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Saúde

Depressão pós-parto: sinais a que deve estar atento

07 novembro 2022
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A depressão pós-parto tem sintomas caraterísticos. Saiba quais são e procure ajuda, ao mínimo sinal de alerta.

A depressão pós-parto afeta mais de 1 em 10 mulheres nos doze meses subsequentes após o parto, e apesar de ser mais comumente observada em mulheres, poderá afetar, também, pais e parceiros.

É absolutamente crucial agir atempadamente, mal o primeiro sinal de depressão ocorra, já que estes sintomas poderão perdurar por meses ou até piorar, causando um impacto significativo na mãe, no bebé e na família.

Neste estado, as mulheres são, muitas vezes, incapazes de executar as tarefas habituais do quotidiano, nomeadamente tomar conta do bebé acabado de nascer. Por isso, é fundamental estar alerta para os sinais de que a recém-mamã pode estar com uma depressão pós-parto. 4

Depressão pós-parto: principais caraterísticas

Primeiramente, convém explicar que sintomas como fadiga ou melancolia não são, por si só, sinónimos de depressão. Porém, se estes sintomas passarem a ser constantes e permanentes, então podemos estar perante um quadro depressivo.

Importa explicar que tanto a gestação, como o parto, são momentos que afetam a mulher a nível físico e psicológico, pelo que não é de admirar que as recém-mamãs possam desenvolver uma depressão pós-parto.

Uma investigação levada a cabo pela Associação Americana de Psiquiatria demonstrou que, mais de 70 por cento de todas as recém-mamãs, experienciam os “baby blues”, que se traduz num sentimento de tristeza e vazio. Esta é uma condição a curto prazo que não perturba as atividades do dia a dia, e que não requer, necessariamente, atenção médica.

mãe com depressão pós-parto

Surtos de choro, sem razão aparente, irritabilidade, inquietude e ansiedade são alguns dos sintomas que melhor ilustram esta perturbação emocional. Estes sintomas decorrem a curto prazo; perdurando por uma semana ou duas e, tipicamente, desaparecem por si mesmos, sem tratamento.

A depressão pós-parto difere dos “baby blues”. Ela é debilitante para a recém-mãe, a nível emocional e físico e poderá durar meses ou mais. Procurar tratamento é importante quer para a mãe, quer para o bebé. 5

Causas

A depressão pós-parto, assim como a depressão de uma forma geral, pode ser provocada por fatores tão diversos como os biológicos, hormonais, familiares, psicológicos e socioeconómicos. 4,6

Além disso, existem outros fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de vir a desenvolver depressão pós-parto, como é o caso de mulheres que apresentam: 2, 3, 4

  • Historial de ansiedade;
  • Historial de depressão;
  • Problemas na gestação ou no parto;
  • Fraca rede de suporte, de familiares ou amigos;
  • Dificuldades na relação conjugal ou parceria;
  • Gémeos ou recém-nascidos prematuros ou com necessidades especiais;
  • Historial de perdas gestacionais;
  • Gravidez não planeada.

jovem sozinha triste

Sintomas

A depressão pós-parto carateriza-se, essencialmente, por um estado de tristeza e de cansaço permanentes. Porém, existem outros sintomas e sinais que podem completar este quadro e ajudar no seu diagnóstico. É este o caso de: 4,5,6

  • Alterações de apetite;
  • Falta de desejo sexual;
  • Mudanças de humor;
  • Dificuldades de foco e de memória;
  • Ansiedade;
  • Baixa auto-estima e auto-confiança;
  • Culpa;
  • Distúrbios do sono;
  • Pensamentos suicidas;
  • Sensação constante de sobrecarga e de vontade de chorar;
  • Medo de não saber cuidar do bebé.

Tratamento

Perante a suspeita de estar com uma depressão pós-parto, é essencial visitar um psicólogo e/ou psiquiatra. Só assim é possível tratar este problema e restabelecer a saúde da mãe e, consequentemente, o bem-estar do bebé.

Geralmente, o tratamento desta perturbação passa pela psicoterapia, a qual pode ser complementada pela toma de medicação que não interfira com a qualidade do leite materno.

Paralelamente, é fundamental que haja suporte por parte da família e dos amigos que não devem criticar ou questionar a mulher, mas antes apoiá-la e dar-lhe espaço para que diga tudo aquilo que sente.

Não só para ajudar a tratar a depressão pós-parto, como também para evitá-la, é aconselhável que a mãe saia de casa e encontre tempo só para si, seja para passear, seja para repousar. 4,5,6

mãe com depressão e filho e a dormir

Prevenção

Para prevenir o desenvolvimento de uma depressão pós-parto, é importante evitar os seus fatores de risco e precaver a situação, mesmo antes de engravidar.

Por exemplo, mulheres com historial associado a problemas como depressão ou ansiedade devem ser sujeitas a uma monitorização e acompanhamento antes, durante e depois da gestação, de maneira a prevenir mais eficazmente um quadro de depressão pós-parto.

Paralelamente a este seguimento mais clínico, realizado por médicos e especialistas em saúde mental, é ainda recomendável que as recém-mães adotem alguns comportamentos, tais como: 1

  • Não ter vergonha de pedir ajuda;
  • Fazer exercício físico;
  • Sair de casa e estar com outras pessoas;
  • Reservar tempo para relaxar;
  • Não ficar sobrecarregada;
  • Não valorizar em demasia comentários negativos;
  • Expor os medos e as emoções;
  • Dedicar tempo para fazer coisas agradáveis.

Nunca é demais sublinhar que a depressão é uma doença e, por isso, carece de tratamento como qualquer outra patologia. A mulher que sofre de depressão pós-parto não é menos mãe do que aquela que não tem esta doença, nem ama menos o seu filho.

Por isso, é fundamental estar atento ao estado de espírito das recém-mamãs e oferecer ajuda, sempre que tal pareça ser necessário.

Fontes:

  1. Organização Mundial da Saúde. (2017). Pergunta-se ou acha que o seu bebé não a está a fazer feliz? Disponível aqui
  2. Unidade de Saúde Mental de Ligação do CHTS. Saúde mental na gravidez e pós-parto. Disponível aqui
  3. Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde. (2017). Depressão pós-parto: uma revisão sobre fatores de risco e de proteção. Disponível aqui
  4. Direção-Geral da Saúde. (2006). Promoção da Saúde Mental na Gravidez e Primeira Infância. Disponível aqui
  5. NHS. (2021). Postnatal depression. Disponível aqui
  6. American Psychiatric Association. (2020). What is Peripartum Depression (formerly Postpartum)? Disponível aqui
  7. Office on Women's Health. (2021). Postpartum depression. Disponível aqui

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