O que é um eletrocardiograma e quando deve ser feito
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Sente falta de ar ou dor no peito? Descubra o que o eletrocardiograma (ECG) avalia e quando pode ser necessário realizar este exame.
Um dos exames mais realizados na área da cardiologia é o eletrocardiograma (ECG), que, normalmente, é a primeira abordagem para o despiste de doenças cardiovasculares.
Tratando-se de um exame complementar de diagnóstico, o ECG consegue registar a atividade elétrica do coração, incluindo a frequência e o ritmo.
Os resultados, que devem ser avaliados por um profissional de saúde, podem ajudar a diagnosticar enfartes e batimentos cardíacos irregulares.1, 2 e 3
Tipos de eletrocardiograma e monitorização cardíaca
O exame mais comum é o ECG em repouso, mas existem outros tipos, como o ECG de 12 derivações.
No entanto, se os sintomas tendem a ir e vir, um ECG regular pode não detetar uma alteração nos batimentos cardíacos. Neste tipo de casos, pode ser recomendado o dispositivo móvel Holter.
Conheça, a seguir, as modalidades mais comuns de um exame de ECG e as diferenças entre elas.1, 3 e 4
ECG em repouso
Realizado com a pessoa deitada, este exame é simples e rápido. Durante o procedimento, são colocados até 10 elétrodos no peito e, às vezes, nos braços ou pernas.
O ECG de 12 derivações é o método mais utilizado na prática clínica. Apesar de serem colocados até 10 elétrodos no corpo, as 12 derivações correspondem a diferentes perspetivas da atividade elétrica do coração.
Os fios dos elétrodos estão ligados a um computador, que exibe os resultados, apresentando sob a forma de ondas os sinais elétricos que percorrem o coração a cada batimento cardíaco.
Esta abordagem permite ao médico avaliar várias regiões cardíacas em simultâneo e identificar alterações associadas a arritmias, enfarte agudo do miocárdio ou outros problemas cardiovasculares.1, 3 e 4
ECG com prova de esforço
O eletrocardiograma com prova de esforço visa registar a atividade elétrica do coração através dos elétrodos colocados no doente, enquanto este realiza exercício numa passadeira ou numa bicicleta ergométrica.
O objetivo é avaliar a atividade do coração sob condições de esforço físico, de modo a mostrar possíveis alterações não reveladas no ECG em repouso.1 e 4
ECG Holter
O exame de Holter pode ser realizado se um ECG tradicional não fornecer detalhes suficientes sobre a condição do coração, sendo utilizado para detetar batimentos cardíacos irregulares (arritmias).
O Holter regista, com um dispositivo portátil, a atividade do coração durante 24 horas, para avaliar se o ritmo cardíaco se encontra nos valores normais. Dependendo dos casos, este exame também pode ser realizado durante 48 ou 72 horas.
O uso deste dispositivo pode ser recomendado para pessoas nas seguintes circunstâncias:1, 3, 4 e 5
- Episódios de desmaios sem causa aparente;
- Sintomas de batimentos cardíacos irregulares;
- Doenças cardíacas que aumentam o risco de arritmias, como síndrome de Brugada.
Estes exames ao coração permitem estudar, de forma aprofundada, os batimentos cardíacos ao longo de um dia, comparando esses resultados com as atividades e os sintomas do doente.
Quando deve ser feito um ECG?
Geralmente, o eletrocardiograma deve ser realizado sempre que exista suspeita de alguma doença cardiovascular.
Sintomas como falta de ar ou dor no peito podem justificar a realização de um ECG. Estes sinais podem estar associados a alterações do ritmo cardíaco, doença das artérias coronárias ou outras condições que afetam o funcionamento do coração.
Se o doente apresentar sintomas de doença das artérias coronárias ou problemas com a frequência ou regularidade dos batimentos cardíacos, o médico também pode recomendar a realização deste exame. Os sintomas a considerar incluem:1, 2, 3 e 4
- Tontura;
- Desmaio;
- Fraqueza;
- Falta de ar;
- Dor no peito;
- Pulso acelerado;
- Mãos e pés azulados (cianose);
- Batimentos cardíacos fortes, irregulares ou palpitações;
- Dificuldade de circulação sanguínea durante atividades físicas.
O ECG pode ser fundamental para confirmar o diagnóstico de arritmia ou enfarte agudo do miocárdio.
Desta forma, o doente pode avançar rapidamente para o tratamento e evitar potenciais complicações de saúde.
Quando procurar ajuda urgente
Se a dor no peito for súbita, intensa, opressiva ou acompanhada de falta de ar, sudorese, náuseas, irradiação para o braço, maxilar ou costas, ou perda de consciência, não aguarde por uma consulta agendada.
Contacte o 112 ou dirija-se de imediato a um serviço de urgência. Nestas situações, o ECG será realizado em contexto de urgência como parte da avaliação imediata.
Sintomas ligeiros, intermitentes ou já investigados anteriormente podem ser avaliados em consulta de cardiologia.
Segurança e riscos
Como não é utilizada radiação e não há risco de choque elétrico, o ECG pode ser feito por qualquer pessoa, incluindo grávidas e recém-nascidos.1, 3 e 4
Como interpretar os resultados de um exame ECG
A interpretação dos resultados deve ser sempre realizada por um profissional de saúde, tendo em conta os sintomas, a história clínica e outros exames complementares.
Os resultados do ECG podem ajudar a diagnosticar, por exemplo, uma frequência cardíaca anormalmente rápida (taquicardia) ou anormalmente lenta (bradicardia).
Em algumas situações, determinadas alterações no traçado do ECG podem ser compatíveis com um enfarte agudo do miocárdio ou sugerir que ocorreu uma lesão do músculo cardíaco.
O tempo entre as diferentes ondas ou picos, que representam os impulsos elétricos do coração, é analisado no exame. Um eletrocardiograma normal deve mostrar uma série regular de ondas que se repetem, ou seja:2, 3 e 4
- Uma pequena elevação (onda P), criada pelas câmaras superiores do coração (átrios);
- Um pico (complexo QRS), criado pelas câmaras inferiores do coração (ventrículos);
- Outra pequena elevação (onda T), que mostra o coração em repouso ou a recuperar após um batimento cardíaco.
Se os resultados evidenciarem uma alteração nos batimentos cardíacos, podem ser necessários exames complementares, como o ecocardiograma.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação clínica, o diagnóstico ou o tratamento prestados por um profissional de saúde. Perante sintomas cardiovasculares, consulte sempre um médico.
Fontes:



