Doença de Huntington: uma condição rara que afeta o sistema nervoso
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A expectativa média de vida de uma pessoa diagnosticada com doença de Huntington é de 10 a 30 anos. Conheça os sintomas, as complicações e os tratamentos.
A doença de Huntington, ou coreia de Huntington, afeta cerca de 4,88 pessoas em cada 100 mil em todo o mundo, sendo, por isso, considerada uma condição rara.
Com o tempo, esta doença causa a deterioração das células nervosas do cérebro, afetando os movimentos, a capacidade de raciocínio e a saúde mental do paciente.
Os doentes com coreia de Huntington desenvolvem movimentos incontroláveis semelhantes a uma dança (daí o nome coreia), bem como posturas corporais atípicas.1, 2, 3 e 4
Causas
A doença de Huntington é causada por uma mutação no gene HTT, responsável pela produção da proteína huntingtina.
Esta proteína auxilia o funcionamento das células nervosas. Na sua ausência, ocorre a destruição dos neurónios nos gânglios da base. Ou seja, na região do cérebro que regula os movimentos do corpo.
Esta alteração genética também afeta o córtex cerebral, responsável pelo pensamento, tomada de decisões e memória.
Se um dos progenitores for portador do gene alterado, a criança tem 50% de possibilidade de ter esse gene e desenvolver a doença.
O portador com esta mutação pode não apresentar sintomas durante muitos anos, mas acaba, eventualmente, por desenvolver a doença de Huntington.2, 3 e 5
Sintomas
Geralmente, os sintomas da doença de Huntington surgem em adultos entre os 30 e os 50 anos, mas podem ocorrer em qualquer idade. Em jovens, embora seja raro, esta doença neurodegenerativa manifesta-se e progride de forma ligeiramente diferente.
Os distúrbios de movimento e as condições cognitivas e de saúde mental podem provocar um amplo espectro de sintomas, sendo que a sua gravidade pode variar ao longo do curso da doença.2, 3 e 5
Distúrbios de movimento
Os movimentos incontroláveis, ou coreia, afetam todos os músculos do corpo, especificamente braços e pernas, rosto e língua.
Os sintomas podem incluir:3
- Rigidez ou contratura muscular;
- Dificuldade em falar ou em engolir, o que pode resultar em perda de peso;
- Movimentos oculares lentos ou incomuns;
- Movimentos involuntários de contração ou contorção;
- Dificuldade em caminhar ou manter a postura e o equilíbrio.
Além disso, pessoas com coreia de Huntington podem não conseguir controlar movimentos voluntários, o que pode ter um impacto maior do que os movimentos involuntários causados pela doença.
Estes sintomas podem dificultar o trabalho, a comunicação, a realização de atividades diárias e, em última análise, prejudicar a autonomia.
Alterações cognitivas
As habilidades cognitivas também podem ficar comprometidas com a doença de Huntington, resultando em sintomas como:3
- Lentidão para processar pensamentos;
- Dificuldade na aprendizagem de informações novas;
- Dificuldade em organizar ou concentrar-se em tarefas;
- Falta de consciência dos próprios comportamentos e habilidades;
- Ausência de controlo dos impulsos que pode resultar em explosões, agir sem pensar e promiscuidade sexual;
- Inflexibilidade ou fixação a um pensamento, comportamento ou ação.
Saúde mental
A depressão é a condição de saúde mental mais comum associada à doença de Huntington.
Este problema não surge apenas como uma reação ao diagnóstico, podendo ocorrer devido aos danos da doença no cérebro e às alterações na função cerebral.
Quando a doença de Huntington afeta a saúde mental do paciente, os sintomas podem incluir:3
- Isolamento social;
- Dificuldade em dormir;
- Fadiga e perda de energia;
- Apatia, tristeza ou irritabilidade;
- Pensamentos suicidas ou de morte.
Há outras condições comuns de saúde mental relacionadas com esta doença neurodegenerativa, nomeadamente mania, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo.
Diagnóstico
Pode ser difícil identificar esta doença no seu estádio inicial, uma vez que os sintomas são impercetíveis.
Por isso, quando existe uma suspeita desta condição, o diagnóstico é efetuado com base nos sintomas e no histórico familiar.
Outra possibilidade é o aconselhamento genético. O teste genético pode confirmar se a mutação da proteína huntingtina é a causa dos sintomas em pessoas com suspeita de doença de Huntington, bem como detetar o gene alterado em pessoas de risco que ainda não apresentam sintomas.1, 6 e 7
A importância do aconselhamento genético
Os especialistas recomendam fortemente o aconselhamento genético profissional antes e depois do teste genético de diagnóstico para a coreia de Huntington.
Saber mais sobre o gene pode ajudar a fazer planos familiares e a tomar decisões financeiras.
No entanto, nem todas as pessoas reagem bem quando sabem que poderão desenvolver uma doença. Como tal, é essencial discutir a possibilidade de fazer o teste através do aconselhamento genético para verificar se descobrir precocemente é a melhor decisão a tomar.
Na Unilabs, pode contar com a especialidade de Genética Médica, que permite o diagnóstico preciso desta e de outras patologias.2 e 6
Tratamento
A doença de Huntington não tem cura e não há tratamentos que impeçam o agravamento dos sintomas.
O objetivo do tratamento é ajudar a gerir os sintomas do paciente, para que este possa permanecer confortável e autónomo o máximo de tempo possível.
Os tratamentos disponíveis para esse propósito podem incluir:5 e 6
- Antidepressivos;
- Fisioterapia;
- Terapia da fala;
- Terapia ocupacional;
- Terapia cognitivo-comportamental;
- Medicamentos para ajudar com coreia, alterações de humor e comportamento.
Efeitos secundários
Cada tipo de tratamento para a doença de Huntington apresenta possíveis efeitos colaterais.
Por exemplo, a fisioterapia pode causar dor muscular e os medicamentos para tratar a coreia podem causar fadiga, pressão arterial baixa ou diminuição da concentração.2 e 4
Prognóstico
A condição por si só não é fatal, mas as atividades diárias tornam-se mais difíceis de realizar à medida que a doença progride. Ou seja:2
- Estádio inicial: os sintomas são leves. A pessoa pode sentir-se irritada e deparar-se com pensamentos complexos. A coreia pode ser visível, mas, normalmente, a pessoa consegue continuar as suas atividades diárias.
- Estádio intermédio: as mudanças físicas e mentais dificultam o trabalho, conduzir e executar tarefas domésticas. A dificuldade em engolir compromete a fala e as refeições, mas não as impossibilita. O equilíbrio pode estar em risco, aumentando a possibilidade de quedas. Contudo, a pessoa ainda pode cuidar de si própria, como vestir-se e tomar banho.
- Estádio final: torna-se difícil realizar as tarefas diárias e a maioria das pessoas não consegue sair da cama sem ajuda. Durante esta fase, são necessários cuidados 24 horas por dia, especialmente para comer, tomar banho e monitorizar a saúde e bem-estar do paciente. Neste estádio, o doente pode ficar confinado a uma cama e ser incapaz de falar. No entanto, entende a linguagem e tem consciência da presença de familiares e amigos.
Esta doença não evolui da mesma maneira em todas as pessoas. Entre o surgimento dos primeiros sintomas e a morte, costumam decorrer entre 10 e 30 anos. Em pessoas jovens, geralmente a morte pode ocorrer dentro de 10 a 15 anos após o aparecimento dos sintomas.
Complicações
As complicações podem incluir o agravamento dos sintomas, tais como:2 e 3
- Demência (perda da função cerebral, memória e alterações de personalidade);
- Lesões físicas por movimentos involuntários ou quedas;
- Dificuldade em engolir, comer ou beber, resultando em desnutrição;
- Incapacidade de caminhar sem ajuda;
- Pneumonia ou outras infeções.
Fontes:
-
Manual MSD (2025). Doença de Huntington. Disponível aqui.
-
Cleveland Clinic (2023). Huntington's Disease. Disponível aqui.
-
Mayo Clinic (2024). Huntington's disease - Symptoms & causes. Disponível aqui.
-
NINDS. Huntington's Disease. Disponível aqui.
-
NHS (2025). Huntington's disease. Disponível aqui.
-
Alzheimer's Association. Huntington's Disease. Disponível aqui.
-
Huntington's Disease Society of America. Datos Rápidos sobre la EH. Disponível aqui.



