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Exames Médicos

Análises à urina: para que servem e quais as mais comuns

03 abril 2024
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As análises à urina são muitas vezes solicitadas pelos médicos. Entenda como se processa cada tipo de análise e saiba que doenças permitem diagnosticar.

Certamente que, em alguma altura da sua vida, já fez uma análise à urina. Muitas vezes, é indicada ao mesmo tempo que as análises clínicas ao sangue e outros exames de check-up. Porém, também pode ser solicitada pelo médico quando há suspeita de algum problema de saúde.

Para a obtenção de resultados fidedignos e precisos, é muito importante que sejam seguidas as instruções de colheita específicas de cada tipo de análise. 

Conheça as análises à urina mais comuns e perceba a sua importância na deteção de diversas patologias. 

O que é uma análise à urina?

A análise à urina é um exame de diagnóstico simples, indolor e não invasivo. Com uma pequena amostra de urina é possível detetar, por exemplo, infeções, problemas renais, diabetes, doenças hepáticas, entre outras condições. 

Normalmente, uma análise deste género avalia o aspeto, cor e densidade da urina (exame físico), bem como a sua constituição química. Uma urina avermelhada pode indicar a presença de sangue, por exemplo, enquanto uma urina turva pode sinalizar uma infeção.

Esta análise também pode avaliar o conteúdo da urina e detetar sedimentos (exame microscópico), como células, bactérias ou cristais, cuja presença pode indicar algum tipo de problema.1

médico a entregar a paciente frasco para colheita de urina.jpg

Para que serve?

A análise à urina pode ser solicitada por um médico por diferentes motivos e para diferentes finalidades. Algumas das razões mais comuns são: 2

  • Check-up: a análise à urina pode ser realizada como exame de rotina, para avaliar o estado geral da saúde de uma pessoa. Quem sofre de doenças renais ou tem infeções urinárias frequentes, deve fazer este tipo de análises com mais regularidade;
  • Gravidez: para detetar uma gravidez e/ou avaliar a sua progressão, pode ser recomendada uma análise à urina;
  • Preparação pré-operatória: antes de uma cirurgia, é recomendável proceder a uma bateria de exames, sejam análises clínicas ao sangue ou à urina;
  • Rastreio de doenças: muitas patologias podem ser diagnosticadas com a ajuda de uma análise à urina, como a diabetes, doenças renais ou hepáticas.

É muito habitual os médicos recomendarem este tipo de análise, quando o paciente relata sangue na urina, dores abdominais e/ou nas costas, micção frequente ou dolorosa, incontinência urinária, entre outras situações. 

Técnico de laboratório a usar uma pipeta para colher amostras de urina.jpg

Quais os tipos de análise à urina mais comuns?

Existem vários tipos de análises à urina, que, além de exigirem diferentes cuidados prévios, seguem métodos distintos conforme o que pretendem avaliar. Eis alguns dos exemplos mais comuns. 3, 4, 5

Teste rápido (combur)

 

Este teste é, normalmente, feito em consultas de rotina, nomeadamente pré-natais, e, geralmente, perante uma suspeita de infeção urinária. As suas principais vantagens são a rapidez com que é possível analisar os resultados e o facto de não exigir preparação prévia.

Este tipo de teste consiste em mergulhar uma tira numa amostra de urina durante alguns segundos. Posteriormente, em função da concentração da substância específica que está a ser testada, os campos da tira mudam ou não de cor.

Assim, esta análise, além de medir o grau de acidez da urina e a sua densidade, procura por elementos anormais e examina a sua cor e clareza.

Interpretação dos resultados

Através da simples interpretação de um código de cores, é possível entender quais as substâncias presentes na urina em valores normais e em valores anormais.

Alguns indicadores importantes a considerar relacionam-se, por exemplo, com o valor do pH. Quando o pH da urina é muito ácido (superior a 5), o risco de desenvolver cálculos urinários é superior. Por outro lado, um pH acima de 7 pode ser sinal de infeção bacteriana.

Outro parâmetro a considerar são os níveis elevados de proteína na urina, que podem indicar nefrite (inflamação nos rins). Já se a amostra recolhida revelar cetonas e açúcar, pode ser um sintoma de níveis elevados de açúcar no sangue. Outro dado que pode significar infeção bacteriana são os níveis altos de leucócitos ou nitrito na urina. 

Análise Sumária de Urina (Urina tipo II)

Este é um dos tipos de análise requisitados com mais frequência. É feito em ambiente laboratorial e avalia:

  • a cor, turvação e concentração da urina;
  • a composição química da urina;
  • a imagem microscópica da urina, de modo a procurar bactérias, células e partes de células.

Por norma, este tipo de exame serve para diagnosticar patologias como doença renal ou infeções urinárias. 

Preparação e instruções de colheita

 

Não é preciso estar em jejum para fazer esta análise, mas deve seguir cuidadosamente os seguintes passos: 

  1. Use um recipiente próprio para recolher a urina;
  2. Recolha os primeiros 20 mililitros a 30 mililitros da primeira urina da manhã, excluindo o jato inicial.

Os resultados de urina II não são válidos no período menstrual. Pacientes do sexo feminino não devem higienizar a área vulvar/labial, antes da colheita.

Interpretação dos resultados

Com a análise sumária à urina, é possível diagnosticar diferentes problemas de saúde, tais como níveis elevados de colesterol, quando existem cristais na urina, e doença ou inflamação renal, geralmente relacionada com a deteção de cilindros urinários.

Muitas vezes, nestes casos, após a avaliação, pode ser indicada uma análise ao sangue para aprofundar o diagnóstico. 

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Análise à urina de 24 horas

Esta análise pressupõe a colheita de urina durante 24 horas. Findo este período, a amostra de urina segue para o laboratório. 

À semelhança da análise sumária à urina, também este tipo de análise avalia o aspeto da urina, a sua composição química e a sua imagem microscópica.

Estas análises permitem verificar o funcionamento renal e despistar doenças tão diversas quanto a diabetes ou a insuficiência cardíaca.

Preparação e instruções de colheita

Se tem este tipo de análise para fazer, deve cumprir com o seguinte:6 

  1. Utilize um recipiente próprio para fazer a colheita de urina;
  2. Rejeite a primeira urina da manhã, esvaziando por completo a bexiga;
  3. Daí em diante, recolha toda a urina do dia para o frasco, inclusive a primeira urina da manhã do dia seguinte, ou seja, do dia da entrega da colheita;
  4. Mantenha o recipiente no frigorífico até entregá-lo no laboratório.

Interpretação dos resultados

Nesta análise, são especialmente tidos em conta os níveis de proteína e creatinina presentes na urina. Se os resultados evidenciarem quantidades altas de creatinina, esse pode ser um sinal de que os rins não estão a funcionar bem, pois não estão a filtrar convenientemente a urina. 

Por outro lado, quando os resultados mostram níveis elevados de proteína na urina, esse pode ser um sintoma de doenças bastante diversas, como inflamação da pelve renal, infeções do trato urinário, doença renal ou cancro renal.

Quando os níveis hormonais não aparecem equilibrados, é porque o paciente pode sofrer de algum distúrbio do sistema endócrino. 

Urocultura (exame microbiológico da urina)

A urocultura tem em vista examinar laboratorialmente a existência ou não de germes causadores de infeção urinária.

O principal método usado neste tipo de análise é o exame microbiológico. Para isso, é colocada num recipiente uma amostra de urina e pequenas placas, onde os germes podem crescer. 

Posteriormente, o recipiente é fechado e depositado numa incubadora durante 24 a 48 horas, de modo a verificar-se se surgem ou não colónias de bactérias, ou de fungos. 

Preparação e colheita da urina

Para este tipo de análise, deve: 7

  1. Lavar e desinfetar cuidadosamente os genitais, recorrendo a sabão neutro. Não usar antisséptico;
  2. Desprezar o primeiro jato de urina e, só depois, recolher a urina para um recipiente esterilizado próprio para o efeito;
  3. Tapar o recipiente e entregar no laboratório.

Interpretação dos resultados

Os resultados deste exame são relativamente simples de interpretar. Caso sejam detetadas bactérias, é sinal de que o paciente tem uma infeção urinária. Para tratá-la, o médico deve determinar qual o tipo de antibiótico mais apropriado, tendo em conta a bactéria que originou a infeção. 

Citologia urinária

A citologia também pode ser usada como forma de analisar fluidos corporais, nomeadamente a urina. Esta análise permite rastrear infeções, inflamações e até tumores das vias urinárias. 

Preparação e colheita da urina

Para realizar este exame, apenas precisa de:

  1. Colher a segunda urina da manhã para um recipiente próprio;
  2. Tapar o recipiente e entregar no laboratório.

Interpretação de resultados

Se esta análise encontrar células malignas ou suspeitas, é recomendada a realização de exames complementares, como uma cistoscopia, a fim de confirmar ou não o diagnóstico de cancro. 

Importa, por fim, referir que os resultados das análises à urina podem ser influenciados por alguns medicamentos e, no caso das mulheres, pela menstruação. Por isso, quando estas questões se verificarem, reporte-as ao seu médico.

Fontes

 

  1. National Kidney Foundation. Urinalysis (urine test). Disponível aqui

  2. Mayo Clinic. (2023). Urinalysis. Disponível aqui

  3. National Library of Medicine. (2019). Understanding urine tests. Disponível aqui

  4. Unilabs. Análises Clínicas. Disponível aqui

  5. Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE. (2020). Exame citológico. Disponível aqui

  6. Urina 1º jato. Disponível aqui

  7. Urina 2º jato. Disponível aqui

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