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Saúde

Hipertiroidismo: o que é, como diagnosticar e tratar

28 dezembro 2020
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Os sintomas do hipertiroidismo podem ser confundidos com ansiedade ou cansaço pelo que deve conhecê-los e estar atento ao seu corpo para ajudar no diagnóstico.

O hipertiroidismo é uma doença que resulta da hiperatividade da glândula da tiroide, produzindo quantidades excessivas de hormonas tiroideias.
Esta condição tem maior prevalência no sexo feminino (2% nas mulheres e 0,2% nos homens) e em populações com carência de iodo, como é o caso da população portuguesa, que apresenta uma insuficiência “muito expressiva e generalizada ao longo do país e ilhas” 1.

 

Quais os sintomas mais comuns do hipertiroidismo?

 

A tiroide tem um papel fundamental no organismo porque produz duas hormonas fundamentais – a T3 (triiodotironina) e a T4 (tiroxina) .Estas hormonas trabalham ao nível de quase todas as células do organismo, sendo responsáveis por assegurar o normal funcionamento do cérebro, músculos, coração e outros órgãos.

 

Porque a tiroide regula o funcionamento de muitas funções biológicas, quando desregulada, os seus sintomas são vastos e intensos. Eis os sintomas mais comuns do hipertiroidismo 2:

 

  • Ansiedade;

  • Irritabilidade;

  • Diminuição da capacidade de concentração;

  • Insónia;

  • Tremores;

  • Palpitações;

  • Sudação;

  • Intolerância ao calor;

  • Olhar fixo, retração palpebral;

  • Fotofobia;

  • Dispneia de esforço;

  • Diarreia;

  • Infertilidade;

  • Alterações menstruais;

  • Cansaço (particularmente muscular – braços, coxas, dificuldade em levantar objetos ou a subir escadas);

  • Emagrecimento (por vezes, muito acentuado, mas com aumento de apetite).

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4 causas para o hipertiroidismo que deve conhecer

 

 

1. Doença de Graves

 

A causa mais frequente de hipertiroidismo, afetando cerca de 70% a 80% dos pacientes, é uma doença autoimune conhecida como bócio tóxico difuso ou Doença de Graves.

 

Não se sabe ao certo a razão pela qual o sistema imunitário inicia uma produção de anticorpos que estimulam a tiroide, levando à libertação de uma quantidade elevada de hormonas tiroideias para a circulação.

 

A Doença de Graves pode atingir ambos os sexos, mas é mais frequente nas mulheres entre os 20 e os 40 anos.

 

2. Nódulos na tiroide

 

A existência de um ou vários nódulos da tiroide que se tornam hiperativos (autónomos), são a segunda causa mais importante de hipertiroidismo.

 

Estes nódulos, produtores de hormonas tiroideias em excesso, são conhecidos como nódulos quentes. Se for só um, é denominado nódulo tóxico, se forem vários trata-se de bócio multinodular tóxico.

 

Será necessário avaliar o risco de cancro, contudo, quase todos os nódulos da tiroide são benignos, não precisam de tratamento cirúrgico e podem ser mantidos sob vigilância médica.

 

Nos casos de cancro da tiroide, a taxa de cura é elevada, mas o diagnóstico precoce é fundamental.

 

3. Tiroidites linfocíticas

 

Também conhecida como Tiroidite de Hashimoto, é uma doença autoimune, e o tipo mais frequente de doença associada à tiroide. Nestes casos, há uma reação autoimune que resulta no ataque dos anticorpos à glândula tiroide.

 

A glândula aumenta, sem dor, mas pode ter ao toque, uma textura irregular e dura. A tiroidite subaguda ou granulomatosa tem origem virusal e provoca um bócio doloroso.

 

Como resultado desta inflamação, há um excesso de hormonas tiroideias, levando a um hipertiroidismo, por vezes seguido de hipotiroidismo transitório 3.

 

4. Ingestão excessiva de hormona tiroideia

 

Apesar de menos frequente, pode ocorrer um estado de hipertiroidismo por tratamento incorreto ou de modo voluntário 1. É importante que, diariamente, tenha atenção aos seus sintomas e, no caso de detetar alguma irregularidade, deve contactar o seu médico de clínica geral ou endocrinologista tão breve quanto possível.

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As características do doente com hipertiroidismo 

 

Nos doentes com hipertiroidismo são, geralmente, observados os seguintes sinais:

 

  • A tiroide pode aumentar de volume de modo marcado (bócio);

  • Alterações oculares, conhecidas como oftalmopatia, que, muitas vezes, é visível devido à protusão dos globos oculares (pode ser unilateral) provocando alteração estética que incomoda o doente;

  • Pode haver lacrimejo, irritação local, conjuntivite e alterações da visão 1.

 

 

Como é feito o diagnóstico do hipertiroidismo? 

 

Perante uma suspeita clínica de hipertiroidismo, o diagnóstico deverá ser apoiado por análises clínicas.

 

É necessário determinar os valores das hormonas tiroideias (T3 livre e T4 livre) em circulação que, nestes casos, estão habitualmente elevadas e se a TSH se encontra diminuída. Esta pode ser a única alteração analítica num hipertiroidismo inicial.

 

Outros exames poderão ser necessários como análises mais específicas ou técnicas de imagem como a ecografia ou a cintigrafia da tiroide.
Na avaliação do hipertireoidismo, não há indicação para realizar a ultrassonografia da tiroide, sendo este exame reservado para os casos de nódulo tireoidiano palpável 2.

 

 

Tratamento do hipertiroidismo

 

A melhor opção terapêutica, que deve ser discutida com um endocrinologista, deverá ter em consideração vários fatores como o tipo de hipertiroidismo, a sua gravidade, a idade ou história de alergias do doente. Eis alguns dos tratamentos do hipertirodismo:

 

Antitiroideus

 

Os antitiroideus diminuem a quantidade de hormonas tiroideias em circulação, nomeadamente, o metimazol e o propiltiouracilo. Raramente têm efeitos indesejáveis, mas devem ser utilizados com precaução e com apoio especializado. As doses a utilizar são muito variáveis dependendo de cada caso clínico.

 

β-bloqueadores

 

Os β-bloqueadores são fármacos úteis assim que é feito o diagnóstico porque, apesar de não reduzirem a produção de hormonas tiroideias, melhoram alguns dos sintomas do hipertiroidismo. Deverão ser suspensos quando a doença está controlada.

 

Iodo radioativo

 

O iodo radioativo permite lesar as células da tiróide levando à diminuição da capacidade de produzir hormonas tiroideias, conseguindo-se uma normalização da quantidade de hormonas tiroideias em circulação.

 

É administrado por via oral, entra em circulação e é captado pela tiróide que se encontra hiperativa. Nas semanas seguintes, o iodo com radioatividade vai danificando as celulas da tiróide lentamente. Pode ser preciso manter tratamento com medicamentos e vigilância do seu médico.

 

Em alguns casos, há necessidade de repetir mais tarde este tratamento. Os doentes devem ser monitorizados em intervalos de 1 a 3 meses, dependendo da gravidade. O controle da doença é atingido após 6 a 12 semanas da medicação.

 

Se alguns dos sintomas que referimos acima são frequentes no seu dia a dia, pare um pouco, reflita sobre o que tem sentido, em que momentos surgem estes sintomas e com que frequência. Cuide da sua saúde, marque uma consulta com o seu médico de clínica geral para uma avaliação.

Fontes:

 

  1. Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo – grupo de estudo da tiroide. Disponível aqui. 

  2. Livro “Iodo – Importância para a Saúde e o Papel da Alimentação”, da Direcção-Geral da Saúde. Disponível aqui. 

  3. Associação das Doenças da Tiroide. Disponível aqui. 

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