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Exames Médicos

Que testes respiratórios existem para detetar a H. pylori?

03 junho 2024
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O teste respiratório de carbono e o teste respiratório de amónia servem para detetar a bactéria H. pylori, mas são diferentes. Saiba em que aspetos.

Estima-se que mais de 50% da população mundial está infetada ou colonizada pela bactéria Helicobacter pylori, a causa mais comum de úlceras pépticas, feridas que se formam, principalmente, no estômago e na parte superior do intestino delgado. 1

A H. pylori também pode causar gastrite e, sem tratamento, pode durar a vida toda, além de aumentar a probabilidade de o paciente desenvolver cancro no estômago.

Os testes respiratórios para Helicobacter pylori são métodos precisos que permitem identificar esta bactéria no organismo e, assim, evitar problemas de saúde graves. 

A maioria das pessoas infetadas com a Helicobacter pylori são assintomáticas. Contudo, algumas podem revelar sintomas associados à má digestão.

Apesar de a forma de transmissão permanecer desconhecida, admite-se que possa acontecer através do contacto com secreções ou fezes de indivíduos infetados, ou, então, através do contacto com águas contaminadas. 

Embora estas infeções sejam mais comuns nos países em vias de desenvolvimento, qualquer pessoa exposta à H. pylori pode ficar infetada. 

Para realizar o diagnóstico, pode recorrer-se a exames de fezes, de sangue, de endoscopia digestiva alta e, por fim, aos testes respiratórios para Helicobacter pylori. Esta é uma opção viável e indolor a considerar, uma vez que determinados procedimentos podem ser desconfortáveis.

O teste respiratório de amónia ou o teste respiratório de carbono (ou teste de urease) pode descobrir se é a Helicobacter pylori que está a originar uma gastrite ou outras condições que provocam indigestão contínua.

É importante perceber as principais diferenças entre estes testes, bem como quem pode realizá-los.2, 3, 4

mulher a fazer o teste respiratório de urease.jpg

Que tipo de testes respiratórios para Helicobacter pylori existem?

Por ser algo desconfortável, o teste da endoscopia digestiva alta pode não ser a primeira opção para pessoas com menos de 60 anos. Já os testes respiratórios para Helicobacter pylori são exames não invasivos.

Uma revisão sistemática de 101 estudos, divulgada pela Cochrane Library, refere que este teste da Helicobacter pylori é o método não invasivo mais preciso para detetar a infeção.

Existem dois tipos de testes respiratórios para Helicobacter pylori: o teste respiratório de carbono e o teste respiratório de amónia.

Uma investigação científica, publicada pela National Health Service (NHS), comparou o teste respiratório de carbono com o teste respiratório de amónia. Os resultados são favoráveis para ambos. Vejamos, então, que diferenças existem entre eles. 2 e 5

O teste respiratório de carbono

O método mais comummente usado para a deteção da infeção por Helicobacter pylori é o teste de urease (ou teste respiratório de carbono).

A Helicobacter pylori tem urease, um composto biológico que acelera reações químicas, que irá dividir a ureia em dióxido de carbono e gases de amónia. 

Como não existe urease em seres humanos não infetados, a presença de urease é uma indicação de infeção por Helicobacter pylori. Se uma pessoa receber uma pequena quantidade de ureia por via oral e a ureia for marcada como C13 (um isótopo natural de carbono usado no teste de urease), o dióxido de carbono produzido pela urease também será marcado.

Nesse momento, pode ser distinguido do dióxido de carbono ‘normal’ e leva à identificação de uma infeção por Helicobacter pylori. 5

 O teste respiratório de amónia

Uma abordagem inovadora é o teste respiratório de amónia, que deteta amónia em vez do dióxido de carbono marcado.

Estudos publicados pelo NIH, o Instituto Nacional de Saúde dos Estudos Unidos, concluíram que esta medição de amónia no ar expirado é viável como teste de diagnóstico para H. pylori. 5,6

Como é feita a preparação?

Antes de fazer estes testes, pode ser preciso parar de tomar determinados medicamentos durante duas a quatro semanas. 

Esta preparação é necessária pelo facto de alguns medicamentos poderem dar origem a falsos negativos, uma vez que podem diminuir os níveis da urease da Helicobacter pylori. Um falso-negativo indica que o indivíduo não está infetado.

Os medicamentos que devem ser interrompidos antes do teste respiratório de carbono ou do teste respiratório de amónia podem incluir: 2, 3, 4, 7

  • Compostos de bismuto;
  • Antibióticos;
  • Inibidores da bomba de protões.

Estudos divulgados pelo NIH sugerem que os bloqueadores de H2, medicamentos que reduzem o ácido do estômago e que tratam a indigestão e o refluxo, também podem causar resultados falso-negativos.

Não é preciso parar de tomar antiácidos, mas, geralmente, não é recomendado tomá-los no dia do teste a esta bactéria no estômago. Só se deve tomar medicamentos no dia do procedimento, mediante aprovação do médico. 

Por outro lado, os indivíduos que poderão fazer testes respiratórios para Helicobacter pylori não devem interromper a medicação prescrita sem, primeiro, consultar um profissional de saúde.

médico faz palpação em abdómen de paciente (1).jpg

A quem se destinam estes testes?

Os testes respiratórios para Helicobacter pylori são recomendados para pessoas com: 2,3

  • Dor ou desconforto na parte superior do abdómen;
  • Condições associadas, como cancro no estômago ou úlcera péptica;
  • Terapêuticas medicamentosas de longo prazo, como aspirina ou anti-inflamatórios;
  • Sensação de inchaço;
  • Sensação de saciamento precoce enquanto se come uma refeição;
  • Náuseas e vómito;
  • Perda de apetite;
  • Perda de peso.

Se o paciente apresentar sintomas típicos de refluxo gastroesofágico, também precisa de fazer estes testes respiratórios, sendo aconselhável uma consulta prévia com um especialista em gastrenterologia. 

O teste respiratório de amónia é mais aconselhado para: 2

  • Mulheres grávidas;
  • Crianças com mais de três anos.

Como se processam estes testes?

Os testes respiratórios para Helicobacter pylori são indolores, simples e, por norma, os resultados ficam prontos num período de um a três dias. 

O único aspeto que distingue o teste de carbono do teste de amónia é o composto químico utilizado (carbono ou amónia), sendo que o resto do procedimento é igual: 3,4

  • Respira-se num recipiente para fornecer uma amostra da respiração.
  • Engole-se um comprimido ou um líquido que contenha ureia (a ureia é um resíduo normal encontrado no sangue). No entanto, a ureia usada para o teste de H. pylori contém átomos de carbono especiais. Se a pessoa estiver infetada com a Helicobacter pylori, a bactéria no estômago transformará a ureia em dióxido de carbono (posteriormente expelido pelos pulmões), incluindo esses átomos de carbono.
  • Poucos minutos após engolir a ureia, deve ser fornecida outra amostra da respiração.
  • As duas amostras de respiração serão testadas e comparadas entre si.
  • Caso o teste à Helicobacter pylori seja positivo, os átomos de carbono especiais da ureia aparecerão na segunda amostra da respiração e a segunda amostra de ar expirado conterá mais dióxido de carbono do que a primeira.

Uma revisão sistemática publicada no World Journal of Gastroenterology sobre os desenvolvimentos mais recentes no diagnóstico de H. pylori, observou que, de uma maneira geral, as pessoas toleram bem o teste. Porém, algumas relataram efeitos como náuseas, cansaço e dores de estômago.

Teste respiratório H. pylori: onde fazer?

A Unilabs disponibiliza testes respiratórios para Helicobacter pylori. O teste respiratório de carbono é realizado pela equipa de Análises Clínicas. Já o teste respiratório de amónia é efetuado pela Gastrenterologia da Unidade do Fluvial.

Há tratamento para as infeções causadas pela Helicobacter pylori?

As infeções por Helicobacter pylori são geralmente tratadas com, pelo menos, dois antibióticos diferentes em simultâneo, de modo a evitar que as bactérias desenvolvam resistência a um antibiótico específico.

A terapêutica também pode incluir medicamentos para ajudar a tratar o estômago, nomeadamente:7

  • Compostos de bismuto: este medicamento atua ao revestir a úlcera, protegendo-a do ácido estomacal;
  • Inibidores da bomba de protões: esta medicação impede a produção de ácido no estômago;
  • Bloqueadores de H2: este medicamento bloqueia uma substância chamada histamina, que desencadeia a produção de ácido (esta opção só é prescrita para tratar a infeção por Helicobacter pylori se os inibidores da bomba de protões não puderem ser usados).

É recomendado repetir os testes pelo menos quatro semanas após o tratamento. Se os resultados mostrarem que a bactéria não foi eliminada do estômago, pode ser necessário recorrer a outra combinação de antibióticos.

Fontes

 

  1. Unilabs. Helicobacter pilory. Teste respiratório de urease.

  2. Medical News Today (2022). What to know about the H. pylori breath test. Disponível aqui.

  3. MedlinePlus. Helicobacter Pylori (H. Pylori) Tests. Disponível aqui.

  4. Cleveland Clinic (2024). H. pylori (Helicobacter pylori) Tests. Disponível aqui.

  5. NHS (2015). Ammonia breath testing. Disponível aqui.

  6. NIH (2002). Breath ammonia measurement in Helicobacter pylori infection. Disponível aqui.

  7. Mayo Clinic (2022). Helicobacter pylori (H. pylori) infection - Diagnosis & treatment. Disponível aqui.

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