Gota: o que causa esta doença e como identificá-la
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O sintoma mais comum de gota é dor na articulação inflamada. É essencial tratar esta doença para evitar outras complicações. Saiba que terapêutica existe.
A gota é uma doença reumática inflamatória, que surge devido à acumulação de níveis elevados de ácido úrico no sangue, em consequência do tipo de alimentação, excesso de peso ou a idade, entre outros fatores.
Esta condição pode ser tratada, desde que os pacientes tomem os medicamentos e cuidados necessários. 1
Porém, caso a gota não seja controlada, pode causar problemas nas articulações e complicações clínicas, nomeadamente no coração e nos rins.
O que é a gota?
O nome desta doença tem origem na palavra latina guta e remete para a acumulação “gota a gota” de cristais nas articulações.
Quem não sofre de gota ou não conhece ninguém com esta patologia, pode pensar que este é um problema datado e que já não tem expressão na sociedade atual. Contudo, a gota ainda existe, sendo cada vez mais predominante, também fruto dos maus hábitos alimentares.
Em Portugal, estima-se que a gota afete 1,3% da população, com especial incidência entre os homens, a partir dos 40 e 60 anos. Este problema também pode surgir nas mulheres, mas geralmente mais tardiamente, habitualmente já depois dos 60 anos. 2
Quais os sintomas?
O sintoma mais comum de gota é dor na articulação afetada. Apesar de habitualmente o surto de gota afetar a articulação do dedo grande do pé, ela pode atingir outras articulações do corpo.
Por norma, as crises de gota são mais frequentes à noite e o principal sintoma de inflamação é a articulação apresentar-se inchada, vermelha e quente. A febre é outro dos sintomas possíveis.
Estas crises podem estar associadas à ingestão excessiva de certos alimentos, bebidas alcoólicas e medicamentos, como também podem ser uma reação a determinados traumas físicos ou patologias.
É expectável que estas crises não se prolonguem por mais de uma ou duas semanas. A frequência destas crises varia de indivíduo para indivíduo, podendo acontecer todos os meses ou passarem anos sem ocorrer nenhuma. Certo é que, se a doença não for devidamente controlada e tratada, é provável que as crises se tornem mais regulares e duradouras.3
Quais os fatores de risco associados à gota?
A gota resulta de hiperuricemia, ou seja, do excesso de ácido úrico no sangue. O nosso organismo produz ácido úrico para dissolver as purinas, substâncias que existem em grande quantidade em certos produtos, como bebidas alcoólicas, carnes vermelhas, fígado, marisco, entre outros.
Numa situação normal, o ácido úrico é dissolvido no sangue e excretado na urina pelos rins. No entanto, se o corpo produzir muito ácido úrico ou não excretar o suficiente, ele pode acumular-se e formar cristais, que vão originar inflamação e dor nas articulações e nos tecidos circundantes.
Há maior risco de sofrer de hiperuricemia quando estão presentes os seguintes fatores de risco:
- Idade avançada: a gota é mais comum em pessoas mais velhas;
- Sexo: em pessoas com menos de 65 anos, a gota é quatro vezes mais prevalente nos homens do que nas mulheres;
- Genética: quem tem casos de gota na família corre mais riscos de sofrer desta doença;
- Alimentação: uma dieta rica em purinas aumenta a quantidade de ácido úrico presente no corpo, elevando, assim, o risco de desenvolver gota;
- Exposição ao chumbo: há estudos que sugerem que uma exposição continuada ao chumbo pode aumentar o risco de se ter esta doença;
- Medicamentos: alguns medicamentos podem aumentar os níveis de ácido úrico no organismo, como certos diuréticos ou fármacos com salicilato;
- Peso: quem tem excesso de peso ou obesidade também corre maior risco de sofrer de gota;
- Outras condições de saúde: problemas como a insuficiência renal e outras complicações do foro renal podem diminuir a capacidade do corpo em excretar resíduos, conduzindo a um aumento dos níveis de ácido úrico presentes no sangue. Além disso, quem tem hipertensão e diabetes costuma apresentar maior propensão para sofrer de gota.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico definitivo de gota é, normalmente, baseado na identificação de cristais de monourato de sódio no líquido sinovial ou em aspirado de tofos gotosos.
Isto significa que, quando há suspeitas de um paciente sofrer de gota, é feita uma procura sistemática de cristais de MUS no líquido sinovial, o líquido retirado das articulações inflamadas.
Além disso, o diagnóstico também pode ser feito quando se está perante um doente com hiperuricemia e com sintomas associados à gota.
Os exames complementares, como o exame microbiológico do líquido sinovial, servem essencialmente para distinguir entre uma crise de gota e uma artrite infeciosa.
Quando a doença já se encontra mais avançada, as radiografias também se podem revelar úteis para documentar erosões com margens escleróticas. A ecografia articular permite ainda identificar:
- O tipo de inflamação (derrame articular ou Doppler positivo);
- As lesões causadas pela doença (erosões intra-articulares, por exemplo);
- A acumulação de cristais (duplo contorno).
Os níveis sanguíneos de ácido úrico servem, essencialmente, para ajustar a dose de medicação necessária para cada doente. 5
Como tratar a gota e gerir as suas crises?
O tratamento da gota costuma compreender duas fases distintas, com terapêuticas diferentes, adequadas ao momento da doença que o paciente está a viver.
Assim, nos períodos de crise, o doente deve ter uma abordagem mais incisiva no alívio dos sintomas, enquanto nas fases não agudas, importa apostar na prevenção das crises e no controlo da doença.5
Terapêutica da crise de artrite aguda
Apesar de passageiras, as crises de gota podem ser particularmente dolorosas e, por isso, faz sentido intervir com uma terapêutica de crise, capaz de atenuar rápida e eficazmente os principais sintomas de desconforto.
Independentemente da localização da artrite, esta terapêutica costuma ser composta por anti-inflamatórios não esteroides e doses baixas de colquicina, isolados ou em combinação.
Em certos casos, pode também recorrer-se a doses baixas de corticosteroides (como a prednisolona) ou a uma infiltração com corticosteroide na articulação inflamada.5
Terapêutica para baixar o ácido úrico
Fora dos períodos de crise, importa manter a gota controlada, baixando os níveis de ácido úrico presentes no sangue. Para isso, é importante a toma de fármacos hipouricemiantes.
Inicialmente, a toma destes medicamentos é feita a par com a toma de um anti-inflamatório não esteroide, para evitar o surgimento de crises. Este tratamento deve ser iniciado após as crises estarem controladas e mantido até ao fim da vida, sendo que o objetivo é que, com esta terapêutica, o doente consiga atingir níveis de ácido úrico inferiores a 5/6 mg/dL no sangue.5
Quais as potenciais consequências da gota?
Caso a gota não seja controlada, nem tratada, a acumulação progressiva de cristais nas articulações pode conduzir à formação de caroços duros sob a pele, dentro e ao redor das articulações e de outros órgãos.
Apesar de, inicialmente, serem indolores, estes caroços podem tornar-se dolorosos e prejudicar os ossos e tecidos moles, deformando as articulações.
Além disso, o facto de se ter gota aumenta o risco de desenvolver certas condições e complicações clínicas, nomeadamente no coração e nos rins. Alguns desses possíveis problemas são: 3,4
- Hipertensão arterial;
- Doença renal crónica;
- Obesidade;
- Diabetes;
- Nefrolitíase (pedras nos rins);
- Enfarte do Miocárdio;
- Insuficiência cardíaca.
Fontes
-
Harvard Medical School. (2023). All about gout. Disponível aqui
-
A Gota não nos pára. O que é a gota? Disponível aqui
-
National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases. (2023) Gout. Disponível aqui
-
Medical News Today. (2023). What to know about gout. Disponível aqui
-
Sociedade Portuguesa de Reumatologia. Gota. Disponível aqui



