Prisão de ventre: como evitar e quais alimentos incluir na dieta
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A prisão de ventre é um problema que se pode revelar esporádico ou crónico e que causa grande desconforto. Saiba mais sobre a obstipação.
A prisão de ventre, clinicamente designada de obstipação, é um problema relativamente frequente, sendo que pode provocar grande mal-estar e desconforto nas pessoas que sofrem desta complicação.
Apesar do funcionamento intestinal não ter um padrão regular, igual em todas as pessoas, considera-se normal um número de evacuações inferior a três vezes diárias e superior a três vezes semanais.
Quando o número de evacuações está muito desfasado destes números de referência, então podemos estar perante um caso de obstipação que carece de avaliação médica.1
O QUE É A PRISÃO DE VENTRE
Estima-se que 12% a 19% da população sofra de obstipação, atingindo 30% a 40% dos indivíduos com mais de 65 anos, principalmente pessoas doentes institucionalizadas. 2
Alguns dos fatores de risco para a obstipação são: 3
- Género feminino;
- Baixo nível socioeconómico;
- Idade avançada;
- Estilo de vida sedentário ou mudança de rotina e hábitos alimentares;
- Polimedicação;
- Dieta com baixo teor de fibras ou líquidos;
- Gravidez;
- Viagens, que acarretam mudança de hábitos ou falta de privacidade para usar a casa de banho;
- Doenças auto-imunes ou do sistema nervoso central;
- Estado de ansiedade e/ou depressão.
Pode considerar-se que se está perante um caso de obstipação quando: 1
- Existe uma dificuldade constante em evacuar;
- A evacuação implica esforço e/ou dor;
- É preciso recorrer a manobras digitais para auxiliar a saída das fezes;
- O indivíduo evacua duas ou menos vezes por semana;
- Há diminuição significativa do número de evacuações normais. Empiricamente pode-se dizer que seriam números de dejeções inferiores a três vezes na semana.
Sintomas
Além dos sinais de alerta listados anteriormente, a obstipação está, ainda, associada a outros sintomas importantes, tais como: 3
- Fezes duras e fragmentadas;
- Sensação de mal-estar e de desconforto no abdómen;
- Hemorróidas;
- Fissura anal;
- Distensão;
- Flatulência;
- Total incapacidade de evacuar, sem o auxílio de medicação.
Causas
De um modo geral, a obstipação é provocada por fezes duras e pouco volumosas. Essa situação pode tornar o funcionamento do intestino mais lento.
Um dos motivos para isso acontecer pode estar relacionado com o teor de água presente nas fezes. Quando o nível de água é baixo e/ou as fezes permanecem muito tempo no intestino, é mais provável que elas se tornem duras e pouco volumosas e, logo, mais difíceis de expulsar.
Além da água, as fezes também possuem fibras, que facilitam a absorção da água e, por conseguinte, ajudam a tornar as fezes mais moles. Por isso, fazer uma dieta rica em fibra ajuda a evitar a obstipação.
Outras causas possíveis da obstipação podem ser: 3
- Alterações no ritmo de vida, como stress e baixa atividade física;
- Distúrbios psicológicos;
- Mudanças da motilidade colo-retal;
- Disfunção dos músculos pélvicos ou do esfíncter anal;
- Desidratação;
- Mudanças metabólicas, neurológicas e psiquiátricas;
- Doenças neurológicas (esclerose múltipla, doença de Parkinson, lesões da medula);
- Doenças metabólicas (diabetes, hipotiroidismo, insuficiência renal).
No entanto, convém notar que a obstipação pode não ter uma causa identificável, ou seja, o intestino pode ter um funcionamento lento ou ter dificuldade em desencadear a saída das fezes sem razão aparente. 1
Complicações associadas
Por vezes, a obstipação também pode ser provocada pela toma de um certo tipo de medicação (antidepressivos, AINEs, diuréticos, opióides, etc.) ou pode manifestar-se na sequência de outras doenças que prejudicam o bom funcionamento intestinal, como é o caso de: 1
- Doenças intestinais ou do ânus (inflamação, zonas de estenose (aperto) no intestino, tumores, fissura anal,…).
- Hemorróidas e consequente sangramento anal;
- Dor;
- Prolapso retal;
- Impactação fecal.
Diagnóstico e tratamento
Perante os sintomas descritos, é recomendável uma ida ao médico para fazer uma avaliação clínica, análises ao sangue e exames, nomeadamente: um exame ano-retal (exame proctológico), um clister opaco, uma colonoscopia, medições do tempo de trânsito cólico, defecografia e/ou manometria ano-retal. 1
Detetado o problema, o tratamento pode passar por: 1
- Ter uma alimentação mais rica em fibra (25-30 g por dia);
- Estar bem hidratado (ingerir cerca de 1,5 a 2 litros de água por dia);
- Praticar exercício físico frequente (marcha, ginástica, natação);
- Tomar medicamentos, como laxantes (expansores de volume, osmóticos, lubrificantes, estimulantes e emolientes);
- Fazer uma cirurgia (só em casos raros).
Nota: Deve sempre voltar a consultar o médico Gastroenterologista se a obstipação se agravar; caso haja perdas de sangue pelo intestino; se tiver anemia; e/ou se perder peso.
COMO EVITAR A PRISÃO DE VENTRE
Como ficou claro, em muitos casos, a obstipação pode ser prevenida através da adoção de alguns comportamentos, como praticar exercício físico e ter uma dieta mais rica em fibras, aliada à ingestão de água de forma consistente ao longo do dia.
Também é importante não ignorar a vontade de ir à casa de banho.
Alimentos importantes para a combater a prisão de ventre
De facto, uma alimentação equilibrada pode ajudar a evitar a obstipação. Por isso, quem costuma sofrer de prisão de ventre deve apostar numa dieta especialmente rica em alimentos com fibra, como é o caso de: 1
- Cereais: farelo, flocos, pão e bolachas integrais;
- Fruta: ameixa, pêssego, frutos de polpa e frutos tropicais;
- Vegetais: couve, feijão, grão, ervilha, fava e salada.
Porém, todos estes alimentos devem ser incluídos de forma faseada na dieta, de modo a evitar outros problemas, como distensão abdominal, flatulência, meteorismo ou gás abdominal.



