Glicose no sangue: quais são os valores de referência?
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Os valores de referência da glicose no sangue variam mediante as condições médicas existentes, como a diabetes. Entenda como interpretá-los.
O que é a glicose? É importante sabermos do que se trata, antes de percebermos quais os valores de referência da mesma.
A glicose (açúcar) provém dos hidratos de carbono presentes nos alimentos e nas bebidas que consumimos. É a principal fonte de energia do corpo humano, uma vez que o sangue a transporta para todas as células do organismo, utilizando-a como fonte energética.
Existem vários processos corporais que ajudam a manter os valores de glicose no sangue estáveis. A insulina, uma hormona produzida pelo pâncreas, contribui de uma maneira significativa para regular os níveis de açúcar no nosso organismo.
Quando isto não acontece naturalmente, existindo uma elevada quantidade de glicose (ou açúcar) no sangue, pode surgir a diabetes. Por exemplo, se tiver glicose alta (hiperglicemia), geralmente isto indica a presença de diabetes, visto que esta doença se desenvolve quando o pâncreas não produz ou produz insulina insuficiente, ou quando o corpo não responde adequadamente aos seus efeitos.1
Glicose: quais os valores de referência?
Os valores da glicemia são apresentados em miligramas (mg) por decilitro (dl) de sangue e discriminam várias categorias, como a glicose alta ou o nível de glicose para diabetes. Os valores de referência para cada uma são: 2
- Glicose normal em jejum: os valores normais esperados situam-se entre os 70 mg/dl e 100 mg/dl (indica um resultado saudável);
- Glicose anormal em jejum: quando a glicemia em jejum está entre 100 mg/dl e 125 mg/dl, é aconselhável alterar o estilo de vida e monitorizar a glicemia;
- Glicose elevada em jejum: se a glicemia em jejum for igual ou superior a 126 mg/dl em dois testes separados, a diabetes é diagnosticada;
- Hiperglicemia: uma pessoa que tenha um aumento da concentração de glicose no sangue (hiperglicemia) tem um indicador de um maior risco de diabetes;
- Hipoglicemia: uma pessoa que tenha uma baixa concentração de glicose no sangue (hipoglicemia) apresenta valores abaixo de 70 mg/dl.
É preciso ter em conta alguns fatores predominantes que têm impacto na subida ou na descida destes valores de referência, como o stress, alterações hormonais, ou determinados medicamentos.
Glicose alta na gravidez: como diagnosticar?
Durante a gestação, a placenta pode produzir hormonas que bloqueiam o funcionamento da insulina. A esta patologia dá-se o nome de diabetes gestacional.
É importante que, nas mulheres grávidas, os valores da concentração de glicose no sangue em jejum se situem abaixo dos 95 mg/dl. Como os casos de diabetes gestacional têm aumentado um pouco por todo o mundo, é normalmente indicado às futuras mães a realização de um teste de tolerância à glicose. 3
Após a dose específica de açúcar (muito elevada) administrada na prova de tolerância à glicose oral, uma hora depois, os valores devem estar nos 140 mg/dl e, passadas duas horas, descer para os 120 mg/dl.
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De que modo o corpo processa a glicose?
Os picos de açúcar no sangue sucedem mesmo em pessoas que não têm diabetes. Tal acontece especialmente após comerem e quando consomem alimentos com elevadas quantidades de açúcar ou um carboidrato complexo, como massa integral ou batata-doce.
Ou seja, apesar de a glicose média estimada numa pessoa saudável se situar entre os 70 mg/dl e 100 mg/dl (em jejum), não há uma fórmula infalível para evitar os picos repentinos de glicose alta.
Ainda que o corpo comece imediatamente a trabalhar para contrabalançar o aumento do nível de glicose, produzindo mais insulina, os açúcares presentes no sangue podem aumentar por um breve período, indo além dos intervalos considerados normais.
O mesmo pode acontecer com exercícios intensos ou em situações de alto stress, se a metabolização natural da glicose da pessoa não conseguir equilibrar tudo rapidamente.3
Quando e como testar os valores da glicose?
Há três razões principais pelas quais pode precisar de fazer um teste de glicose:1
- O profissional de saúde pode ter pedido exames de sangue de rotina, que incluem um teste sanguíneo de glicose;
- Experienciar sintomas de um nível alto ou baixo de açúcar no sangue, o que pode indicar diabetes ou outra doença;
- Se tomar medicação, a curto ou a longo prazo, que impacte os níveis de glicose no sangue, pode precisar de análises sanguíneas de rotina à glicemia para monitorizar os seus níveis.
O teste de glicose ao sangue ajuda a identificar a presença de diabetes, medindo os níveis de açúcar no sangue. Existem dois tipos principais de rastreio:1
- Teste de glicemia capilar: é feita uma colheita de uma gota de sangue, geralmente de uma picada na ponta do dedo. Estes testes envolvem uma tira e um medidor de glicose (glicosímetro), que mostram o nível de açúcar no sangue em segundos;
- Teste de glicemia no sangue venoso: é recolhida uma amostra de sangue de uma veia (punção venosa). Estas amostras são depois enviadas para análise laboratorial.
Também existem testes que podem ser realizados em casa (glicemia capilar), recorrendo a um medidor de glicose (glicosímetro), particularmente usado por pessoas diabéticas.
Quem tem diabetes tipo 1, em especial, precisa de estar atento ao seu nível de açúcar no sangue várias vezes ao dia, para controlar esta doença. Os dispositivos de monitorização contínua da glicose também podem ajudar.
Por que é tão importante fazer análises clínicas à glicose?
A gestão da glicemia (valor de concentração de glicose no sangue) é uma parte essencial para o controlo da diabetes, pois não existe um número estanque para os níveis considerados normais. Embora existam diretrizes clínicas sobre em que ponto deve estar a sua glicose, é importante lembrar que cada caso é um caso.
As análises clínicas são essenciais para vigiar a saúde e detetar precocemente possíveis problemas. Estas dão informações detalhadas sobre o funcionamento do organismo, permitindo a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de diversas doenças. A realização deste tipo de exames regularmente, sob orientação médica, é crucial para manter a saúde em dia e garantir uma melhor qualidade de vida.
A glicose alta ou muito baixa pode provocar problemas graves?
Após a realização das análises clínicas, o profissional de saúde também pode indicar-lhe uma prova de tolerância à glicose, caso tenha apresentado indícios de açúcar alto no sangue (hiperglicemia) ou baixo nível de açúcar no sangue (hipoglicemia).
Há que ter em conta que, no caso da hiperglicemia, esta afeta principalmente pessoas com diabetes e pode ser grave se não for tratada.1 e 4
Hiperglicemia: quando a glicose está alta
Por norma, os sintomas dos níveis elevados de açúcar no sangue surgem gradualmente e só começam a manifestar-se quando o nível de açúcar atinge um pico. Os sintomas dependem se o paciente está nas fases iniciais ou posteriores de hiperglicemia:4 e 5
- Sintomas iniciais: sensação de muita sede, urinar com mais frequência, dores de cabeça e visão turva;
- Sintomas a longo prazo: sensação de fraqueza ou cansaço, perda de peso, infeções fúngicas na pele ou vaginais e problemas na cicatrização de feridas ou cortes.
Quando se tem diabetes, há certas situações que podem fazer com que o nível de açúcar no sangue aumente, nomeadamente: 4 e 5
- Estar doente;
- Estar sob stress excessivo;
- Comer em excesso alimentos com açúcar, amido ou carboidratos;
- Ser menos ativo do que o normal;
- Doses de insulina em falta;
- Tomar medicamentos;
- Recuperar de uma cirurgia;
- A medicação para regular a diabetes não está a ser cumprida ou não está a fazer efeito.
Geralmente, se a glicose estiver alta durante um curto período, não é um problema grave. Contudo, o mau controlo da glicemia, com valores continuamente elevados, pode levar a lesões permanentes nas extremidades (dedos dos pés e mãos), por alteração da circulação e da sensibilidade, provocar danos cerebrais ou cardíacos e afetar órgãos, como os olhos ou os rins.
Procedimentos e alimentos para baixar a glicose
Se tem diabetes, é importante tentar impedir que o nível de açúcar no sangue fique demasiado alto, sendo recomendado que:4
- Tome a medicação prescrita pelo médico;
- Tente gerir o stress;
- Faça exercício regularmente;
- Perca peso (se tiver excesso de peso);
- Siga os conselhos do médico sobre o que fazer quando estiver doente;
- Não altere as doses de medicação para a diabetes (a menos que seja aconselhado pelo profissional de saúde);
- Evite comer alimentos açucarados. Os frutos podem ajudar a baixar a glicose, por serem ricos em fibras. Introduzir na dieta alimentar frutos, como peras, maçãs ou tangerinas, pode ajudar a diminuir a velocidade com que a frutose (açúcar natural da fruta) é absorvida pelo organismo devido às fibras que contêm, ajudando a equilibrar os valores da glicose.
Glicose baixa: quais os sintomas?
Os sintomas da hipoglicemia podem manifestar-se das seguintes formas:1
- Tremores;
- Suores e arrepios;
- Tonturas ou atordoamento;
- Frequência cardíaca elevada ou baixa (hipotensão);
- Fome intensa;
- Depressão do estado de consciência, desmaios ou coma.
Para tratar a hipoglicemia, é aconselhável que consuma carboidratos (açúcares) para os níveis de glicose aumentarem. Este problema, caso os valores da glicose estejam baixíssimos, pode colocar a vida da pessoa em risco.
Como gerir os níveis de glicose no sangue?
Ter níveis elevados ou baixos de açúcar no sangue não indica necessariamente a presença de uma condição médica que exija tratamento.
Cerca de 1 em cada 20 pessoas saudáveis pode apresentar resultados fora dos níveis médios estimados. Nestes casos, cabe ao profissional de saúde decidir se é necessário realizar mais testes, ou exames, para determinar a causa dos valores anormais.1
Fontes
-
Cleveland Clinic. Blood Glucose (Sugar) Test (2022). Disponível aqui.
-
World Health Organization. Mean fasting blood glucose. Disponível aqui.
-
Healthline. Helping You Understand ‘Normal’ Blood Sugar Levels (2022). Disponível aqui.
-
NHS. High blood sugar (hyperglycaemia) (2022). Disponível aqui.
-
WebMD. How Sugar Affects Diabetes (2024). Disponível aqui.



