Fibromialgia: o que é e como tratar esta patologia
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A fibromialgia é uma doença crónica, mas cujo diagnóstico nem sempre é fácil. Fique a saber mais sobre este problema.
Em 2016, a Direção-Geral da Saúde reconheceu oficialmente a fibromialgia como uma doença, embora a Organização Mundial da Saúde já o tivesse feito há praticamente 40 anos, nos finais da década de 70 do século passado.1
A fibromialgia é uma doença crónica que, só no nosso país, afeta cerca de 300 mil pessoas. Parece também existir uma maior prevalência em mulheres entre os 30 e os 50 anos de idade.
Esta patologia manifesta-se, essencialmente, através de fortes dores neuromusculares, cuja frequência e intensidade podem variar. A fibromialgia pode ser bastante incapacitante e ter um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.
O que é a fibromialgia?
A fibromialgia pode ser considerada uma doença do foro músculo-esquelético, cujo principal sintoma é a dor generalizada, que se pode propagar e afetar diferentes regiões do corpo.
Além disso, é comum que as pessoas com fibromialgia sejam mais sensíveis à dor, ao stress ou aos ruídos, por exemplo.
Apesar da manifestação da sintomatologia não ser, necessariamente, constante, é habitual estes doentes revelarem quadros constantes de cansaço extremo, problemas de sono e dificuldades de memória e de concentração.2
Causas
Os fatores de risco que favorecem o aparecimento da fibromialgia ainda não são totalmente conhecidos.
Porém, há algumas circunstâncias que podem contribuir para o aparecimento desta doença, como as alterações dos neurotransmissores e do processamento da dor, pelo sistema nervoso; o stress e a ansiedade; as doenças imunológicas e endócrinas; e os traumas físicos ou psicológicos.2
Sintomas
Já adiantamos quais são alguns dos sintomas mais prevalentes da fibromialgia, como é o caso da dor músculo-esquelética que pode ser difusa e imprecisa.
Geralmente, a sintomatologia associada à fibromialgia tende a agravar em contexto de frio, falta de descanso e/ou stress.
Eis aquelas que podem ser manifestações ou consequências da fibromialgia:
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Formigueiro ou sensação de adormecimento dos membros;
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Tremores;
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Sudação;
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Rigidez das articulações e músculos;
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Problemas de sono;
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Insónias ou acordar várias vezes durante a noite;
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Fadiga e cansaço;
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Falta de força e energia para os afazeres diários;
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Esgotamento físico;
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Dificuldade de concentração e memória;
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Intolerância ao frio e/ou ao calor;
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Enxaquecas ou cefaleias frequentes;
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Síndrome do cólon irritável;
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Dores menstruais intensas;
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Disfunção da articulação temporo-mandibular;
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Bexiga hiperativa;
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Depressão.
Diagnóstico
Geralmente, o diagnóstico da fibromialgia é feito quando, após a realização de vários exames e da exclusão de outras doenças, não se encontra explicação para o quadro clínico e sintomático apresentado pelo doente.
Assim, deve ser tida em consideração a história clínica do doente e feita a sua observação médica. Além disso, quando há dor difusa há mais de três meses; dor na palpação de 12 entre 18 pontos; e, pelo menos, dois dos seguintes sintomas – fadiga, alterações do sono, perturbações emocionais e dores de cabeça – significa que estamos perante um quadro suspeito de fibromialgia.
Tratamento
Como doença crónica que é, a fibromialgia não tem cura, mas podem atenuar-se os seus sintomas, recorrendo a terapêutica capaz de aliviar a dor, diminuir os níveis de ansiedade e melhorar o sono.
Atuando nestas três áreas, é possível garantir que o doente tem um dia a dia com mais qualidade de vida. Assim, está recomendada uma terapêutica farmacológica, mas também não farmacológica.
Medidas não farmacológicas
O controlo da fibromialgia também exige uma grande colaboração por parte do próprio doente. Por isso, o primeiro passo consiste em sensibilizar o paciente para a importância de evitar os fatores que favorecem o desenvolvimento de crises, como é o caso do stress, por exemplo.
Para isso, é, muitas vezes, recomendado que estes doentes sejam acompanhados por um psicólogo, de modo a conseguirem gerir melhor situações quotidianas de stress, ansiedade e nervosismo.
Esse acompanhamento pode ainda ser vantajoso no que diz respeito a ajudar o doente a ter uma boa higiene de sono. Para isso, é aconselhável que o paciente com fibromialgia tenha um horário de descanso regular; crie um ambiente calmo e favorável ao sono na hora de ir para a cama; e evite o consumo de estimulantes, como alimentos ou bebidas com cafeína.
Apesar do cansaço e da dor, característicos desta doença, a prática frequente de atividade física pode ser benéfica para os pacientes com fibromialgia. Além de ajudar a relaxar e a aliviar alguns sintomas (como a tensão muscular e os problemas de sono), é uma maneira de preservar a força e a flexibilidade muscular.
Naturalmente que o tipo de desporto deve ser adequado aos gostos e condição física do doente. De um modo geral, é recomendado um programa de treino leve e curto no tempo, mas que seja posto em prática, de preferência, todos os dias. Esse programa deve incluir aquecimento; exercícios de fortalecimento muscular e alongamento; exercício aeróbio (caminhada, dança, exercício aquático); e relaxamento final.
Algumas das atividades físicas mais sugeridas para estes doentes são hidroginástica, ginástica aeróbica, Yoga, Tai-Chi e Pilates, precisamente por incluírem muitos dos tipos de exercícios anteriormente enumerados.
Medidas farmacológicas
Paralelamente, é importante que o doente recorra a alguns fármacos que ajudem a atenuar os sintomas relacionados com a fibromialgia.
Os medicamentos indicados a estes pacientes são: analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e antidepressivos, de modo a aliviar a dor, mas também a contrariar outros sintomas frequentes nestes doentes, como é o caso da fadiga, ansiedade e, mesmo, depressão.
Ainda que os exames possam não evidenciar qualquer problema, a fibromialgia é uma doença real, com sintomas e consequências reais para a vida e para o bem-estar dos doentes. Por isso, o seu diagnóstico e tratamento é fundamental, para um dia a dia com mais qualidade.



