Depressão pós-parto: sinais a que deve estar atento
Copiado!
A depressão pós-parto tem sintomas caraterísticos. Saiba quais são e procure ajuda, ao mínimo sinal de alerta.
A depressão pós-parto afeta mais de 1 em 10 mulheres nos doze meses subsequentes após o parto, e apesar de ser mais comumente observada em mulheres, poderá afetar, também, pais e parceiros.
É absolutamente crucial agir atempadamente, mal o primeiro sinal de depressão ocorra, já que estes sintomas poderão perdurar por meses ou até piorar, causando um impacto significativo na mãe, no bebé e na família.
Neste estado, as mulheres são, muitas vezes, incapazes de executar as tarefas habituais do quotidiano, nomeadamente tomar conta do bebé acabado de nascer. Por isso, é fundamental estar alerta para os sinais de que a recém-mamã pode estar com uma depressão pós-parto. 4
Depressão pós-parto: principais caraterísticas
Primeiramente, convém explicar que sintomas como fadiga ou melancolia não são, por si só, sinónimos de depressão. Porém, se estes sintomas passarem a ser constantes e permanentes, então podemos estar perante um quadro depressivo.
Importa explicar que tanto a gestação, como o parto, são momentos que afetam a mulher a nível físico e psicológico, pelo que não é de admirar que as recém-mamãs possam desenvolver uma depressão pós-parto.
Uma investigação levada a cabo pela Associação Americana de Psiquiatria demonstrou que, mais de 70 por cento de todas as recém-mamãs, experienciam os “baby blues”, que se traduz num sentimento de tristeza e vazio. Esta é uma condição a curto prazo que não perturba as atividades do dia a dia, e que não requer, necessariamente, atenção médica.
Surtos de choro, sem razão aparente, irritabilidade, inquietude e ansiedade são alguns dos sintomas que melhor ilustram esta perturbação emocional. Estes sintomas decorrem a curto prazo; perdurando por uma semana ou duas e, tipicamente, desaparecem por si mesmos, sem tratamento.
A depressão pós-parto difere dos “baby blues”. Ela é debilitante para a recém-mãe, a nível emocional e físico e poderá durar meses ou mais. Procurar tratamento é importante quer para a mãe, quer para o bebé. 5
Causas
A depressão pós-parto, assim como a depressão de uma forma geral, pode ser provocada por fatores tão diversos como os biológicos, hormonais, familiares, psicológicos e socioeconómicos. 4,6
Além disso, existem outros fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de vir a desenvolver depressão pós-parto, como é o caso de mulheres que apresentam: 2, 3, 4
- Historial de ansiedade;
- Historial de depressão;
- Problemas na gestação ou no parto;
- Fraca rede de suporte, de familiares ou amigos;
- Dificuldades na relação conjugal ou parceria;
- Gémeos ou recém-nascidos prematuros ou com necessidades especiais;
- Historial de perdas gestacionais;
- Gravidez não planeada.
Sintomas
A depressão pós-parto carateriza-se, essencialmente, por um estado de tristeza e de cansaço permanentes. Porém, existem outros sintomas e sinais que podem completar este quadro e ajudar no seu diagnóstico. É este o caso de: 4,5,6
- Alterações de apetite;
- Falta de desejo sexual;
- Mudanças de humor;
- Dificuldades de foco e de memória;
- Ansiedade;
- Baixa auto-estima e auto-confiança;
- Culpa;
- Distúrbios do sono;
- Pensamentos suicidas;
- Sensação constante de sobrecarga e de vontade de chorar;
- Medo de não saber cuidar do bebé.
Tratamento
Perante a suspeita de estar com uma depressão pós-parto, é essencial visitar um psicólogo e/ou psiquiatra. Só assim é possível tratar este problema e restabelecer a saúde da mãe e, consequentemente, o bem-estar do bebé.
Geralmente, o tratamento desta perturbação passa pela psicoterapia, a qual pode ser complementada pela toma de medicação que não interfira com a qualidade do leite materno.
Paralelamente, é fundamental que haja suporte por parte da família e dos amigos que não devem criticar ou questionar a mulher, mas antes apoiá-la e dar-lhe espaço para que diga tudo aquilo que sente.
Não só para ajudar a tratar a depressão pós-parto, como também para evitá-la, é aconselhável que a mãe saia de casa e encontre tempo só para si, seja para passear, seja para repousar. 4,5,6
Prevenção
Para prevenir o desenvolvimento de uma depressão pós-parto, é importante evitar os seus fatores de risco e precaver a situação, mesmo antes de engravidar.
Por exemplo, mulheres com historial associado a problemas como depressão ou ansiedade devem ser sujeitas a uma monitorização e acompanhamento antes, durante e depois da gestação, de maneira a prevenir mais eficazmente um quadro de depressão pós-parto.
Paralelamente a este seguimento mais clínico, realizado por médicos e especialistas em saúde mental, é ainda recomendável que as recém-mães adotem alguns comportamentos, tais como: 1
- Não ter vergonha de pedir ajuda;
- Fazer exercício físico;
- Sair de casa e estar com outras pessoas;
- Reservar tempo para relaxar;
- Não ficar sobrecarregada;
- Não valorizar em demasia comentários negativos;
- Expor os medos e as emoções;
- Dedicar tempo para fazer coisas agradáveis.
Nunca é demais sublinhar que a depressão é uma doença e, por isso, carece de tratamento como qualquer outra patologia. A mulher que sofre de depressão pós-parto não é menos mãe do que aquela que não tem esta doença, nem ama menos o seu filho.
Por isso, é fundamental estar atento ao estado de espírito das recém-mamãs e oferecer ajuda, sempre que tal pareça ser necessário.
Fontes:
- Organização Mundial da Saúde. (2017). Pergunta-se ou acha que o seu bebé não a está a fazer feliz? Disponível aqui
- Unidade de Saúde Mental de Ligação do CHTS. Saúde mental na gravidez e pós-parto. Disponível aqui
- Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde. (2017). Depressão pós-parto: uma revisão sobre fatores de risco e de proteção. Disponível aqui
- Direção-Geral da Saúde. (2006). Promoção da Saúde Mental na Gravidez e Primeira Infância. Disponível aqui
- NHS. (2021). Postnatal depression. Disponível aqui
- American Psychiatric Association. (2020). What is Peripartum Depression (formerly Postpartum)? Disponível aqui
- Office on Women's Health. (2021). Postpartum depression. Disponível aqui



