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Saúde

HPV: os sintomas e a importância do diagnóstico precoce

30 dezembro 2024
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O diagnóstico precoce do vírus do papiloma humano é muito importante para evitar problemas de saúde, nomeadamente cancro. Saiba como detetar o HPV.

O vírus do papiloma humano, conhecido por HPV, é uma infeção sexualmente transmissível (IST) comum.

Existem mais de 200 tipos deste vírus, incluindo serotipos que causam verrugas nas mãos, pés e rosto. Cerca de 40 dessas estirpes podem afetar os órgãos genitais, incluindo vulva, vagina, colo do útero, pénis e escroto, reto e ânus.

Segundo dados do HPV Centre de França, o cancro do colo do útero é o oitavo cancro mais frequente entre mulheres em Portugal e o terceiro mais comum entre mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 44 anos.

A mesma entidade estima que cerca de 5,6% das mulheres na população em geral sejam portadoras de infeção HPV do tipo 16/18 (subtipos de alto risco para cancro) num determinado momento das suas vidas.

No sexo feminino, a maior prevalência do HPV no colo do útero é de 24% na África Subsariana, 16% na América Latina e Caraíbas, 14% na Europa Oriental e 14% no Sudeste Asiático.

Já a prevalência no sexo masculino é variável, aumentando o risco quando existem relações sexuais com pessoas do mesmo sexo.1, 2 e 3

Causas

O vírus que causa a infeção é transmitido pelo contacto com a pele ou mucosas.

A maioria das pessoas contrai uma infeção genital pelo HPV através do contacto sexual direto, incluindo sexo vaginal, anal e oral.

Como o vírus do papiloma humano é uma infeção de contacto com a pele, não é necessário relação sexual para ocorrer a transmissão. Além disso, há vários fatores que podem aumentar o risco desta infeção:4

  • Sistema imunitário comprometido;
  • Vários parceiros sexuais;
  • Novo parceiro sexual;
  • Relações sexuais vaginais, orais ou anais desprotegidas.

Tipos de vírus do papiloma humano

Existem vários tipos deste vírus, sendo os mesmos divididos entre alto e baixo risco, consoante as doenças que provocam.

Os diferentes tipos são identificados por números e agrupados com base na infeção de células cutâneas (pele) ou células mucosas (anogenitais, mucosa oral).

Geralmente, os tipos transmitidos sexualmente encaixam-se em duas categorias:5 e 6

  • Baixo risco: incluem-se os tipos 6 e 11, responsáveis pela maioria das doenças benignas causadas pelo HPV, como as verrugas genitais ou os condilomas;
  • Alto risco: os tipos 16 e 18 são os mais frequentes, sendo responsáveis por 70% das lesões mais graves, como cancro.

Sintomas

Muitas vezes, esta infeção não causa sintomas ou problemas de saúde percetíveis.

Os tipos do vírus que causam verrugas diferem dos tipos que causam cancro. Ou seja, ter verrugas genitais causadas por esta infeção não significa que uma pessoa poderá desenvolver cancro.

A maioria dos homens não apresenta sintomas de HPV, embora alguns possam desenvolver verrugas genitais ou condilomas anais.

À semelhança dos homens, também a maioria das mulheres não apresenta sintomas, sendo que a infeção pode desaparecer em 12 meses sem causar problemas de saúde.

Em alguns casos, os sintomas de HPV no sexo feminino surgem na forma de verrugas genitais, que podem causar prurido e desconforto. Estas podem aparecer:2 e 4

  • Na vulva ou introito vaginal;
  • Na região perianal. 

Complicações

A complicação mais séria do HPV é o cancro, sendo o tipo mais comum o cancro do colo do útero.

Outros tipos de cancro, mais raros, incluem:2

  • Cancro do canal anal;
  • Cancro da orofarínge;
  • Cancro do pénis;
  • Cancro vaginal;
  • Cancro vulvar.

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Como detetar o HPV?

O diagnóstico do HPV inclui vários exames médicos realizados pela especialidade de Anatomia Patológica. São eles:2, 5 e 6

  • Teste de Papanicolau: esta citologia ajuda a rastrear células pré-cancerígenas e o cancro do colo do útero;
  • Teste de HPV: este exame pode detetar os serotipos de alto risco do vírus que podem causar o cancro do colo do útero se não forem tratados;
  • Teste de hipermetilação: este exame analisa em simultâneo seis genes cujo estado de metilação foi associado ao cancro do colo do útero.

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Perguntas mais frequentes

Esclarecemos, a seguir, as dúvidas mais frequentes sobre a infeção do vírus do papiloma humano.

Existe tratamento para esta infeção?

Não há tratamento para eliminar o HPV. No entanto, existem tratamentos para as lesões provocadas pelo vírus. Mediante orientação médica, podem incluir:1 e 5

  • Medicamentos de aplicação local;
  • Eletrocirurgia laser;
  • Crioterapia;
  • Excisão cirúrgica.

Além disso, existem tratamentos para as lesões pré-malignas e malignas do colo do útero. Estes tratamentos devem começar logo após o diagnóstico, sendo mais eficazes se a deteção for precoce.

O organismo consegue eliminar o vírus por si só?

O sistema imunitário da maior parte das pessoas consegue eliminar o vírus do papiloma humano do organismo.

A maioria das infeções, aproximadamente 90%, são eliminadas em um ou dois anos.2

O vírus do papiloma humano é contagioso para o resto da vida?

A transmissão ocorre enquanto a pessoa for portadora do vírus, independentemente de ter ou não sintomas.

Mesmo que as verrugas genitais desapareçam, uma pessoa ainda pode transmitir o HPV que as causou, se o vírus ainda estiver presente no organismo.2

Quando devem ser administradas as vacinas contra o HPV?

As vacinas contra o vírus do papiloma humano devem ser administradas às jovens aos 10 anos, em duas doses.

Desde 2020, os jovens nascidos a partir de 2009 podem tomar a vacina, também aos 10 anos.

Esta vacina é gratuita, uma vez que faz parte do Programa Nacional de Vacinação.

As pessoas com sistema imunitário comprometido devem receber duas ou três doses.

Para adultos com mais de 26 anos, não está indicada a vacinação por rotina. A decisão de vacinar a partir desta idade deve ser tomada de forma individual, uma vez que o risco de exposição prévia aos subtipos de HPV abrangidos pela vacina aumenta com a idade.

A vacinação fornece uma proteção quase total contra infeções e lesões pré-malignas causados pelos tipos de HPV que causam 90% dos cancros deste vírus, bem como 90% das lesões genitais.

Para adolescentes e adultos com idades entre 13 e 26 anos que não foram previamente vacinados ou que não completaram o esquema vacinal, é recomendada a vacinação. Esta não faz parte do Programa Nacional de Vacinação.1, 5 e 7

Como evitar ou prevenir o contágio?

Além da vacinação, a prevenção do HPV também passa por:2 e 6

  • Fazer exames regulares: a deteção precoce do vírus e de células anómalas pode prevenir o cancro do colo do útero;
  • Praticar relações sexuais seguras: usar preservativo de forma correta pode reduzir o risco desta IST;
  • Falar com o parceiro sexual: se for diagnosticada a infeção, é essencial dialogar com o parceiro, para que o mesmo também possa fazer o teste. Em caso de tratamento, deve-se evitar as relações sexuais.

Fontes: 

  1. World Health Organization (2024). Human papillomavirus and cancer. Disponível aqui.

  2. Cleveland Clinic (2024). HPV (Human Papillomavirus). Disponível aqui.

  3. HPV Centre. HPV Information Centre. Disponível aqui.

  4. Healthline (2024). Everything you Need to Know About Human Papillomavirus Infection. Disponível aqui.

  5. SNS 24 (2023). Vírus do papiloma humano (HPV). Disponível aqui.

  6. American Cancer Society. HPV (Human Papillomavirus). Disponível aqui.

  7. NIH (2014). Human papillomavirus vaccination: recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). Disponível aqui.

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