Anemia: o que saber sobre este problema e como cuidar
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Existem vários tipos de anemia, com diversas causas. Conheça os seus principais sintomas e formas de tratamento.
Aproximadamente ¼ da população mundial sofre de algum tipo de anemia. Em Portugal, esta doença afeta cerca de 20% da população, sobretudo seniores e jovens adultos.
A anemia é um problema de saúde pública, a nível mundial, que afeta, particularmente, crianças e mulheres grávidas. A Organização Mundial da Saúde observou que uma estimativa de 42% de crianças menores de 5 anos e 40% de mulheres grávidas, a nível global, são anémicas. 1
Esta patologia carateriza-se por uma deficiência de glóbulos vermelhos (também conhecidos como eritrócitos) ou hemoglobina no sangue.
Os glóbulos vermelhos são responsáveis pelo transporte do oxigénio dos pulmões para os tecidos do corpo e do dióxido de carbono dos tecidos se, eliminado pelos pulmões. Logo, em caso de anemia, estas funções dos glóbulos vermelhos podem ficar comprometidas.
Assim, para ajudar o corpo a produzir mais glóbulos vermelhos e hemoglobina, é necessário aumentar o consumo de nutrientes como ferro, vitamina B12, folatos, entre outros. 1, 2, 3
Tipos de anemia
O índice do volume globular médio permite distinguir diferentes tipos de anemia. Eis alguns exemplos:
Anemia microcítica
Refere-se à existência de glóbulos vermelhos de tamanho menor do que o normal.
As principais causas deste tipo de anemia são: a carência de ferro e a talassémia.
Anemia macrocítica
Refere-se à existência de glóbulos vermelhos de tamanho maior do que o normal.
Este tipo de anemia é, normalmente, provocado por alcoolismo, doença hepática, défices de ácido fólico ou vitamina B12.
Anemia normocítica
Refere-se a uma anomalia no número de glóbulos vermelhos presentes no sangue, embora o seu tamanho seja normal.
Esta anemia costuma estar associada a repentinas perdas sanguíneas, estados de hemólise aguda ou crónica ou como efeito de uma doença sistémica, nomeadamente doença renal crónica, entre outras.
Causas
São diversos os motivos que podem contribuir para o desenvolvimento de anemia. Na origem desta doença, pode estar tanto a menor produção de glóbulos vermelhos na medula óssea, como a sua perda excessiva ou mesmo destruição. Eis algumas das causas possíveis para este problema. 1, 2, 3
Doenças crónicas
Quem sofre de patologias como cancro, VIH/SIDA, artrite reumatóide e insuficiência renal, pode produzir de forma insuficiente os glóbulos vermelhos e, assim, desenvolver a chamada anemia de doença crónica.
Tipicamente, esta situação ocorre porque a inflamação impede o organismo de utilizar o ferro armazenado, levando a que a medula óssea deixe de produzir células.
Carência em ferro
O défice em ferro está relacionado com a perda de sangue (por exemplo, devido à menstruação, úlceras e lesões cancerosas) ou com a incapacidade de absorver ferro, como ocorre em casos de doença celíaca ou decorrente de cirurgias bariátricas.
Em alguns casos, a carência em ferro pode surgir em fases da vida em que necessitamos mais deste mineral, como é o caso da infância, adolescência ou gravidez.
Uma alimentação pobre em alimentos ricos em ferro pode, também, contribuir para um estado anémico.
Por fim, fazer exercício físico em excesso pode induzir alterações hematológicas, que poderão explicar a ocorrência de um estado de carência de ferro.
Carência vitamínica
Anemia por carência vitamínica pode ocorrer se a dieta não compreender quantidades suficientes de vitamina B12 e folatos, ou se o organismo apresentar dificuldade em absorver ou processar essas vitaminas.
Genética
A hereditariedade pode explicar alguns tipos de anemia, como é o caso da anemia de células falciformes.
Outras causas possíveis
Outras condições que podem favorecer o desenvolvimento de anemia são:
- Problemas na medula óssea e células-tronco, tais como a Leucemia;
- Perturbações que causam a destruição de glóbulos vermelhos (anemia hemolítica);
- O parto;
- A lactação;
- O consumo excessivo de álcool;
- A toma de certos fármacos.
Sintomas
Muitas vezes, os primeiros sinais de anemia são cansaço ou fadiga. Porém, com o passar do tempo, começam a surgir outros sintomas, tais como: 1, 2, 3
- Dificuldade de foco;
- Depressão;
- Tensão arterial baixa;
- Batimentos cardíacos e respiração acelerados;
- Desmaios;
- Unhas quebradiças;
- Falta de apetite;
- Extremidades frias;
- Falta de força e franqueza;
- Palidez;
- Dores de cabeça e cefaleias;
- Irritabilidade;
- Alterações do sono;
- Tontura e vertigem;
- Intolerância ao exercício;
- Letargia e perda de consciência.
Tratamento
Considera-se que alguém está com anemia quando os valores de hemoglobina estão abaixo dos 13-14 g/dL, no caso dos homens, e dos 12 g/dL, no caso das mulheres.
O tratamento da anemia depende do fator que a origina e, antes de qualquer suplementação, exceto em casos moderados/graves, é importante também identificar a causa da anemia, principalmente em pacientes idosos.
No entanto, grosso modo, a terapêutica passa sempre por tentar regular os níveis de hemoglobina e de glóbulos vermelhos.
Para isso, podem ser prescritos suplementos que podem ser tomados por via oral ou injetável. Paralelamente, é fundamental fazer uma alimentação saudável e que integre alimentos ricos nos minerais em défice.
Nos casos mais graves, pode ser necessário recorrer a transfusões sanguíneas. 1, 2, 3
Preste atenção às consequências da anemia por carência de ferro quando não tratada, de acordo com o NHS (Serviço Nacional de Saúde) do Reino-Unido: 2
- O paciente torna-se mais propenso a desenvolver doenças e infeções - o sistema imunitário fica comprometido pela falta de ferro;
- O risco de desenvolver perturbações que afetem o coração ou os pulmões, aumenta - tal como um ritmo cardíaco anormalmente acelerado (taquicardia) ou insuficiência cardíaca;
- Na gravidez, pode causar um elevado risco de problemas antes e depois do nascimento.
Prevenção
Para prevenir a anemia, devem-se evitar os seus principais fatores de risco. Assim, é importante privilegiar uma alimentação que inclua ingredientes ricos em nutrientes e minerais, como é o caso da carne, peixe, frutos, vegetais de folha verde, citrinos, kiwis e brócolos.
Em alguns períodos da vida, pode ser mesmo necessário a toma de suplementos de ferro. No entanto, antes de começar qualquer ciclo de tratamento, procure orientação médica, por favor.
Fontes:



