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Saúde

Bactéria Helicobacter pylori: por que motivo é tão comum?

22 julho 2024
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A bactéria Helicobacter pylori infeta até 50% da população mundial, sendo o contacto interpessoal na infância a forma mais comum de contágio. Saiba mais.

A bactéria Helicobacter pylori, (H. pylori), é a principal responsável pela formação da úlcera péptica, podendo também causar gastrite e aumentar o risco de desenvolvimento de cancro no estômago.

A prevalência global da infeção por Helicobacter pylori diminuiu durante as últimas três décadas. Contudo, em Portugal mantém-se muito elevada. Um estudo recente mostrou que Portugal tem a prevalência mais elevada de todos os países europeus: 66,2% em crianças com 13 anos.

Apesar da comunidade científica não ter certezas de como esta bactéria se espalha, a suspeita recai na água e alimentos contaminados, ou através do contacto com a saliva e fluidos corporais de uma pessoa infetada, geralmente durante a infância.1, 2 e 3

Quem está em risco de ser contagiado pela bactéria H. pylori?

A H. pylori pode ser transmitida de pessoa para pessoa através do contacto com fezes, saliva, vómito, comida ou água infetada.

Num estudo científico divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA, sobre o papel da prevalência mundial e fatores de risco da infeção por Helicobacter pylori em crianças, reuniram-se vários fatores de interesse em indivíduos europeus, que podem explicar o contágio, como: 3 e 4

  • Viver em zonas rurais;
  • Comer fruta e vegetais que não foram lavados adequadamente;
  • Não lavar as mãos;
  • Baixa escolaridade parental, aliada ao desemprego e à curta duração da escolaridade (fatores que não contribuem para a sensibilização e prevenção da infeção pela Helicobacter pylori).

O papel da alimentação

Embora os principais fatores de risco para a infeção por Helicobacter pylori sejam as más práticas de saneamento e higiene, o que comemos também pode desempenhar um papel importante.

A comunidade científica descobriu que indivíduos cujas dietas eram ricas em fruta e vegetais frescos, grãos integrais, frutos secos e sementes apresentavam menor risco de serem infetados.

Já os indivíduos, cujas dietas eram ricas em hidratos de carbono, grãos e carnes processadas, açúcares e sal, tinham uma maior probabilidade de ter infeções deste tipo.

Apesar da dieta e dos hábitos alimentares, principalmente quando associados a baixas condições de higiene e saneamento básico, poderem ser importantes para o contágio, a forma mais habitual para contrair a infeção é o contacto interpessoal na infância, mediante a exposição a fluidos corporais (contágio oro-oral ou feco-oral).

A infeção pela bactéria H. pylori pode ser grave?

As consequências da bactéria H. pylori não são iguais para todos os hospedeiros. A maioria dos portadores não desenvolve problemas graves. Ainda assim, entre as potenciais complicações ligadas à infeção por Helicobacter pylori estão: 6 e 7

  • Úlcera péptica: o revestimento protetor do estômago e do intestino delgado é danificado, o que permite que o ácido estomacal crie uma ferida aberta (úlcera);
  • Cancro do estômago: esta bactéria no estômago é o mais importante fator de risco para cancro gástrico;
  • Inflamação do revestimento do estômago: a H. pylori pode afetar o estômago, causando irritação e inchaço (gastrite), que, a longo prazo, pode evoluir para atrofia e metaplasia intestinal gástrica, importantes fatores de risco para o cancro gástrico.

Em hospedeiros infetados mais suscetíveis, a gastrite crónica ativa de longa data pode causar outros problemas de saúde. Estas condições de saúde podem progredir para displasia, depois para um cancro inicial (clinicamente silencioso) e, por fim, para um cancro do estômago já em fase avançada.

senhor com dor no estômago.jpg

Sintomas da infeção 

A maioria das pessoas infetadas nunca apresentará nenhum sinal ou sintomas. Não se sabe bem a razão, mas acredita-se que algumas pessoas podem ter mais resistência aos efeitos nocivos da bactéria.

Quando ocorrem sinais ou sintomas desta infeção, geralmente, estão relacionados com gastrite ou úlcera péptica, podendo incluir:6

  • Dor no estômago, que pode piorar quando o mesmo está vazio;
  • Dor ou sensação de ardor no estômago;
  • Perda de peso não intencional;
  • Arrotos frequentes;
  • Perda de apetite;
  • Náuseas;
  • Inchaço.

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Como identificar a presença desta bactéria 

Existe mais do que um teste para a deteção da Helicobacter pylori:8

  • Exames ao sangue: verifica se há células (anticorpos) que combatem infeções, como o anticorpo específico para Helicobacter pylori que pode significar que pode ter a bactéria;
  • Teste de antigénio fecal: recolha de uma amostra de fezes para verificar a presença da H. pylori;
  • Endoscopia digestiva alta: este exame examina o revestimento do esófago, estômago e duodeno (permitindo ver o interior desses órgãos) e, quando é necessário, é recolhida uma pequena amostra de tecido (biópsia), que pode mostrar a presença de Helicobacter pylori (principalmente quando associado a imunohistoquímica);
  • Teste respiratório H. pylori: verifica a existência de carbono após o paciente engolir um comprimido de ureia, que contém moléculas de carbono. Se for encontrado carbono, isso significa que a bactéria Helicobacter está presente já que esta possui urease, libertando o carbono da ureia. 

Qual o melhor método para detetar esta bactéria no estômago?

Com a exceção da serologia (que pode dar resultados falsos positivos, principalmente após o tratamento), todos os outros testes referidos apresentam grande acuidade diagnóstica para a infeção por Helicobacter pylori, sendo que a decisão do teste dependerá do doente e da situação clínica específica.

Mediante alguns sinais e sintomas, ou mesmo em caso de dúvida, é importante marcar uma consulta de gastroenterologia, para ter a certeza de que não é portador da bactéria. Na Unilabs, estão disponíveis todas as opções de diagnóstico para detetar a H. pylori.

A endoscopia digestiva alta, um exame que permite ver o interior dos órgãos do trato digestivo superior com precisão, possibilitando diagnosticar e tratar algumas doenças que atingem o esófago, o estômago e o duodeno.

Se necessário, faz-se também a colheita de uma biópsia em mucosa gástrica inflamada, com pesquisa de Helicobacter pylori. Na biópsia, a deteção desta bactéria pode ser feita por imunohistoquímica (IHQ). Este método também é útil em casos de gastrite crónica.

Outro método de diagnóstico são os testes respiratórios. Os testes respiratórios de carbono e amónia, respetivamente, são métodos precisos que permitem identificar a H. pylori. O mais usado é o teste de urease (carbono).

O teste respiratório de amónia é uma abordagem inovadora, dado que deteta amónia, em vez do dióxido de carbono marcado.

Ao longo dos últimos anos, a Unilabs foi pioneira no desenvolvimento de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para auxiliar na deteção desta bactéria. Este método, utilizado na avaliação das biopsias, permite uma resposta mais rápida.

Outra forma de verificar a presença de H. pylori é através do diagnóstico molecular por PCR, um método recomendado pelas diretrizes globais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Consenso de Maastricht. Este teste tem, ainda, a vantagem de verificar a presença de resistências antimicrobianas, o que pode possibilitar um tratamento mais adequado.

Após realizado um exame de gastroenterologia, a Unilabs disponibiliza uma recuperação com maior conforto e qualidade, no espaço Gastro. É um local de recobro especialmente útil após a realização de exames mais invasivos, como o da endoscopia digestiva alta.7

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Há formas de evitar o contágio?

Os especialistas da área da saúde não sabem, ao certo, como a bactéria passa de pessoa para pessoa. Porém, para evitar a infeção por Helicobacter pylori, podem ser adotados alguns hábitos de higiene, nomeadamente:8

  • Lavar as mãos com sabão e água limpa e corrente (ações importantes, após ir à casa de banho e antes das refeições);
  • Verificar se todos os alimentos ingeridos foram bem lavados e confecionados com segurança;
  • Certificar-se de que a água potável é segura e limpa.

O papel do antibiótico para erradicar a H. pylori

 

Não existe vacina para a H. pylori e o tratamento da infeção dependerá dos sintomas, da idade e do estado geral de saúde da pessoa infetada, assim como da gravidade. Por norma, são prescritos antibióticos que podem matar a bactéria.

Outros medicamentos adjuvantes aos antibióticos para erradicação da bactéria podem incluir:1 e 8

  • Bloqueadores H-2: reduzem a quantidade de ácido no estômago, bloqueando a hormona histamina (esta ajuda a produzir ácido);
  • Inibidores da bomba de protões: ajudam a evitar que o estômago produza ácido;
  • Protetores de revestimento do estômago: protegem o revestimento do ácido e ajudam a eliminar bactérias.

Geralmente, é necessário tomar vários medicamentos em simultâneo para eliminar a H. pylori. Este tratamento deve ser prescrito por um médico, idealmente da especialidade de gastrenterologia.

Pode marcar a sua consulta de gastrenterologia na One Day Clinic e no Hospital Cruz Vermelha. 

  1. MedlinePlus (2021). Helicobacter Pylori Infections. Disponível aqui.

  2. AGA Journals (2024). Global Prevalence of Helicobacter pylori Infection and Incidence of Gastric Cancer Between 1980 and 2022. Disponível aqui.

  3. NIH (2022). Worldwide Prevalence and Risk Factors of Helicobacter pylori Infection in Children. Disponível aqui.

  4. Healthline (2024). What to Know About an H. Pylori Infection. Disponível aqui.

  5. WebMD (2023). H. pylori Infection: Symptoms, Causes, Diagnosis, and Treatment. Disponível aqui.

  6. Mayo Clinic (2022). Helicobacter pylori (H. pylori) infection: Symptoms & causes. Disponível aqui.

  7. Organização Mundial de Gastroenterologia (2021). Helicobacter pylori. Disponível aqui.

  8. Johns Hopkins Medicine. Helicobacter Pylori. Disponível aqui.

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