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Saúde

Plaquetas baixas nas análises: causas e como melhorar estes valores

24 maio 2021
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As plaquetas são células sanguíneas responsáveis pelo controle da hemorragia. É importante conhecer as causas que provocam a diminuição das plaquetas.

Perante uma hemorragia, as plaquetas funcionam como um “tampão”, formando um coágulo sanguíneo que ajuda a impedir a hemorragia excessiva.

 

Os níveis de plaquetas baixas (trombocitopenia) podem prejudicar a coagulação adequada nos vasos sanguíneos e facilitar a hemorragia.

 

Existem várias condições clínicas que podem diminuir os níveis de plaquetas. É fundamental conhecê-las e saber como atuar.

 

O que são plaquetas? 

 

As plaquetas são células sanguíneas responsáveis pela coagulação do sangue, permitindo controlar a hemorragia e ajudar na cicatrização de feridas ou cortes na pele.

 

Estes componentes do sangue têm inúmeras funções e apresentam vantagens na resposta imune e inflamatória individual e em doenças específicas caracterizadas pela ativação local e sistémica das plaquetas.

 

As plaquetas são produzidas na medula óssea (no interior dos ossos) e circulam nos vasos sanguíneos, sendo renovadas a cada 8 a 10 dias, em média.

 

Quais os valores normais para as plaquetas?

 

O valor normal das plaquetas encontra-se entre 150.000 e 400.000 por microlitro de sangue. Esta contagem normal permite às plaquetas desempenharem as suas funções.

 

Qualquer diminuição abaixo do valor mínimo normal, vai provocar alterações no controlo da hemorragia e, consequentemente, dificuldade na formação do “tampão plaquetário”, ou seja, da coagulação dos vasos sanguíneos.

 

A condição em que as plaquetas estão abaixo do valor mínimo normal denomina-se de trombocitopenia.

 

Esta diminuição pode ter vários graus consoante o número de plaquetas:

 

  • Leve (entre 100.000 a 150.000/microlitro);

  • Moderada (50.000 a 99.000/microlitro);

  • Grave (<50.000/microlitro).

 

Contudo, estes números devem ser interpretados no contexto de doença existente. Uma trombocitopenia grave confere um maior risco de hemorragia, mas esta relação é, por vezes, imprevisível.

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Plaquetas baixas? Quais são as causas?

 

As causas de trombocitopenia podem ser variadas e deve-se à diminuição da capacidade de produzir plaquetas pela medula óssea, da sua degradação mais rápida ou da alteração da sua função:

 

  • Auto-imune como a Púrpura Trombocitopénica;

  • Induzida por medicamentos;

  • Tratamentos oncológicos (quimioterapia, radioterapia);

  • Infeções bacterianas, víricas (hepatite, HIV ou parasitárias);

  • Doença hepática crónica;

  • Consumo excessivo de álcool;

  • Anemia por deficiência de nutrientes (vitamina B12, ácido fólico..);

  • Doenças reumatológicas auto-imunes (lúpus, artrite reumatoide,…);

  • Síndromes hereditários (doença de Von WIllebrand 2B, síndrome de Fanconi, …).

 

Quais são os sintomas de plaquetas baixas?

 

Normalmente, os casos leves de trombocitopenia são assintomáticos.

 

Os sintomas só começam a aparecer quando o número de plaquetas se encontra muito abaixo do normal e podem ser:

 

  • Aparecimento de nódoas negras ou petéquias (áreas punctiformes vermelhas) com facilidade;

  • Dificuldade em “estancar” uma hemorragia mesmo numa ferida pequena, hemorragia nasal ou gengival;

  • Nas mulheres, verifica-se menstruação abundante.

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Como é feito o diagnóstico das plaquetas baixas? 

 

O diagnóstico de plaquetas baixas é feito através da avaliação dos sintomas existentes, da história clínica e do exame físico do doente.

 

Para confirmar o diagnóstico, é feita a análise de uma amostra de sangue, mais precisamente do hemograma que é o parâmetro que avalia a quantidade de células sanguíneas e as suas características.

 

A colheita de sangue é suficiente para avaliar o número de plaquetas. Em casos especiais é realizada uma biópsia da medula óssea.

 

Quanto tempo depois se devem voltar a repetir as análises para ver a normalização?

 

A contagem de plaquetas não faz sentido sem o contexto clínico.

 

Para doentes com sinais de hemorragia, por exemplo, ou para indivíduos com trombocitopenia grave (<50.000/microlitro), estes devem repetir as análises o mais breve possível.

 

Em doentes assintomáticos com trombocitopenia moderada (entre 50.000 a 100.000/microlitro), a repetição da colheita de sangue deve ser realizada em 1 a 2 semanas (período em que deve estar atento ao aparecimento de sintomas).

 

Já em pacientes assintomáticos com diminuição leve das plaquetas (entre 100.000 a 149.000/microlitro), as análises devem ser repetidas em 1 a 2 meses. Uma percentagem de pessoas terá já na nova colheita de sangue um valor normal de plaquetas.

 

Geralmente, as causas mais frequentes de trombocitopenia leve e isolada podem ser a introdução de algum medicamento novo ou anemia com deficiência nutricional.

Plaquetas baixas na gravidez e em crianças

 

A maioria das grávidas tem uma contagem de plaquetas normal. Cerca de 5 a 10% das mulheres desenvolvem uma trombocitopenia incidental durante a gravidez, designada como trombocitopenia gestacional. Geralmente, esta condição clínica ocorre no final da gestação, é assintomática e resolve-se espontaneamente após o parto.

 

Não existe um risco associado de hemorragia fetal ou trombocitopenia hereditária e, portanto, não há nenhum cuidado obstétrico adicional.

 

No entanto, se a contagem de plaquetas está abaixo de 70.000 a 80.000 por microlitro de sangue, deve ser realizada uma avaliação mais rigorosa.

 

Se acompanhada de outros sintomas de alarme como insuficiência renal, hipertensão, anemia hemolítica, a grávida deve ser estudada para patologias mais sérias como a síndrome HELLP (hemólise, elevação dos parâmetros de função hepática, diminuição de contagem de plaquetas), a pré-eclâmpsia ou a púrpura trombocitopénica trombótica.

 

Nas crianças, a diminuição do número de plaquetas é, tipicamente, leve e assintomática. Os sintomas quando existentes são nódoas negras ou hemorragia fácil, ou hemorragia nas mucosas. A hemorragia intracraniana é rara, mas pode ser causa de morte nas crianças.

 

Como tratar?

 

Na presença de trombocitopenia leve, poderá não ser requerido nenhum tratamento.

 

Se existirem sintomas associados, pode ser necessário algum ajuste na medicação, na dieta ou avaliação, mais pormenorizada de alguma doença hematológica/hepática. Em casos mais graves, pode ser indicada a transfusão de plaquetas.

 

Estar atento aos sintomas e a prevenção de complicações é fundamental

 

Em caso de aparecimento de algum sintoma de novo ou inexplicável por outra situação, é muito importante o aconselhamento junto do médico assistente que dará início ao processo de investigação do problema.

 

Mantendo uma alimentação equilibrada e regrada, evitar nódoas negras/feridas ou infeções víricas, ou bacterianas pode ajudar na prevenção de complicações.

Fontes:

 

  1. Jackson, S.P., The growing complexity of platelet aggregation. Blood, 2007. 109(12): p. 5087-5095. Disponível aqui. 

  2. Ware, J., A. Corken, and R. Khetpal, Platelet function beyond hemostasis and thrombosis. Current opinion in hematology, 2013. 20(5). Disponível aqui. 

  3. Buckley, M.F., et al., A novel approach to the assessment of variations in the human platelet count. Thrombosis and haemostasis, 2000. 83(03): p. 480-484. Disponível aqui.

  4. Sekhon, S.S. and V. Roy, Thrombocytopenia in adults: a practical approach to evaluation and management. SOUTHERN MEDICAL JOURNAL-BIRMINGHAM ALABAMA-, 2006. 99(5): p. 491. Disponível aqui. 

  5. Reese, J.A., et al., Platelet counts during pregnancy. New England Journal of Medicine, 2018. 379(1): p. 32-43. Disponível aqui. 

  6. Israels, S.J., et al., Platelet disorders in children: a diagnostic approach. Pediatric blood & cancer, 2011. 56(6): p. 975-983. Disponível aqui.

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