Fratura exposta: em que consiste e quais as consequências
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Uma fratura exposta é um tipo de lesão que carece de avaliação e tratamento médico urgentes, uma vez que pode originar uma infeção grave.
De um modo geral, podemos definir a expressão fratura exposta, como uma fratura que “comunica” com o meio externo.
Para avaliar o estado de uma fratura, é necessário ter em conta aspetos como: a fratura em causa, o dano provocado nas partes moles, o comprometimento neurovascular e o potencial de contaminação.
Fique a saber mais sobre este tipo de lesão. 1
FRATURA EXPOSTA: TUDO O QUE PRECISA DE SABER
Geralmente, uma fratura exposta tem origem naquilo que pode ser designado como um trauma de alta energia e pode ter como consequência lesões que coloquem em risco a vida do paciente. Por essa razão, é fundamental garantir uma assistência rápida e adequada aos doentes com uma fratura exposta. 1
Numa fratura exposta, o osso partido rompe os músculos e a pele. Logo, a ferida fica exposta ao meio externo ou a cavidades contaminadas, favorecendo o desenvolvimento de infeções e de outras complicações.
As fraturas expostas mais frequentes envolvem os dedos, a tíbia e o perónio.
Causas
Como referido, normalmente, a fratura exposta é causada por um trauma de alta energia. Algumas situações que podem conduzir a uma fratura exposta são:
- Um tiro;
- Um acidente de automóvel;
- Uma queda;
- Uma lesão desportiva.
Sinais e sintomas
Existem determinados sinais e sintomas que são comuns à maior parte das fraturas, nomeadamente à fratura exposta. Algumas das manifestações mais características são: 2
- Dor, sobretudo ao mover a zona fraturada;
- Dificuldade ou incapacidade de mover a zona fraturada;
- Deformação;
- Crepitação, que se ouve e sente, ao mover a zona fraturada;
- Edemas, equimoses ou hematomas;
- Exposição dos topos ósseos.
Diagnóstico
Para perceber as caraterísticas exatas da fratura exposta que tem perante si, o médico precisa de radiografias, de forma a avaliar a extensão da lesão, a orientação das fraturas e a localização dos fragmentos ósseos, bem como avaliar o estado das articulações na vizinhança da fratura.
Em alguns casos, pode ainda ser recomendada a realização de uma tomografia computadorizada (TC ou TAC) que permite uma avaliação mais detalhada da lesão, nomeadamente nas fraturas que envolvem articulações. 3
Tratamento
A primeira etapa passa pela estabilização do doente, removendo a contaminação da fratura, fazendo um curativo estéril e imobilizando a fratura.
Pode ainda ser essencial limpar e lavar abundantemente a fratura, para remoção de todo o tecido desvitalizado, e administrar ao paciente antibióticos para profilaxia de infeções. Em alguns casos, pode ser aconselhável imunizar o paciente contra o tétano.
Posteriormente, pode ser necessária a intervenção de cirurgiões ortopédicos e plásticos, para fixação das fraturas e reconstrução definitiva em função das lesões apresentadas.
Normalmente, é preciso proceder a uma fixação interna, na qual o médico coloca implantes de metal (placas, hastes ou parafusos) na superfície ou dentro do osso fraturado. Estes implantes servem para manter a posição do osso e para unir os fragmentos, enquanto o paciente recupera.
Em situações mais graves, se a infeção não for controlada, pode ser necessário recorrer à amputação. 1
Evolução e complicações
As complicações mais frequentes são a infeção, a não cicatrização e a não união da fratura.
Mesmo alguns meses após ter sofrido uma fratura exposta, é normal ainda sentir rigidez, desconforto e fraqueza na zona afetada. Indivíduos com diabetes ou doença vascular periférica podem demorar ainda mais tempo a melhorar. A recuperação é geralmente longa e pode persistir algum grau de incapacidade funcional.
Para uma recuperação mais bem sucedida, a fisioterapia assume um papel crucial, no sentido de restaurar a força muscular, o movimento articular e a flexibilidade.
O QUE FAZER PERANTE UMA FRATURA EXPOSTA?
Antes de chegar a assistência médica, é importante adotar algumas medidas, se estiver com alguém com uma fratura exposta. Eis alguns dos cuidados a ter:
- Contactar o número de emergência médica (112);
- Não mexer na fratura e garantir que o paciente permanece imóvel;
- Estancar a hemorragia, fazendo uma ligeira pressão à volta da ferida, evitando aperto ou compressão;
- Limpar a lesão com água ou soro fisiológico;
- Tapar a fratura com uma gaze ou um pano estéril, fixando o curativo com uma faixa.
Fontes:
1Werner Berg et. al. (2018). Fraturas expostas: classificação e manejo.
Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/882666/fraturas-expostas-classificacao-e-manejo.pdf
2INEM. (2012). Emergências Trauma. Manual TAS.
Disponível em: https://www.inem.pt/wp-content/uploads/2017/06/Emerg%C3%AAncias-Trauma.pdf
3Pedro Nogueira Giglio et. al. (2015). Advances in treating exposed fractures.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4519576/



