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Saúde

Incontinência urinária: como fazer frente às perdas de urina?

11 setembro 2023
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Saturado de perdas de urina indesejadas? Entenda como encarar e tratar a incontinência urinária.

Este problema continua a ser um tabu para muitas pessoas. Por se tratar de uma situação embaraçosa, há quem prefira esconder que sofre de incontinência urinária, ao invés de procurar ajuda e fazer tratamento.

No entanto, importa perceber que há diferentes tipos de incontinência urinária, cada um com características e formas de resolução distintas, podendo afetar indivíduos de diferentes géneros e idades.

Em alguns casos, a incontinência pode até ser transitória e rapidamente ultrapassada, bastando recorrer a alguns ajustes nos hábitos e no estilo de vida.

O mais importante é mesmo consultar um médico e procurar orientação especializada, para que o problema não se agrave.

O que é a incontinência urinária?

Segundo a Urology Care Foundation, a incontinência urinária caracteriza-se pela incapacidade de controlar a saída da urina. Além de consequências físicas, a incontinência tem ainda implicações emocionais, psicológicas e sociais. 

Na origem desta condição, está o enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico e/ou hiperatividade não controlada da bexiga.

mulher grávida a tocar na barriga.jpg

Quais as causas possíveis?

A incontinência urinária pode dever-se ao envelhecimento, mas também estar relacionada com outras circunstâncias, tais como: 1,2,3

  • Gravidez;
  • Parto normal;
  • Obesidade;
  • História familiar de incontinência;
  • Tosse persistente. 

Conheça os tipos de incontinência urinária

A incontinência urinária não se refere apenas a uma incapacidade de controlar totalmente a saída de urina. Mesmo as pequenas perdas de urina são consideradas incontinência, embora com designações e enquadramentos diferentes. 

Eis alguns tipos de incontinência urinária: 4,5

  • Incontinência de stress ou de esforço: pode manifestar-se durante a prática de exercício físico ou a segurar pesos. Também pode ocorrer quando a pessoa espirra ou ri. A pressão exercida sobre a bexiga faz com que não se controle a saída da urina. Este tipo de incontinência é mais frequente em mulheres mais jovens ou de meia-idade. Também pode surgir mais tarde, a partir da menopausa;
  • Incontinência de urgência: caracteriza-se por uma vontade súbita em urinar, sem que se consiga aguentar a urina por muito tempo. Este é um tipo mais prevalente em pessoas com diabetes, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, esclerose múltipla ou derrame;
  • Incontinência por transbordamento: manifesta-se através de pequenas perdas de urina recorrentes, pois a bexiga nunca fica completamente vazia. Este género de incontinência é mais habitual em homens com próstata aumentada ou em pessoas com diabetes e lesões na medula espinhal;
  • Incontinência funcional: neste caso, existe um controlo total do esfíncter, mas as dificuldades de mobilidade, geralmente associadas ao envelhecimento, impedem a pessoa de chegar a tempo à casa de banho, resultando em perdas de urina involuntárias;
  • Incontinência mista: a incontinência mista ocorre quando há uma combinação de sintomas da incontinência de stress com a incontinência de urgência. Esta condição é mais comum nas mulheres.

médica a falar com paciente sénior.jpg

Como fazer o diagnóstico?

Além das perdas urinárias que devem ser devidamente relatadas e descritas ao médico, no que respeita à frequência e quantidade de urina perdida, há outros meios de diagnóstico que podem ajudar a determinar com maior precisão o tipo de incontinência em causa. 

Eis alguns exemplos de exames: 2

  • Exame físico: avalia a força dos músculos do pavimento pélvico ou verifica se a próstata se encontra aumentada;
  • Urinálise: deteta infeção ou outros problemas;
  • Análises ao sangue: avaliam a função renal;
  • Medição residual pós-miccional (PVR): mede a quantidade de urina que resta na bexiga, após a micção;
  • Teste de esforço: serve para o médico perceber como o paciente perde urina;
  • Teste urodinâmico: determina a pressão que a bexiga e o músculo do esfíncter urinário conseguem suportar;
  • Cistograma: raio-x que fornece uma imagem da bexiga;
  • Cistoscopia: permite avaliar problemas no trato urinário, através da inserção na bexiga de um tubo fino com uma lente na extremidade;
  • Ecografia pélvica: deteta eventuais problemas na região da pelve (popularmente chamada bacia).

mulher a fazer exercício com bola de pilates.jpg

Quais os tratamentos para a incontinência?

A incontinência urinária tem tratamento, que varia em função da causa. Numa primeira fase ou nos casos mais ligeiros, é recomendada a adoção de determinados cuidados, nomeadamente:

  • Perder peso;
  • Reduzir a ingestão de cafeína e evitar o consumo de álcool;
  • Fazer exercícios para fortalecer os músculos do períneo;
  • Treinar a bexiga, “ensinando-a” a fazer intervalos maiores entre micções;
  • Recorrer a absorventes e mictórios de mão.

O passo seguinte é mesmo a cirurgia. Por exemplo, para solucionar a incontinência de stress, pode ser feito um procedimento cirúrgico que visa reduzir a pressão na bexiga e fortalecer os músculos que controlam a micção.

Já a cirurgia indicada para a incontinência de urgência tem como fim aumentar a bexiga ou implantar um dispositivo que estimula o nervo que controla os músculos detrusores (camada muscular da bexiga). 3

É possível prevenir a incontinência urinária?

Nem sempre é possível prevenir a incontinência urinária, mas existem algumas medidas que podem ajudar a reduzir a probabilidade de isso acontecer, que incluem: 3

  • Manter um peso equilibrado;
  • Evitar o consumo de álcool;
  • Fazer exercícios que fortaleçam os músculos do pavimento pélvico, como os exercícios de Kegel.

A mensagem final não podia ser outra: se sofre com perdas de urina, não adie mais e consulte um médico. Este problema tem tratamento e, por vezes, a resolução até pode ser bem rápida e simples.

Por isso, não faça deste assunto “o elefante na sala” e enfrente-o, pois só assim conseguirá contornar este incómodo.

Fontes

 

  1. Urology Care Foundation. What is Urinary Incontinence? Disponível aqui.

  2. Medical News Today. (2017). Urinary incontinence: What you need to know. Disponível aqui.

  3. NHS. (2023). Urinary incontinence. Disponível aqui. 

  4. National Institute on Aging. (2022). Urinary Incontinence in Older Adults. Disponível aqui.

  5. My Confidentlife. Mixed urinary incontinence. Disponível aqui. 

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