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Saúde

Resistência a antibióticos: uma ameaça à nossa saúde

19 fevereiro 2024
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A resistência a antibióticos é um grave problema de saúde pública. Conheça as causas e consequências desta resistência e saiba como preveni-la.

Os antibióticos são uma das armas mais eficazes no tratamento das infeções bacterianas. No entanto, a resistência a antibióticos por parte de algumas bactérias tem-se tornado mais recorrente, devido a diferentes motivos. 

Esta situação tem tido impactos a vários níveis. Anualmente, a resistência a antibióticos é responsável pela morte de 25 mil pessoas na União Europeia e de 700 mil em todo o mundo. 

As repercussões económicas também são elevadas. Estima-se que, todos os anos, na União Europeia, os gastos hospitalares adicionais decorrentes da resistência bacteriana seja de 1,5 mil milhões de euros.1

Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), Portugal é um dos países europeus com uma taxa mais alta de resistência às bactérias Staphylococcus aureus e Enterococcus faecalis e faecium. 

Estas bactérias estão associadas a pneumonias, infeções no coração e nos ossos, infeções urinárias e meningites. A principal razão desta resistência é, precisamente, a utilização inadequada dos antibióticos.

Segundo a OCDE —  Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, até 2050, irão morrer, em Portugal, aproximadamente 1100 pessoas por ano, devido a infeções bacterianas muito resistentes. 

Portanto, a resistência a antibióticos é um dos mais graves problemas de saúde pública. 4
Daí, ser importante apostar no uso prudente dos antibióticos e esclarecer alguns mitos que ainda subsistem junto da população. 

farmacêutica a segurar pacote de antibióticos.jpg

O que são antibióticos?

Os antibióticos existem desde os anos 20 do século XX, graças à descoberta da penicilina, que constituiu um marco na história da medicina, permitindo o tratamento de diversas doenças e evitando a morte de muitas pessoas.2

Estes medicamentos conseguem evitar e tratar infeções bacterianas, eliminando ou impedindo a multiplicação destes agentes invasores.

Atualmente, existem diferentes antibióticos destinados a diversos tipos de bactérias. Cada quadro clínico necessita de uma prescrição personalizada, no que respeita à dosagem e duração da administração do respetivo antibiótico.

Como funcionam os antibióticos?

Para entender o que é a resistência aos antibióticos, é preciso perceber de que modo estes fármacos atuam no organismo. Da mesma maneira que os antibióticos eliminam bactérias prejudiciais ao nosso corpo, também podem afetar negativamente as que são boas, afetando, assim, o nosso microbioma e originando as chamadas infeções oportunistas. 

O princípio de atuação dos antibióticos tem por base a identificação das diferenças entre as células bacterianas e as células humanas, para saber quais devem ser “atacadas” e de que maneira.

Existem diferentes classes de antibióticos com atuações distintas. Eis alguns exemplos. 2

Beta-lactâmico

Este tipo de antibióticos elimina as bactérias que possuem uma parede celular. Deste modo, aumentam a pressão no interior da célula bacteriana, acabando por romper a sua membrana. Alguns exemplos são a penicilina e a cefalosporina, utilizadas para tratar, entre outras patologias, infeções bacterianas do trato respiratório, como a pneumonia ou a amigdalite bacteriana.

Macrolídeos

Os antibióticos deste grupo atingem, exclusivamente, os ribossomos bacterianos, impedindo que estes construam proteínas. Sem proteínas, a bactéria não consegue sobreviver. 
Um exemplo deste género de antibiótico é a eritromicina, habitualmente responsável pelo tratamento de infeções do trato respiratório e da pele.

Quinolonas

Este grupo de antibióticos impede que as bactérias copiem o seu ADN, inviabilizando, assim, a sobrevivência e a reprodução destes agentes infeciosos. Alguns exemplos destes antibióticos são a ciprofloxacina e a levofloxacina, que permitem tratar infeções como a bronquite ou a pneumonia.

Diferença entre vírus e bactérias

Uma das razões que está na base da resistência aos antibióticos é a toma excessiva destes fármacos, que, muitas vezes, são administrados para curar infeções víricas, como gripes ou constipações.

A este propósito importa esclarecer que, apesar de tanto os vírus como as bactérias serem agentes infeciosos, não podem ser combatidos de igual modo.

Assim, de uma forma simples, pode dizer-se que os medicamentos antivirais não eliminam as bactérias e os antibióticos não eliminam os vírus. 

Portanto, os antibióticos não são eficazes no combate a agentes responsáveis pelas infeções respiratórias víricas, como as gripes ou constipações, por exemplo. 3

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O que é a resistência aos antibióticos?

A resistência a antibióticos pode ser definida como a capacidade das bactérias combaterem os efeitos de um antibiótico, não sendo eliminadas por este.

A toma abusiva e indiscriminada de antibióticos favorece o desenvolvimento de bactérias resistentes. Por isso, quanto mais antibióticos tomamos, principalmente sem indicação para tal, maior é a probabilidade de as bactérias se tornarem resistentes.

Porém, a resistência a antibióticos também pode advir dos antibióticos administrados nos animais que consumimos. Isto porque estes animais podem ser portadores de bactérias resistentes a antibióticos e, quando os ingerimos, essas bactérias passam para o nosso corpo. 3

Tipos de resistência aos antibióticos

Há dois tipos de resistência bacteriana aos antibióticos: 

  • Resistência intrínseca: quando as bactérias são naturalmente resistentes a antibióticos;
  • Resistência adquirida: quando as bactérias passam a resistir a antibióticos a que antes não eram resistentes.

médico explica a paciente como tomar antibiótico.jpg

Como prevenir a resistência aos antibióticos?

A resistência a antibióticos pode ser prevenida com algumas medidas e precauções, tais como: 3

  • Tomar antibióticos só com prescrição médica;
  • Respeitar as dosagens e os intervalos de toma prescritos;
  • Concluir o tratamento com antibiótico até ao fim;
  • Nunca recorrer a um antibiótico que tenha sobrado de uma prescrição anterior;
  • Não partilhar antibióticos com outras pessoas;
  • Informar o médico sobre os efeitos secundários advindos da toma de um antibiótico;
  • Informar o médico sobre possíveis alergias que tenha a antibióticos;
  • Informar o médico sobre a toma de outros fármacos, de modo a evitar interações medicamentosas;
  • Evitar a toma de antibióticos com bebidas alcoólicas;
  • Adotar medidas de higiene, como lavar as mãos regularmente, de modo a evitar a propagação da infeção;
  • Permanecer em casa, enquanto estiver doente;
  • Tomar as vacinas recomendadas;
  • Tapar a boca e o nariz, ao tossir ou espirrar, preferencialmente com um lenço.

Mitos e verdades sobre os antibióticos

Ainda há muita desinformação em torno da resistência a antibióticos e dos próprios antibióticos. Basta dizer que 40% dos europeus ainda pensam que os antibióticos servem para curar constipações e gripes, o que, como já explicámos, é um mito. 1

Mas há mais questões sobre os antibióticos que vale a pena esclarecer.5

Os antibióticos causam desconforto intestinal

Verdade! Os antibióticos podem eliminar micróbios benéficos para o organismo, podendo dar origem a diarreia, infeções fúngicas e erupções cutâneas. Os antibióticos podem provocar diarreia, quando os medicamentos causam um desequilíbrio na população microbiana intestinal. 

Devemos tomar bactérias boas para combater os efeitos negativos dos antibióticos

Mito! As bactérias boas são aquelas que ajudam a regular a digestão, a favorecer a absorção de nutrientes, a melhorar a imunidade, a proteger das doenças, entre outras funções.

No entanto, não há ainda evidências suficientes de que estas bactérias combatam os efeitos colaterais dos antibióticos. Por isso, a sua toma não está recomendada.

As bactérias podem tornar-se resistentes a antibióticos

Verdade! Como pudemos perceber neste artigo, as bactérias podem ter uma resistência adquirida, muito relacionada com a toma indevida e abusiva de antibióticos.

Fontes

  1. Ordem dos Farmacêuticos. Dia Europeu dos Antibióticos. Disponível aqui.

  2. Genetic Science Learning Center. Antibiotics. Disponível aqui.

  3. Ordem dos Farmacêuticos. (2023). Uso responsável dos antibióticos. Disponível aqui.

  4. DECO Proteste. (2023). Resistência a antibióticos: o que fazer para evitar. Disponível aqui.

  5. Genetic Science Learning Center. Agent Antibiotic. Disponível aqui. 

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