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Exames Médicos

Rastreio do cancro do pulmão: tudo o que deve saber

14 maio 2021
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O rastreio do cancro do pulmão melhora o prognóstico da doença em pessoas cuja patologia seja detetada numa fase inicial. Saiba mais.

Diagnosticar precocemente doenças como o cancro do pulmão, aumenta a eficácia dos tratamentos, prolonga a esperança média de vida do doente e baixa a taxa de mortalidade associada à patologia e, por isso, é importante fazer rastreios, nomeadamente, o rastreio do cancro do pulmão.  

 

Só em Portugal, são diagnosticados anualmente cerca de 4.000 novos casos deste cancro. A maior parte deles são detetados numa fase avançada da doença e quando o cancro já metastizou para os ossos ou para o cérebro. Daí, a importância do seu rastreio. Fique a saber quando e quem deve ser sujeito a este rastreio e como funciona.

 

Em que consiste o rastreio do cancro do pulmão

 

O rastreio do cancro do pulmão, assim como outros rastreios, tem como objetivo diagnosticar uma doença, antes que ela comece a manifestar sintomas. Deste modo, pretende-se proporcionar um tratamento atempado ao doente e um melhor prognóstico de recuperação da doença.

 

Para isso, o rastreio deve oferecer resultados confiáveis, ser de fácil execução e apresentar mais vantagens do que desvantagens para o indivíduo testado.3

 

Quem deve fazer?

 

Geralmente, o rastreio do cancro do pulmão está indicado para pessoas com maior risco de desenvolverem esta doença e que, simultaneamente, estejam assintomáticas, tenham entre 55 e 74 anos e/ou, sejam fumadoras ou tenham fumado durante os últimos 15 anos.

 

Outros aspetos, como ter histórico familiar de cancro do pulmão ou ter doença respiratória anterior, também podem ser tidos em conta para a realização do rastreio.

 

Contudo, convém notar que na Europa este rastreio ainda não foi considerado um rastreio de rotina.3

 

Sinais de alerta

 

Independentemente de reunir algum ou alguns dos requisitos acima descritos, há sintomas que não deve subestimar e que devem ser comunicados ao seu médico de família. Assim, deve agendar uma consulta se tiver:

 

  • Tosse persistente e que seja acompanhada ou não de emissão de sangue pela boca;

  • Expectoração com sangue;

  • Falta de ar;

  • Dores no peito ou no ombro.

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Rastreio do cancro do pulmão: procedimentos possíveis

 

Os primeiros procedimentos de rastreio do cancro do pulmão recorriam à citologia convencional da expetoração e/ou à radiografia torácica. Estes rastreios aumentaram o número de tumores diagnosticados em estádio passível de resseção e a sobrevida. Contudo, não reduziram a taxa de mortalidade por cancro do pulmão.

 

Uma forma possível de tornar estes rastreios ainda mais eficazes é através do recurso à TAC espiral em conjunto com marcadores moleculares.2

 

Outra ferramenta de rastreio em avaliação tem por base o ensaio clínico NELSON, o qual permite identificar a patologia sem exames invasivos e de modo simples e reprodutível, com base num algoritmo e numa avaliação volumétrica da TAC.1

 

Tomografia computadorizada de baixa dose

 

Atualmente, o rastreio do cancro do pulmão recorre à tomografia computadorizada de baixa dose (TC de baixa dose ou TCBD), ou seja, um tipo de exame que só precisa de uma pequena dose de radiação para recolher imagens do interior do corpo e formar, de maneira rápida, uma imagem tridimensional que pode ser utilizada para um diagnóstico preciso.

 

Esta imagem permite identificar manchas, nódulos (que, na maior parte das vezes, não são malignos) e até tumores mais pequenos.3

 

Os resultados do National Lung Cancer Screening Trial, publicado em 2013 nos Estados Unidos da América, evidenciou que a TCBD é capaz de salvar a vida de um em cada cinco doentes com cancro do pulmão.

 

O diagnóstico da doença na sua fase inicial permite um melhor prognóstico, podendo ser exclusivamente necessário proceder a uma cirurgia para tratar o doente.3

 

Outros exames e análises complementares ao rastreio do cancro do pulmão além de TCBD são: análises a amostras de expectoração ou ao sangue para pesquisa microscópica de pequenos tumores e/ou teste de respiração para detetar eventuais alterações em certas substâncias.3

 

Apesar de um elevado nível de precisão e de rigor, o rastreio do cancro do pulmão por TCBD pode não detetar alguns cancros (falsos-negativos), assim como algumas manchas com aspeto maligno que podem, na verdade, revelar-se falsos-positivos.3

 

Além disso, o rastreio por TCBS aumentou o número de casos de cancro do pulmão diagnosticados e a terapêutica cirúrgica, mas não reduziu o risco de diagnóstico em estádio avançado ou de morte por cancro do pulmão.5

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O papel do rastreio do cancro do pulmão

 

Embora o rastreio do cancro do pulmão não seja infalível, ele pode ter um papel determinante no diagnóstico precoce desta doença o que, como vimos, pode ser da máxima relevância no seu prognóstico e tratamento.

 

Assim, é importante que o doente tenha uma postura interventiva e, se for considerado um indivíduo de risco ou se tiver alguns dos sintomas suspeitos de cancro do pulmão, deve dirigir-se ao médico.

Fontes:

 

  1. Pulmonale. (2018). Novo Rastreio do Cancro do Pulmão Permite Tratamento Precoce. Disponível aqui. 

  2. Fundação Portuguesa do Pulmão. Cancro do Pulmão. Disponível aqui.

  3. Global Lung Cancer Coalition. (2017). Rastreio do cancro do pulmão. Disponível aqui. 

  4. https://www.journalpulmonology.org/pt-rastreio-com-tomografia-computorizada-e-articulo-S0873215915303846

  5. Bach, P., et al (2007). Rastreio com tomografia computorizada e resultados no cancro do pulmão. Disponível aqui. 

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