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Saúde

Doença de Alzheimer: o que deve saber sobre esta patologia

27 setembro 2022
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A doença de Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa, sem cura e cuja origem permanece desconhecida. Saiba o que já se descobriu sobre esta doença.

Em 1906, esta doença foi inicialmente descrita pelo físico Dr. Alois Alzheimer, que a descreveu como uma “doença peculiar”, onde uma profunda perda de memória e alterações microscópicas do cérebro foram observadas - uma doença que todos conhecemos como doença de Alzheimer.

As Nações Unidas consideraram a doença de Alzheimer uma doença crónica não transmissível e um grave problema global de saúde pública devido às morbilidades que origina. 1

Esta doença é mesmo a forma mais prevalente de demência, representando aproximadamente 50% a 70% dos casos. Conheça o que a investigação conduzida até aqui nos demonstrou sobre esta condição neurodegenerativa. 4

O que é a doença de Alzheimer

A gradual deterioração de várias funções cognitivas carateriza esta doença. Algumas incluem a memória, atenção, pensamento, concentração, linguagem, entre outras.

Os danos provocados são irreversíveis. Resultam em alterações no comportamento, na personalidade e, afetam a capacidade funcional do doente, o que o impede de executar uma série de tarefas quotidianas.

As placas e tranças, que correspondem às estruturas que os pacientes com Alzheimer produzem, são anormais.

Em última instância, estas obstruem a comunicação dentro do sistema nervoso central. Como resultado, dá-se uma disrupção nos processamentos que as células nervosas necessitam para sobreviver e, eventualmente, morrem.3 Estes eventos ilustram o cunho patológico que é a doença de Alzheimer. 1

idoso pensativo com apoio de auxiliar

Como consequência, o doente vai perdendo função cerebral, à medida que determinadas partes do cérebro deixam de estar “operacionais”.

Importa ainda destacar que existem dois tipos de doença de Alzheimer, de uma perspetiva genética, aquela que designamos como esporádica e a que chamamos de familiar. 2

A doença de Alzheimer esporádica é o tipo mais frequente (<1% dos pacientes com Alzheimer) e é mais comum em indivíduos com mais de 65 anos de idade, mesmo sem antecedentes familiares desta doença. 2

Já a familiar é menos prevalente e é hereditária, ou seja, tem uma origem genética. 2

Causas

células do cérebro

Ainda não há conclusões acerca do que provoca esta doença esporádica (aquela que ocorre normalmente em adultos após os 65 anos, mas pode afetar qualquer idade).

Acredita-se que na origem da doença possa estar mais do que uma causa e que as mesmas possam variar de indivíduo para indivíduo. 2 A doença de Alzheimer do tipo Esporádico é causada pela combinação de fatores de risco, tais como os ambientais, genéticos, e o estilo de vida. 2

Por outro lado, a doença de Alzheimer do tipo Familiar, deve-se a mutações genéticas.

O maior fator de risco para a doença de Alzheimer do tipo Esporádico é a idade avançada. Neste momento, estão sob análise vários fatores de risco, nomeadamente ambientais, perturbações bioquímicas e processos imunitários.

Sintomas

idoso sozinho num cadeirão a olhar para a janela

A doença de Alzheimer apresenta uma instalação insidiosa e progressão lenta. Numa primeira fase da doença, os sintomas podem passar despercebidos e caraterizarem-se, essencialmente, por esquecimentos no que diz respeito à memória recente.

À medida que a deterioração das células do cérebro progride, os sintomas da doença começam a ser mais evidentes. Nesse momento, é frequente ocorrer: 2, 3

  • Dificuldade em recordar-se de palavras básicas e simples;
  • Dificuldade constante em lembrar-se de acontecimentos, sobretudo recentes;
  • Discurso vago e, por vezes, descontextualizado ou sem sentido;
  • Desinteresse, mesmo por coisas que anteriormente eram apreciadas;
  • Maior demora na execução de tarefas básicas do dia a dia;
  • Não reconhecer pessoas ou lugares que são familiares;
  • Não entender questões ou instruções simples;
  • Dificuldade em relacionar-se socialmente;
  • Reações emotivas nem sempre expectáveis ou adequadas.

Diagnóstico

médico a ajudar paciente com alzheimer

Uma vez que não existe ainda uma teste específico que permita diagnosticar esta doença, o seu diagnóstico é feito através de:

  • Historial clínico;
  • Exames físicos e neurológicos;
  • Exame de função intelectual; 
  • Avaliações psiquiátricas e neurofisiológicas; 
  • Análises ao sangue e urina;
  • Imagiologia do cérebro.

Assim, será também possível despistar outras doenças com sintomatologia idêntica e chegar ao diagnóstico da doença de Alzheimer. Um diagnóstico precoce é benéfico, já que concede uma abordagem atempada a esta condição que aqui observamos.

Tratamento

idoso a tomar medicação

Atualmente, na vanguarda da investigação biomédica, encontra-se a doença de Alzheimer. Existem estudos a decorrer, no sentido de decifrar todos os aspetos da doença, tanto quanto possível.

Deu-se um progresso notável na tentativa de descodificar em que medida o Alzheimer afeta o cérebro. O objetivo é haver um entendimento mais aprofundado, que resulte em descobertas de novos tratamentos. Existem várias abordagens possíveis que estão na orla da investigação mundial. 3

No entanto, existem fármacos (antidemenciais) que ajudam a estabilizar as funções cognitivas do paciente, especialmente nas fases iniciais desta doença.

Além disso, em alguns casos, existem medicamentos prescritos que ajudam a aliviar alguns dos sintomas mais típicos desta doença, tais como a depressão ou a insónia. 2, 3

O exercício físico é, também, aconselhado, a par da reabilitação cognitiva.

Paralelamente ao aconselhamento junto do médico que esteja a acompanhar o caso, vale a pena ficar a saber que existe uma Linha de Apoio na Demência da Alzheimer Portugal, que está disponível através do número: 963 604 626. Ligue para obter ajuda e mais esclarecimentos!

Fontes:

  1. Alzheimer Portugal. Doença Crónica Não-Transmissível. Disponível aqui

  2. Alzheimer Portugal. A doença de Alzheimer. Disponível aqui

  3. Centers for Disease Control and Prevention. (2020). Alzheimer’s Disease and Related Dementias. Disponível aqui

  4. United Nation. (2011). Political Declaration of the High-Level Meeting  of the General Assembly on the Prevention and Control of Non-Communicable Diseases : draft resolution / submitted by the President of the General Assembly. Disponível aqui

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