Como tratar a alergia ao sol de forma eficaz
Copiado!
A comichão é um dos sintomas de alergia solar, que nem sempre se manifesta da mesma forma. Saiba como tratar a alergia ao sol e o que deve evitar.
O termo médico para alergia ao sol é erupção polimorfa à luz. Embora o nome mais popular possa soar a uma reação simples, esta é, na verdade, uma resposta do sistema imunitário da pele à luz solar, podendo ser bastante desconfortável e, em casos mais raros, grave.
Saber como tratar a alergia ao sol é fundamental não só para aliviar os sintomas como para prevenir futuras manifestações. 1 e 2
Tipos mais comuns de alergia ao sol
A erupção polimorfa à luz é a forma mais comum de alergia, mas não é a única. As outras podem incluir:1, 2 e 3
- Urticária solar: em casos raros, pode ocorrer urticária, após alguns breves minutos de exposição ao sol e os sintomas podem variar de leves a graves;
- Prurigo actínico: menos comum, o prurigo actínico é caracterizado por pápulas ou nódulos elevados na pele, podendo afetar outras áreas da pele que não foram expostas ao sol;
- Erupção fotoalérgica: este tipo de alergia ao sol ocorre quando um produto químico aplicado na pele reage com a luz solar. Medicamentos, maquilhagem ou protetor solar são alguns exemplos. Os sintomas de uma reação fotoalérgica podem aparecer algumas horas ou dias após a exposição ao sol.
Sintomas da alergia ao sol
Geralmente, os sintomas da alergia ao sol surgem no “V” do pescoço, no dorso das mãos, na superfície externa dos braços e na parte inferior das pernas.
Os sintomas ocorrem apenas na pele exposta ao sol ou como reação a outra fonte de luz UV (ultravioleta), podendo surgir minutos ou horas após a exposição, e incluir:2, 3 e 4
- Ardor;
- Comichão (prurido);
- Bolhas ou urticária;
- Vermelhidão na área exposta;
- Pequenas saliências que podem fundir-se em áreas elevadas.
Fatores de risco
As alergias solares surgem apenas em certas pessoas sensíveis e, em alguns casos, podem ser desencadeadas simplesmente por uma breve exposição ao sol. Algumas formas de alergia solar são, inclusive, hereditárias.
Qualquer pessoa pode ter uma alergia ao sol, sendo que certos tipos são mais comuns entre pessoas com pele mais clara ou mais escura.
Determinadas substâncias, como produtos químicos usados em alguns protetores solares, assim como ter uma condição de pele, como dermatite, aumenta o risco de ter uma reação alérgica após a exposição solar.
Além disso, há medicamentos que podem aumentar o risco de ter uma reação fotoalérgica, incluindo:1 e 3
- Diuréticos;
- Antibióticos;
- Antifúngicos;
- Anti-inflamatórios não esteroides;
- Hormonais, como a pílula anticoncecional;
- Medicamentos para reduzir os níveis de colesterol;
- Retinoides, frequentemente usados para acne e para combater o envelhecimento.
As reações ao sol são também mais comuns na primavera e no início do verão, uma vez que a frequência à exposição solar é maior.
Com a exposição contínua ao sol durante os meses de verão, a pele pode, por vezes, desenvolver uma certa resistência, diminuindo a probabilidade de uma reação alérgica.
Qual é a diferença entre alergia ao sol e brotoeja?
A erupção polimórfica à luz pode ser semelhante a uma dermatite inflamatória designada por miliária rubra, comummente conhecida como brotoeja.
A brotoeja caracteriza-se pela obstrução dos poros e pode ocorrer sem qualquer tipo de exposição à luz solar.
Em climas quentes e húmidos, a brotoeja pode surgir em qualquer parte do corpo perante a presença de suor, especialmente nas dobras da pele.
As áreas que podem apresentar um maior risco desta condição incluem:2, 5, 6, 7 e 8
- Axilas;
- Virilha;
- Sob a mama;
- Entre a parte interna das coxas.
Por outro lado, a urticária solar ocorre apenas como resultado da exposição à luz do sol, tratando-se de uma reação alérgica rara com uma maior probabilidade de ser um problema a longo prazo.
Esta condição pode ser bastante incapacitante e difícil de controlar e, geralmente, tem um início súbito.
No entanto, em algumas pessoas, a urticária solar acaba por desaparecer eventualmente.
Alergia ao sol: como aliviar
Geralmente, a erupção polimórfica à luz desaparece numa semana se evitar a exposição solar, embora esta possa voltar se a pele for novamente exposta ao sol.
Porém, existem medidas que podem aliviar a erupção cutânea e prevenir o seu regresso, nomeadamente:1 e 4
- Tomar um anti-histamínico se a erupção causar prurido;
- Manter-se hidratado, bebendo bastante água;
- Aplicar produtos hidratantes na pele, como cremes, para aliviar a irritação e manter a pele fresca;
- Afastar-se da luz solar, especialmente nos horários em que os raios do sol estão mais fortes.
Quando consultar o médico
Em caso de suspeita de alergia solar, consulte o médico ou dermatologista.
Perante uma reação alérgica severa ao sol, cujos sintomas incluam dor no peito, cãibras musculares, angioedema (“inchaços” das zonas finas da pele, nomeadamente lábios), falta de ar, fraqueza repentina e intensa, e desmaio, procure ajuda médica imediatamente.
O diagnóstico que vai permitir saber como tratar a alergia ao sol depende da análise dos sintomas, dos medicamentos que toma e dos produtos que aplica na pele.
Por vezes, podem ser necessários exames adicionais, tais como:1 e 2
- Exames de sangue para excluir outras condições de saúde, como lúpus;
- Testes de resistência à luz, que envolvem a colocação de diferentes fontes de luz (artificial e natural), comprimentos de onda e intensidade a poucos centímetros da pele. Se os sintomas da pele surgirem após a exposição, o exame confirma que a erupção cutânea está relacionada com o sol.
O prognóstico costuma ser bastante positivo, principalmente se usar protetor solar e roupas protetoras com frequência.
Como tratar a alergia ao sol
Em caso de alergia ao sol, o tratamento mais natural e eficaz passa por evitar a exposição solar, o que pode impedir que os sintomas se agravem.
Já outros tratamentos dependem do tipo específico de alergia solar:1, 2 e 4
- Urticária solar: se a urticária for leve, os anti-histamínicos orais para aliviar a comichão ou um creme que contenha cortisona podem aliviar os sintomas. Caso a urticária seja mais grave, o médico pode recomendar um corticosteroide tópico ou oral e/ou fototerapia.
- Prurigo actínico: as opções de tratamento incluem corticosteroides tópicos e fototerapia com radiação UV específica.
- Erupção fotoalérgica: o objetivo do tratamento é identificar e eliminar o medicamento ou o produto cosmético para a pele que pode estar a desencadear a reação alérgica. Normalmente, os sintomas cutâneos podem ser tratados com cremes corticosteroides.
Cuidados a ter com o sol
Há estratégias que pode seguir para prevenir os sintomas de uma alergia solar, nomeadamente:2 e 3
- Usar óculos de sol com proteção contra raios ultravioleta;
- Evitar a exposição repentina ao sol em excesso;
- Evitar a exposição solar entre as 10h00 e as 16h00, período de maior intensidade solar;
- Evitar gatilhos conhecidos, como medicamentos ou vitaminas que possam provocar reações cutâneas;
- Usar protetor solar concebido especialmente para os lábios;
- Aplicar protetor solar antes de sair de casa com um fator de proteção de pelo menos 30, voltando a aplicar a cada duas horas ou com maior frequência se nadar ou transpirar;
- Usar calças compridas, camisolas de mangas compridas e chapéus com abas largas.
Fontes:
-
Cleveland Clinic (2022). Sun Allergy. Disponível aqui.
-
Harvard Health Publishing (2024). Sun allergy (photosensitivity). Disponível aqui.
-
Mayo Clinic (2024). Sun allergy - Symptoms & causes. Disponível aqui.
-
NHS (2025). Polymorphic light eruption. Disponível aqui.
-
Healthline (2022). Everything You Should Know About Solar Urticaria. Disponível aqui.
-
WebMD (2024). What Is Solar Urticaria? Disponível aqui.
-
NCBI (2023). Solar Urticaria. Disponível aqui.
-
Medscape (2025). Solar Urticaria. Disponível aqui.



