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Saúde

Síndrome de Brugada: uma doença rara que causa arritmias

28 setembro 2025
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Um eletrocardiograma com um resultado irregular pode ser um sinal de síndrome de Brugada. Saiba mais sobre este distúrbio.

Estima-se que, na Europa, por cada 10 mil pessoas, entre 1 e 5 terão síndrome de Brugada, sendo a sua maioria do sexo masculino. 

Esta condição rara faz com que o coração bata muito rápido, provocando um ritmo cardíaco perigoso chamado fibrilação ventricular. Como resultado, o coração não bombeia sangue suficiente para o resto do corpo.

Apesar de poder ser fatal para algumas pessoas, o tratamento pode reduzir o risco.1, 2 e 3

Causas

A síndrome de Brugada é frequentemente causada por um gene defeituoso herdado de um dos pais. Entre as outras possíveis causas estão:3, 4 e 5

  • Uso de certos medicamentos prescritos ou drogas, como cocaína;
  • Problemas estruturais no coração, que podem ser difíceis de detetar;
  • Distúrbios eletrolíticos, como hipocalemia, hipernatremia ou hipercalcemia, podem exacerbar ou mascarar padrões eletrocardiográficos típicos da síndrome, aumentando o risco de arritmias.

Fatores de risco

Há fatores que podem aumentar o nível de risco da doença de Brugada, nomeadamente:3, 4 e 6

  • Histórico familiar da síndrome;
  • Sexo masculino, já que os homens são mais diagnosticados com a doença do que as mulheres;
  • Etnia, sendo que a Brugada é mais frequente entre os asiáticos.

Outro fator de risco é a febre. A febre não causa a síndrome, mas pode irritar o coração e desencadear desmaios ou paragem cardíaca súbita em pessoas com síndrome de Brugada, especialmente crianças.

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Sintomas

Geralmente, a síndrome de Brugada não causa sintomas percetíveis.

Quando se manifestam, normalmente aparecem na idade adulta, frequentemente na terceira ou quarta década de vida, mas podem ocorrer em qualquer idade.

Os sinais e sintomas que podem estar associados à doença de Brugada podem incluir:3, 4, 5 e 6

  • Tontura;
  • Desmaio;
  • Convulsões;
  • Palpitações;
  • Pesadelos ou agitação noturna;
  • Respiração ofegante e difícil, principalmente à noite;
  • Batimentos cardíacos extremamente rápidos e caóticos.

Um sinal importante desta síndrome é um resultado irregular no eletrocardiograma (ECG), um exame que mede a atividade elétrica do coração.

Complicações

As complicações desta síndrome englobam:4

  • Desmaios: em pessoas com Brugada, este sintoma requer atendimento médico de emergência;
  • Paragem cardíaca súbita: se não for tratada imediatamente, a perda repentina da função cardíaca, da respiração e da consciência, que frequentemente ocorre durante o sono, é fatal. Com atendimento médico rápido e adequado, a sobrevivência é possível.

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Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome de Brugada é geralmente efetuado com um ECG simples.

Pacientes com ECG normal, mas que apresentem sintomas sugestivos, devem ser avaliados com exames adicionais sob orientação médica, nomeadamente:2, 3, 4, 5, 6 e 7

  • Teste de provocação, no qual o paciente recebe um medicamento durante o ECG para tentar que o coração atinja um ritmo anómalo de forma controlada;
  • Eletrocardiograma de Holter, um exame que permite monitorizar o ritmo cardíaco por mais tempo;
  • Exames de sangue ou saliva, para verificar a existência do gene defeituoso que pode causar a doença cardíaca.

Há condições que podem ser confundidas com a doença de Brugada, uma vez que a síncope é um sintoma comum.

O padrão de tratamento para avaliação da síncope é a obtenção de um ECG de 12 derivações para avaliar muitas dessas doenças que podem assemelhar-se à síndrome de Brugada, como prolongamento do intervalo QT, a síndrome de Wolff-Parkinson-White, embolia pulmonar e fibrilação atrial.

Dada a existência de outros distúrbios do ritmo cardíaco semelhantes à Brugada, é importante consultar o médico para perceber o que pode estar na origem dos sintomas e para discutir as opções de tratamento, o mais cedo possível.

Tratamento

Atualmente, não há cura para a doença de Brugada.

A maioria das pessoas pode controlar o risco de desenvolver um ritmo cardíaco acelerado com algumas mudanças simples no estilo de vida, ao evitar fatores como febre alta, desidratação, consumo excessivo de álcool, uso de certos medicamentos ou exercícios de alta intensidade.

O tratamento da síndrome de Brugada pode incluir o uso de um cardioversor-desfibrilhador implantável (CDI), um dispositivo colocado sob a pele no peito, semelhante a um pacemaker, quando os médicos assim o recomendam.

O CDI monitoriza o ritmo cardíaco e envia um choque elétrico ao coração, quando necessário, para corrigir o seu ritmo. Este dispositivo só é necessário se:2, 3, 5, 6 e 7

  • O paciente apresentar sintomas de risco, como desmaios, paragem cardíaca ou palpitações cardíacas;
  • O médico considerar que o paciente corre um risco elevado de desenvolver arritmias perigosas com base nos resultados do ECG e demais exames complementares do paciente.

Medicamentos que devem ser evitados

Os portadores da síndrome de Brugada devem evitar certos medicamentos, nomeadamente:8 e 9

  • Psicotrópicos;
  • Antiarrítmicos, como lidocaína;
  • Anestésicos e/ou analgésicos, como cetamina e tramadol.

O uso de lidocaína para anestesia local, como a administrada pelos dentistas, parece ser seguro se a dose for baixa e se for combinada com adrenalina que não resulte em efeito sistémico.

Em caso de febre, pessoas com síndrome de Brugada devem ser acompanhadas com um ECG contínuo, em paralelo com medidas para reduzir a temperatura corporal, como tomar paracetamol, por exemplo.

Fontes:

  1. Revista Portuguesa de Cardiologia (2013). Síncope e padrão de Brugada intermitente. Disponível aqui.

  2. Manual MSD (2024). Síndrome de Brugada. Disponível aqui.

  3. British Heart Foundation (2022). Brugada syndrome. Disponível aqui.

  4. Mayo Clinic (2022). Brugada syndrome. Disponível aqui.

  5. NHS (2023). Brugada syndrome. Disponível aqui.

  6. Medscape (2020). Brugada Syndrome. Disponível aqui.

  7. NCBI (2023). Brugada Syndrome. Disponível aqui.

  8. Revista Portuguesa de Cardiologia (2013). Síndrome de Brugada e uso de antigripais: existe relação? Disponível aqui.

  9. Brugada Drugs (2015). Drogas que devem ser evitadas na síndrome de Brugada. Disponível aqui.

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