O guia do pós-parto: cuidados essenciais e como vigiar a sua saúde
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Acabou de ser mãe? Então, conheça todos os cuidados que deve ter durante o período do pós-parto e como é importante manter a sua saúde vigiada.
O pós-parto é um período exigente para a mulher, cujo corpo se encontra a recuperar, ao mesmo tempo que como a mãe tem um bebé de quem tem de cuidar. Por isso, durante esta fase, há que tomar algumas precauções, nomeadamente: repousar, fazer uma alimentação saudável, ingerir muita água e procurar caminhar, aproveitando para sair de casa e passear um pouco.
Para isso, é essencial contar com a ajuda e o apoio de todas as pessoas à sua volta. Além disso, existem cuidados de saúde que não devem ser descurados. Fique a saber quais.
CUIDADOS A TER NO PÓS-PARTO
O período do pós-parto ou do puerpério conhece três fases que, no fundo, são caraterizadas por mudanças fisiológicas, físicas e emocionais, relacionadas com a readaptação do organismo a uma condição de não gravidez.
Assim, o pós-parto compreende o período que vai desde a expulsão da placenta até às seis a oito semanas após o parto, altura em que os órgãos reprodutores recuperam a sua condição normal, pré-gestação.
As três fases referidas são:
- Puerpério imediato: das duas primeiras horas de vida do bebé até ao seu 10º dia de vida;
- Puerpério tardio: do 11º ao 42º dia de vida do bebé;
- Puerpério remoto: do 43º dia do bebé em diante.
Ainda no internamento, nas primeiras seis a oito horas após o parto, é importante que a mulher se movimente logo que possível, já que isso contribui para:
- Reduzir o risco de episódios tromboembólicos;
- Melhorar o trânsito intestinal;
- Recuperar a forma física;
- Sentir um bem estar geral.
Contudo, convém ter em conta que o primeiro levantar deve ser feito com ajuda, pois é natural sentirem-se tonturas, havendo o risco de queda.
Conheça, agora, outras precauções que devem ser tomadas no período do pós-parto. 1
Bem estar psicológico
Nos primeiros dias do pós-parto, é normal que a mulher sinta fadiga, irritabilidade, privação de sono, diminuição da líbido, depressão e apetite, enquanto se vai adaptando às exigências do seu novo papel de mãe.
Os sentimentos contraditórios, como alegria e tristeza, também são comuns e passageiros, sendo importante nestes momentos contar com o apoio de todos os que estão à sua volta. Além disso, também ajuda:
- Ter o bebé por perto;
- Amamentar, sempre que o bebé deseje;
- Partilhar as suas emoções com os outros;
- Pedir apoio aos familiares e amigos.
Amamentação
Assim que o bebé nasce, a mama começa a produzir o chamado colostro que vai alimentar o bebé até cerca do terceiro dia do pós-parto, altura em que ocorre a designada “descida do leite”.
Nesta fase, é importante adotar medidas como:
- Lavar e secar bem as mamas e os mamilos;
- Usar um soutien de amamentação;
- Hidratar os mamilos com colostro/leite no final das mamadas, deixando a mama secar ao ar livre.
Involução uterina
O útero demora cerca de 10 dias a retornar à sua dimensão normal. Por isso, é natural que a mulher sinta contrações uterinas, sobretudo enquanto amamenta, pois a sucção feita pelo bebé vai estimular a libertação da ocitocina, hormona que favorece, precisamente, as contrações do útero.
Porém, para facilitar a involução uterina, é também importante urinar nas seis a oito horas após o parto e, depois, de três em três horas, sensivelmente, a fim de evitar infeções urinárias.
Lóquios
Os lóquios referem-se ao fluxo de sangue e de secreções uterinas que saem pela vagina, nas três semanas após o parto.
Nos primeiros dias do pós-parto, esse fluxo costuma ser vermelho-escuro, sendo que a partir do 10º dia costuma já apresentar-se incolor ou com um tom amarelado.
Durante esta fase, a mulher deve usar algum tipo de absorvente, como pensos higiénicos, por exemplo, e ter um especial cuidado com a sua higiene íntima, de modo a prevenir infeções.
Além de uma lavagem regular e adequada da região, é recomendável mudar de penso com frequência.
Incontinência urinária
É comum que, nos três meses após o parto, possa haver alguma perda involuntária de urina, relacionada com a pouca força muscular da bexiga.
Para evitar que esta condição perdure, é aconselhável realizar os exercícios de Kegel, que consistem na contração e na descontração dos músculos do períneo.
Obstipação
É suposto que uma a duas semanas após o parto o intestino da mulher esteja a funcionar normalmente. Porém, a dor perineal e as hemorróidas que afetam algumas recém-mães podem contribuir para problemas de prisão de ventre.
Para evitar esta situação deve:
- Ingerir muitos líquidos, nomeadamente água;
- Consumir alimentos ricos em fibras;
- Caminhar ou fazer exercícios físicos adequados ao pós-parto.
- É possível que se recomende tomar laxantes para evitar a obstipação, caso o quadro persista e o seu médico assim decida.
Região pélvica
Tanto as hemorróidas, de que já falámos, como a episiotomia (incisão feita na região perineal de algumas mulheres para facilitar a expulsão do bebé), podem criar desconforto na zona da pélvis.
Nestas situações, há algumas medidas que podem ser tomadas, tais como:
- Colocar na zona pélvica um pano com gelo, durante alguns minutos, várias vezes por dia;
- Aplicar ora água fria, ora água morna, na região afetada;
- Tomar duches rápidos e diários;
- Lavar adequadamente a zona pélvica;
- Sentar-se sobre uma almofada;
- Evitar estar muitas horas em pé;
- Deitar-se em decúbito lateral;
- Defecar regularmente, para evitar esforço ao evacuar;
- Iniciar a vida sexual apenas quando tiver sido recomendado pelo médico.
Ferida cirúrgica abdominal
Caso tenha feito um parto por cesariana, há que considerar a incisão abdominal realizada e os cuidados a ter com ela, nomeadamente:
- Manter a zona abdominal limpa e seca;
- Evitar fazer esforços;
- Repousar;
- Usar cinta pós-parto;
- Vestir roupas largas e de fibras naturais.
Consoante indicação médica, deve dirigir-se ao hospital ou centro de saúde para a remoção dos pontos ou agrafos.
Depois, continua a ser importante manter a zona da ferida limpa e seca, evitar esforços e usar a cinta abdominal, assim como massajar a região da sutura com um creme cicatrizante próprio.
Consultas
Neste período, o acompanhamento e a avaliação médicos são fundamentais.
Por isso, quem faz uma cesariana deve ter consulta com o médico cerca de oito a 10 dias depois da alta hospitalar. Já quem tem um parto normal pode ter a sua primeira consulta pós-parto quatro a seis semanas após ter recebido a alta hospitalar.
SINAIS DE QUE DEVE IR ÀS URGÊNCIAS
Mesmo tendo todos os cuidados e precauções, há situações que podem exigir uma ida ao hospital. Eis alguns sinais de que deve procurar assistência médica: 2
- Febre;
- Aumento da hemorragia vaginal ou corrimento vaginal com mau odor;
- Dor a urinar;
- Penso da ferida da cesariana com drenagem;
- Dor mamária intensa ou mamas com sinais inflamatórios;
- Dor abdominal intensa e de início súbito;
- Agravamento das dores na região do períneo.
Fontes:
1Centro Hospitalar de São João. Pós-parto.
Disponível em: https://portal-chsj.min-saude.pt/pages/425
2SNS. Guia para pais. (2021).
Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/guia/guia-para-pais/



