidar com a perda gestacional

17 maio 2023
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Uma perda gestacional é algo doloroso para a mulher e para a sua família. Perceba como lidar com esta situação.

A perda gestacional pode ter efeitos devastadores não só na gestante como nas pessoas ao seu redor. 

Muitas mulheres que passam por esta situação acabam por ter problemas de saúde mental que podem prolongar-se por meses ou até anos. 4 

Uma maneira de evitar que essas condições surjam ou se agravem é recorrer a apoio especializado, durante o processo de luto. Há, ainda, outras estratégias que também podem ajudar. 

O que é a perda gestacional?

Antes de abordamos algumas formas de lidar com esta situação, importa esclarecer que estamos perante uma perda gestacional quando a morte do bebé ocorre durante a gravidez ou depois do parto. 

Apesar de ter um sentido bastante lato e abrangente, a perda gestacional costuma estar subdividida da seguinte maneira:

  • Mortalidade fetal precoce: está associada a abortos que ocorrem até à 20.ª semana de gestação;
  • Mortalidade fetal tardia: diz respeito às perdas ocorridas após a 28.ª semana de gravidez.

São várias as circunstâncias que podem conduzir a esta perda, tais como: 1

  • Aborto espontâneo;
  • Morte fetal;
  • Morte neonatal;
  • Interrupção médica da gravidez, devido, por exemplo, a diagnóstico de anomalias congénitas do feto/bebé;
  • Interrupção voluntária da gravidez. 


Segundo a Organização Mundial da Saúde, o aborto espontâneo é a causa mais comum da perda gestacional. 

Entre os fatores subjacentes podem estar a malformação fetal, a mãe ter mais de 40 anos, infeções ou diabetes não controlado.7 Contudo, na maior parte dos casos, os motivos permanecem desconhecidos. 2, 3

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Estratégias para ultrapassar a perda gestacional

A dor associada à perda gestacional tende a aumentar quando a mulher enlutada esconde o que sente. 

Isso acontece sobretudo quando há pouco apoio por parte dos amigos e dos familiares, os quais, muitas vezes, evitam falar do assunto, por não saberem como lidar com a situação.5

Assim, caso esteja a passar por um momento delicado como este, procure pôr em prática algumas das sugestões que deixamos a seguir. 6

Não esconder a dor

A vivência de um luto, seja ele de que ordem for, é sempre diferente de pessoa para pessoa. Todavia, o mais importante é que os sentimentos sejam exteriorizados e não escondidos, nem oprimidos, pois tal vai dificultar a recuperação.

Para algumas pessoas, chorar ou gritar, por exemplo, pode ser uma maneira de se sentirem mais aliviadas. 

Outras conseguem encontrar reconforto ao cumprir alguns rituais que estejam em conformidade com a sua crença religiosa.

Falar sobre o que sente

Uma perda gestacional afeta a pessoa emocional e psicologicamente, durante um período alargado de tempo. Sentimentos como a insegurança ou o medo podem prolongar-se por meses ou até mesmo anos.

Esta é, por isso, a altura para cuidar de si mesma, sem esquecer quem está à sua volta e que também sofreu uma perda. 

Durante este período, é muito importante que todos tenham espaço para falar sobre o que sentem, sem receios ou barreiras.6

mulher desabafa em grupo de apoio ao luto.jpg

Procurar ajuda e suporte

 

Além de ser essencial encontrar apoio junto de amigos e familiares, a verdade é que isso nem sempre é suficiente e pode ser necessário complementar esse suporte com outro mais especializado e direcionado.

Entre alguns exemplos estão os grupos de apoio, conselheiros profissionais, o médico de família, uma parteira, uma enfermeira ou um psicólogo.

No próprio hospital, é possível solicitar um assistente social, que encaminhará o caso para alguém com competências na área.

Construir memórias

 

O processo de luto pode tornar-se mais difícil quando a família enlutada não teve oportunidade de se despedir convenientemente do bebé ou de criar memórias relacionadas com ele.

Guardar algo como uma madeixa de cabelo ou realizar um serviço fúnebre são atos que podem contribuir para ultrapassar melhor esta fase. 

Acreditar no futuro

 

Um dos principais desafios da perda gestacional é aceitar que a vida continua e, em muitos casos, voltar a tentar concretizar o sonho de ter um bebé.

Dar esse passo pode ser difícil e é normal que a gravidez seguinte seja marcada por alguns medos e anseios. 

No entanto, se o luto for realizado convenientemente, ou seja, se houver tempo e espaço para chorar a perda do bebé, despedir-se dele e guardar memórias, será certamente mais fácil encarar uma nova gestação.

Fontes

  1. Marilin Cristina Martins Dias. (2012). A Perda Gestacional e o Processo de Luto. Quando o início é o fim da vida... Disponível aqui

  2. Souza, Christine Nicklas de. (2022). A experiência do processo do luto na perda gestacional. Disponível aqui

  3. Costa, Maria Inês Santos. (2019). O processo de luto parental após a perda gestacional: um estudo qualitativo. Disponível aqui

  4. World Health Organization. Why we need to talk about losing a baby. Disponível aqui

  5. Health Matters. Tips to Support Someone After the Loss of a Baby. Disponível aqui

  6. Fraser Health. Dealing with a pregnancy loss. Disponível aqui

  7. Cleveland Clinic. (2022). Miscarriage. Disponível aqui

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