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Saúde

Microbioma: quão importantes são os microrganismos para a saúde?

26 dezembro 2023
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O microbioma é o conjunto de todos os micróbios que vivem naturalmente no nosso corpo. Saiba que microrganismos são estes e que papel desempenham.

Muitas pessoas podem desconhecer a palavra microbioma, mas, se falarmos em micróbios, talvez este termo não soe assim tão estranho. 

No nosso corpo, existem vários tipos de micróbios e à soma desses microrganismos dá-se o nome de microbioma. 

Nem todos os micróbios são prejudiciais para a saúde. Aliás, alguns são mesmo essenciais para o bem-estar e para o bom funcionamento do nosso organismo.

Garantir que o microbioma está estável e equilibrado não depende exclusivamente de nós, embora possamos adotar alguns cuidados que permitam manter esse equilíbrio. Um deles está relacionado com a alimentação. Fique a entender por quê.

O que é o microbioma?

Microbioma é a designação atribuída aos triliões de microrganismos (microbiota/micróbios) de tipos distintos (bactérias, fungos, parasitas, vírus) que circulam no nosso organismo, sendo visíveis apenas no microscópio. 1

Estes microrganismos concentram-se, principalmente, nos intestinos delgado e grosso, assumindo funções bastante relevantes para o bom funcionamento do organismo e do sistema imunitário.

Cada indivíduo possui um microbioma único, influenciado pelo seu ADN, sendo exposto pela primeira vez a microrganismos ainda em criança, durante o parto e através do leite materno.

Mais tarde, fatores ambientais e a dieta alimentar podem alterar o microbioma, tornando-o benéfico para a saúde ou colocando a pessoa em maior risco de contrair doenças. 2

Então, os micróbios não são “maus”?

No microbioma, existem micróbios simbióticos, ou seja, benéficos tanto para o corpo, como para a microbiota. No entanto, também há microbioma patogénico, isto é, microrganismos que favorecem o desenvolvimento de doenças.

Basicamente, quando o organismo se encontra estável e equilibrado, o microbioma patogénico e simbiótico coexistem harmoniosamente. Porém, quando deixa de existir essa harmonia, estamos perante uma disbiose. Esta situação pode ter diferentes causas, entre as quais: 

  • Doenças infeciosas;
  • Dietas inadequadas;
  • Uso prolongado de antibióticos ou de outros medicamentos contra as bactérias.

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Qual a importância do microbioma para a saúde e para o organismo?

O sistema imunitário encontra-se em mutação, evoluindo e adaptando-se, de modo a conseguir conviver harmoniosamente com o microbioma e a sua composição.

Se, por um lado, o sistema imunitário tem como papel proteger o organismo das invasões microbianas; por outro, também protege os microrganismos não patogénicos de outros microrganismos e das próprias respostas defensivas do sistema imunitário. 

Por exemplo, entre as funções principais da mucosa intestinal está constituir uma barreira contra os microrganismos nocivos, de maneira a conservar e a proteger o microbioma, no lúmen intestinal. 3

Qual a função dos probióticos?

Os probióticos estão presentes na microbiota de certos alimentos, embora também possam ser ingeridos através de suplementos.

Apesar de a toma de suplementos probióticos não ser essencial para todos, há casos em que pode ser realmente aconselhável. Como explica Allan Walker, professor de nutrição da Escola de Saúde Pública Harvard Chan e da Escola Médica de Harvard, “há situações específicas em que os suplementos probióticos podem ser úteis.”

Estas situações devem ser determinadas por um médico, após avaliação do paciente, tendo em conta critérios como a idade, tipo de alimentação, condição clínica, entre outros fatores.

Os probióticos podem ser úteis para o corpo depois da toma de antibióticos, bem como após episódios de diarreia ou de períodos de stress. Nestes casos, o consumo de probióticos favorece a reposição das bactérias no intestino. 2

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Qual a relação entre a alimentação e o microbioma?

Além da genética, do ambiente e da toma regular ou não de medicamentos, também a alimentação influencia bastante o tipo de microbiota existente no cólon. 

Por exemplo, quem consome alimentos ricos em fibras terá uma quantidade de microbiota nos intestinos distinta de alguém que ingere poucas fibras. Isto porque a fibra alimentar só pode ser decomposta e fermentada por enzimas da microbiota presente no cólon. 

Além disso, a sua fermentação provoca a libertação dos ácidos gordos de cadeia curta, a qual reduz o pH do cólon, que, por sua vez, limita o crescimento de bactérias nocivas como a Clostridium difficile (a causa mais comum de colite). 

Portanto, é benéfico consumir alimentos ricos em ácidos gordos de cadeia curta, nomeadamente hidratos de carbonos e fibras indigeríveis.

Este tipo de fibras, também designadas prebióticos, beneficiam a microbiota individual. Por isso, é importante que se privilegiem alimentos desse género. Eis alguns exemplos: 2

  • Alho;
  • Cebola;
  • Alho-francês;
  • Espargos;
  • Alcachofras;
  • Algas marinhas;
  • Fruta;
  • Vegetais;
  • Leguminosas;
  • Grãos integrais (trigo, aveia e cevada).

Alguns destes produtos pode ter efeitos indesejados, como flatulência ou inchaço. Por isso, o seu consumo deve ser regrado. 

As pessoas que sofrem de problemas gastrointestinais, como a síndrome do intestino irritável, devem igualmente ter algumas precauções e avaliar como o organismo reage à ingestão deste tipo de alimentos. Assim, a sua introdução na dieta deve ser feita de modo gradual e progressivo, preferencialmente sob acompanhamento médico e nutricional especializado.

Em todo o caso, vale a pena incluir alimentos ricos em fibra na alimentação diária, uma vez que uma dieta pobre em fibras diminui a quantidade de microbiota benéfica, ao mesmo tempo que favorece o crescimento de bactérias patogénicas.

Para fortalecer o seu microbioma, pode também recorrer a alimentos fermentados, tais como: kefir, iogurtes, vegetais em conserva ou chucrute.2

Fontes

 

  1. Learn.Genetics. What are Microbes? Disponível aqui.

  2. Harvard. The Microbiome. Disponível aqui.

  3. Cardoso, Vanessa Marques. (2015). O Microbioma Humano. Disponível aqui.

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