Adoçantes: serão mesmo mais saudáveis do que o açúcar?
Copiado!
Entre açúcar e adoçante, o que escolher? Conheça as evidências científicas mais recentes sobre esta matéria e opte em consciência.
Certamente que, no momento de lhe servirem um café, já o questionaram: “açúcar ou adoçante?”.
É também provável que, como muitas pessoas, assuma que o adoçante é uma escolha melhor, quer para manter um peso equilibrado, quer para quem sofre de alguns problemas de saúde, como a diabetes, por exemplo.
No entanto, as investigações mais recentes têm mostrado que estes aditivos também podem ter implicações na saúde.
Por isso, para fazer a opção mais adequada, é importante conhecer melhor estas substâncias.
O que são adoçantes ou edulcorantes?
Os adoçantes, também denominados edulcorantes, são substâncias naturais ou artificiais utilizadas para adoçar os alimentos e bebidas.
Podem ser encontrados em produtos alimentares industrializados ou vendidos em separado, para serem consumidos como alternativa ao açúcar convencional.
Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), são considerados adoçantes livres de açúcar (non-sugar sweeteners, em inglês) todas as substâncias não nutritivas que não são classificadas como açúcares.1
Que tipos de adoçantes existem?
Apesar de cada um ter características próprias, estes aditivos inserem-se todos na mesma categoria de “adoçantes”.
Estes são alguns exemplos de edulcorantes de origem artificial: 2,6,7
- Sacarina: é cerca de 300 vezes mais doce do que o açúcar e não contém calorias. É usada em produtos alimentícios e bebidas, e algumas farmacêuticas também a adicionam a determinados medicamentos;
- Aspartame: o aspartame contém calorias e é 200 vezes mais doce do que o açúcar. Por não ser estável ao calor, não é usado na panificação. É utilizado como adoçante de mesa, bem como em cereais, pudins, laticínios e bebidas. Há fabricantes que juntam aspartame à sacarina, para compensar o sabor amargo;
- Acessulfame de potássio: pode ser encontrado com frequência em sobremesas congeladas ou bebidas. É cerca de 200 vezes mais doce do que o açúcar, e os fabricantes costumam combiná-lo com outros edulcorantes;
- Sucralose: é cerca de 600 vezes mais doce do que o açúcar e, como permanece estável ao calor, pode substituir o açúcar em produtos de panificação;
- Neotame: é até 13 mil vezes mais doce do que o açúcar. É estável ao calor, mesmo em altas temperaturas.
Quanto aos adoçantes de origem natural, existe, por exemplo, a estévia. Proveniente de uma planta com o mesmo nome, é 200 a 300 vezes mais doce do que a sacarose e significativamente menos calórica. A estévia costuma ser incluída em sobremesas, iogurtes, molhos, alimentos em conserva, pão, refrigerantes, pastilhas elásticas, entre outros produtos.
O consumo de adoçantes tem riscos?
Num guia sobre adoçantes, a OMS desaconselha o consumo destas substâncias por quem deseja controlar o peso ou reduzir o risco de doenças não transmissíveis. 3
Esta recomendação baseia-se num conjunto de evidências científicas que referem que os adoçantes não têm valor nutricional. Aparentemente, também não têm benefícios a longo prazo na redução da gordura corporal, tanto em adultos, como em crianças.
Em causa, estão todos os adoçantes não nutritivos sintéticos e naturais ou modificados, que não sejam classificados como açúcares, presentes em alimentos e bebidas industrializados ou vendidos separadamente para serem adicionados a alimentos e bebidas.
Os estudos referidos pela OMS indicam, ainda, que o uso continuado de adoçantes pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2, de sofrer de doenças cardiovasculares e de morrer precocemente.
Nesse sentido, Francesco Branca, diretor de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, defende que, em vez de adoçantes, as pessoas devem privilegiar alimentos com açúcares naturais, como fruta ou alimentos e bebidas sem açúcar.3
Contudo, estes pareceres devem ser encarados com cautela, uma vez que alguns dos resultados obtidos podem ter sido influenciados por fatores externos relacionados com a população estudada.
Ou seja, para já, as diretrizes emitidas pela OMS são vistas como condicionais, estando abertas a outras investigações que possam corroborar ou refutar as perspetivas adiantadas acerca desta matéria.3, 4
Também o aspartame, usado em produtos como a Coca-Cola Zero, por exemplo, já foi apontado como potencialmente cancerígeno, de acordo com um estudo da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), um organismo da OMS. 5 Porém, são necessárias mais pesquisas que permitam sustentar esses resultados.
Formas alternativas de reduzir o açúcar
Assim, ainda não é 100% certo que os adoçantes são prejudiciais à saúde. Sobre os malefícios do consumo excessivo de açúcar, não restam dúvidas. Por isso, o caminho passa por procurar alternativas, bem como fazer uma reeducação alimentar.
Eis algumas dicas a considerar: 2
- Privilegie alimentos naturais e integrais, como proteínas magras, grãos integrais, fruta e vegetais;
- Prefira alimentos naturalmente doces, como fruta, batata-doce ou frutos secos;
- Quando ingerir açúcar, compense fazendo uma refeição rica em proteínas, gorduras saudáveis e alimentos com fibra;
- Reduza a ingestão de bebidas açucaradas;
- Faça mais refeições caseiras, para facilitar o controlo das porções e os métodos de confeção;
- Verifique a informação dos rótulos dos alimentos, nomeadamente a que diz respeito ao “açúcar total” e aos “açúcares adicionados”.
Outra estratégia para consumir menos açúcar passa por adicionar ingredientes naturalmente açucarados a algumas receitas, para conferir um sabor mais adocicado e agradável. É o caso do açúcar de coco, do xarope de tâmaras ou do mel, apenas para dar alguns exemplos.
Em suma, apesar das indicações deixadas pela OMS e dos inegáveis proveitos que colhemos de consumir os alimentos na sua forma natural, as conclusões dos estudos mencionados ainda não têm um caráter universal. Importa igualmente sublinhar que não é correto afirmar que é preferível optar pelo açúcar em vez dos adoçantes.
Se não consegue abdicar de ambos, é aconselhável que consulte o seu médico, para perceber qual será a melhor opção para si, tendo em conta o seu histórico de saúde e perfil clínico.
Fontes
-
ABC. (2023). World Health Organization says non-sugar sweeteners don't work for long-term weight control. Disponível, aqui.
-
Medical News Today. (2023). WHO advises not to use non-sugar sweeteners in newly released guidelines. Disponível, aqui.
-
WHO guideline. (2023). Use of non-sugar sweeteners. Disponível, aqui.
-
Medscape. (2023). In Defense of Artificial Sweeteners. Disponível, aqui.
-
International Agency for Research on Cancer. Aspartame hazard and risk assessment results released. Disponível, aqui.
-
Medical News Today. Saccharin: What to know. Disponível, aqui.
-
Medical News Today. What is stevia? Disponível, aqui.



