VIH vs SIDA: quando é que o vírus evolui para doença?
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Nem todas as pessoas infetadas com VIH desenvolvem SIDA, uma vez que há tratamentos que impedem que o vírus evolua para doença. Perceba de que modo.
Quando se fala em VIH e SIDA, é comum existirem questões relacionadas com o vírus e a doença em si, muitas vezes confundidas como sendo o mesmo.
O VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana), ou HIV (Human Immunodeficiency Virus), em inglês, causa a SIDA, sigla de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
O vírus VIH ataca e destrói o sistema imunitário da pessoa infetada, o que significa que os mecanismos de defesa do seu corpo não conseguem protegê-la de doenças e infeções. Existem, ainda, dois tipos de VIH: VIH 1 e VIH 2, sendo o primeiro mais frequente, a nível mundial.
A SIDA, que pode surgir após a infeção pelo VIH, é uma doença que se caracteriza pela deficiência do sistema imunitário, que vai perdendo, cada vez mais, a capacidade de resposta ao longo da sua evolução.
Por isso, estar infetado com o VIH não é o mesmo que ter SIDA. Um indivíduo infetado com o VIH é seropositivo e pode, ou não, desenvolver SIDA. Se o VIH não for tratado, pode evoluir para SIDA.1,2
Os sintomas do VIH são visíveis?
Os portadores do VIH são, na sua maioria, assintomáticos, daí a doença disseminar-se tão amplamente. Após a infeção, alguns sintomas assemelham-se aos da gripe, entre duas a quatro semanas, podendo durar alguns dias ou várias semanas.
Em algumas pessoas, os sintomas do VIH não se manifestam. A única maneira de saberem se têm o VIH é através de testes serológicos.
Em todo o caso, os sintomas do VIH são iguais, sendo que o VIH 2 progride menos para SIDA, transmitindo-se menos.2
Quais são os sintomas do VIH?
O tratamento do VIH pode retardar ou prevenir a progressão da doença e, com os avanços no tratamento, a evolução para a SIDA é menos comum atualmente do que quando o vírus surgiu.
Os sintomas do VIH e SIDA podem variar dependendo da pessoa e se esta tem o VIH 1 ou o VIH 2.2,3
O VIH 1
Um dos vírus, o VIH 1, designa-se por infeção aguda pelo VIH.
A maioria das pessoas infetadas pelo VIH apresentam sintomas de curta duração, semelhantes à gripe, que ocorrem entre duas a seis semanas após a infeção.
Depois disso, o VIH pode não causar nenhum sintoma durante vários anos. Estima-se que até 80% das pessoas infetadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana sofrem dos seguintes sintomas: 4
- Temperatura elevada (febre);
- Erupção cutânea;
- Dor de garganta.
Outros sintomas do VIH 1 incluem:5
- Cansaço;
- Dor de cabeça;
- Músculos doridos;
- Inchaço nos gânglios linfáticos;
- Úlceras (feridas) na boca, esófago, ânus ou órgãos genitais;
- Uma erupção cutânea vermelha, geralmente no tronco, que não provoca comichão.
Estes sintomas do VIH podem ser tão subtis que não são notados. A quantidade de Vírus da Imunodeficiência Humana na corrente sanguínea, designada carga viral, é elevadíssima neste estágio primário.
O VIH 1 transmite-se mais facilmente do que o VIH 2. 2,3
O VIH 2
Outro dos vírus, o VIH 2, designa-se por infeção crónica pelo VIH ou latência clínica.
As pessoas podem não apresentar nenhum sintoma nem ficar doentes, mas podem transmitir na mesma o VIH. Após o desaparecimento dos sintomas iniciais, o VIH pode não provocar mais sintomas durante muitos anos.
Durante esse período, este vírus continua ativo e causa danos progressivos ao sistema imunitário. Este processo varia de pessoa para pessoa, mas pode levar até 10 anos.
Quando o sistema imunitário fica gravemente comprometido, os sintomas podem incluir: 2,3,4
- Febre;
- Cansaço;
- Perda de peso;
- Diarreia crónica;
- Suores noturnos;
- Problemas de pele;
- Infeções recorrentes;
- Doenças graves com risco de morte;
- Gânglios linfáticos inchados (costuma ser um dos primeiros sintomas da infeção pelo VIH);
- Infeção oral por fungos (também chamada candidíase);
- Herpes zoster, vulgarmente conhecida por zona.
Ambos os vírus têm um processo patológico bastante semelhante, embora se conste que o VIH 2 evolui com o aumento das células T CD4+, responsáveis pela coordenação da resposta do sistema imunitário. No entanto, a resposta imunitária do organismo é mais protetora no caso da infeção pelo VIH 2, retardando, assim, a progressão para SIDA.5
A prevenção e a deteção precoce são fundamentais para evitar complicações futuras.
Quais são as causas da SIDA?
No ciclo VIH e SIDA, ter a SIDA significa estar doente e não apenas infetado. As pessoas infetadas pelo VIH podem ter sintomas e, depois, passar anos em latência, mas transmitem sempre o vírus. Já as pessoas com SIDA, normalmente, têm infeções ‘oportunistas’, porque estão muito mais debilitadas.
Isto acontece quando o número de células T CD4+ fica abaixo de 200, o que significa que o sistema imunitário está gravemente danificado. Há, igualmente, um conjunto de “doenças definidoras da SIDA”. Quando uma pessoa com o VIH apresenta essas doenças em simultâneo, admite-se a existência de SIDA.
Algumas delas, como o sarcoma de Kaposi (uma forma de cancro da pele) e a pneumocistose (uma doença pulmonar) também são consideradas doenças que “definem”, por assim dizer, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
Os pacientes com SIDA podem apanhar uma infeção ‘oportunista’, ou seja, uma doença que ocorre com mais frequência, mas que é pior em pessoas com um sistema imunitário enfraquecido. 3,5
Os primeiros sintomas da SIDA
Sem tratamento antirretroviral, as pessoas com SIDA sobrevivem, normalmente, cerca de três anos. Isto depende de cada caso; se uma pessoa com a SIDA apanhar uma pneumonia ‘oportunista’, pode falecer.
Os infetados com SIDA têm uma maior probabilidade de desenvolver doenças (infeções ‘oportunistas’) que não contrairiam se tivessem um sistema imunitário saudável.
Se, até ao momento, a pessoa infetada pelo VIH não se apercebeu ou não sentiu nenhum sintoma, neste estágio final provocado pelo VIH os sintomas já se manifestam: 2,3,5
- Sensação de cansaço constante;
- Gânglios linfáticos inchados no pescoço ou na virilha;
- Febre duradoura (mais de 10 dias);
- Suores noturnos;
- Perda de peso sem motivo aparente;
- Manchas arroxeadas na pele que não desaparecem;
- Falta de ar;
- Diarreia grave e duradoura;
- Infeções fúngicas na boca, garganta ou vagina;
- Contusões ou sangramentos inexplicáveis;
- Sintomas neurológicos, como perda de memória, confusão, problemas de equilíbrio, alterações de comportamento, convulsões e alterações na visão.
O VIH é uma infeção sexualmente transmissível?
Sim, mas não só.
O VIH é transmitido, principalmente, através de relações sexuais desprotegidas ou da partilha de seringas e outros equipamentos de injeção por alguém infetado pelo VIH.
Há vários comportamentos de risco e o consumo de substâncias pode contribuir indiretamente para estes riscos, já que o álcool e outras drogas podem diminuir as inibições das pessoas e torná-las menos propensas a utilizar preservativo.6
As principais formas de contágio do VIH
Uma pessoa pode ser infetada pelo VIH se sangue, sémen ou fluídos infetados entrarem no seu corpo. Isto pode acontecer através de: 3
- Relações sexuais desprotegidas: não utilizar preservativo em relações sexuais vaginais ou anais com um parceiro infetado pelo VIH. Esta forma de contágio do VIH acontece através de feridas na boca ou de fluídos, que podem surgir no reto ou na vagina durante as relações sexuais;
- Partilha de seringas: há um risco alto de contrair o VIH e outras doenças infeciosas, como hepatite, através da utilização de material infetado;
- Transfusões de sangue: apesar de os hospitais e os bancos de sangue examinarem o sangue para detetar o vírus, este pode ser transmitido através do sangue de um doador infetado, sendo este risco maior em países em vias de desenvolvimento;
- Gravidez, parto ou amamentação: grávidas infetadas com o VIH podem transmiti-lo aos seus bebés. No entanto, as mulheres seropositivas que recebem tratamento antirretroviral durante a gravidez podem reduzir, significativamente, este risco.
Ter uma infeção sexualmente transmissível (IST) faz com que uma pessoa corra um maior risco de contrair o VIH e SIDA. Muitas IST causam feridas nos órgãos genitais, que permitem que o VIH entre no corpo.
Como viver com um diagnóstico de SIDA?
Apesar dos tratamentos utilizados para travar a evolução do VIH, viver com um diagnóstico de SIDA é difícil.
O VIH e a SIDA ainda não têm cura, mas têm sido realizados estudos científicos no sentido de perceber como eliminar o vírus do organismo.
O estigma do VIH ainda está enraizado e subsistem conceitos errados sobre como este é transmitido e o que significa viver com o VIH e SIDA.
Esta falta de informação e sensibilização, combinada com crenças ultrapassadas, levam as pessoas a temer contrair o VIH. Além disso, muitas pessoas associam este problema a alguns grupos de pessoas. Isto leva a julgamentos de valor negativos sobre os pacientes que vivem com o VIH e a SIDA.
Falar abertamente sobre o VIH pode ajudar a normalizar o assunto e também proporciona oportunidades para corrigir conceitos errados e ajudar outras pessoas a aprender mais sobre o tema.7
A importância do rastreio do VIH
Fazer o teste ao Vírus da Imunodeficiência Humana é a única forma de saber se se está infetado. O VIH não é diagnosticado com base nos sintomas. Em caso de dúvida, o melhor é recorrer ao rastreio do VIH e SIDA.
O teste mais comum ao VIH é o teste de rastreio que pesquisa os anticorpos ao vírus no sangue. Os anticorpos do VIH são uma espécie de proteína que o organismo produz em resposta à infeção do VIH.
Estes testes serológicos não exigem preparação e não é preciso estar em jejum. Pode ser feito através de: 8
- Sangue extraído de uma veia;
- Uma picada no dedo.
Nestas situações, é importante procurar soluções que o ajudem a ter a certeza se está ou não infetado com o Vírus da Imunodeficiência Humana. Na Unilabs, tem à sua disposição três testes IST, que permitem diagnosticar o VIH isoladamente, assim como as infeções sexualmente transmissíveis mais frequentes.
Estas análises clínicas pesquisam vírus ou anticorpos em circulação, como a infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana.
Existem tratamentos para travar a evolução do VIH?
Atualmente, ainda não há cura para o VIH e a SIDA. Depois de uma pessoa contrair o VIH, fica com o vírus para o resto da vida.
Porém, as pessoas que recebem tratamento eficaz para o VIH podem viver vidas longas e saudáveis, assim como proteger os seus parceiros.
VIH e SIDA: o que fazer com este diagnóstico?
Pessoas com diagnóstico do VIH ou SIDA devem fazer um tratamento antirretroviral, independentemente do estágio em que o Vírus da Imunodeficiência Humana ou a Síndrome da Imunodeficiência Humana se encontrem.
Cada classe de medicamentos bloqueia o vírus de maneiras diferentes. O tratamento envolve a mistura de medicamentos de diferentes classes para: 2 e 9
- Evitar a resistência aos medicamentos (genótipo viral);
- Evitar criar novas estirpes do VIH resistentes aos medicamentos;
- Suprimir o vírus no sangue tanto quanto possível.
Independentemente da contagem das células T CD4+ ou dos sintomas causados pelo VIH e SIDA, todas as pessoas infetadas devem receber um tratamento antirretroviral.
Estes tratamentos evitam que a carga viral do VIH seja detetada, o que permite: 9
- Manter o sistema imunitário forte;
- Reduzir as hipóteses de contrair infeções ‘oportunistas’;
- Reduzir as probabilidades de contrair o VIH resistente ao tratamento;
- Reduzir as hipóteses de transmitir o VIH a outras pessoas.
Manter um tratamento antirretroviral pode ser difícil. Ao consultar o médico, o paciente deve informar-se sobre possíveis efeitos destes medicamentos.
VIH: cuidados a ter
Cumprir medidas de prevenção continua a ser a única forma de proteção contra a infeção pelo VIH. Algumas medidas para prevenir a transmissão são: 3,6
- Usar métodos contracetivos de barreira: usar sempre um preservativo novo nas relações vaginais ou anais. Se utilizados, os lubrificantes devem ser à base de água, uma vez que os lubrificantes à base de óleo enfraquecem os preservativos, podendo rompê-los;
- Contar aos parceiros sexuais: é importante contar aos parceiros sexuais atuais e anteriores que se tem o VIH, uma vez que precisarão de ser testados;
- Considerar profilaxia pré-exposição: também chamada PrEP, estes medicamentos podem reduzir o risco de contrair o VIH, através de relações sexuais em cerca de 99% e de injeção de substâncias em pelo menos 74%;
- Usar profilaxia pós-exposição: também chamada PEP, esta medicação pode reduzir significativamente o risco de contrair o VIH. Deve ser tomada nas primeiras 72 horas caso a pessoa considere que foi exposta ao vírus;
- Usar tratamentos de prevenção, também chamado TARV (Terapêutica Antirretroviral): a toma destes medicamentos pode evitar que o parceiro seja infetado pelo Vírus da Imunodeficiência Humana.
Como lidar com o diagnóstico da SIDA?
Além de receber um tratamento antirretroviral, uma pessoa infetada com o VIH tem que ter um papel ativo na sua saúde.
Graças aos progressos científicos alcançados, viver com este vírus e com a SIDA não é um atestado mortal.
Mesmo com a condição imposta do Vírus da Imunodeficiência Humana, é possível fazer um planeamento familiar adequado ou até viajar para fora do país. 10
Caso o VIH evolua para SIDA, como se convive com esta doença?
Além do tratamento antirretroviral, uma pessoa com SIDA pode e deve ter um papel ativo nos seus próprios cuidados de saúde. Isto pode ajudá-la a permanecer saudável por mais tempo. Isso é possível através de: 9
- Alimentação saudável: alimentos como frutos e vegetais frescos, grãos integrais e proteínas magras apoiam o sistema imunitário, fortalecendo-o. Ingerir as calorias suficientes para manter um peso estável também é importante;
- Atenção a determinados alimentos: evitar carne crua ou ovos, por exemplo. Isto porque as doenças transmitidas por alimentos podem ser graves em pessoas com SIDA. Em caso de incerteza se a água é segura para beber, é melhor não o fazer;
- Vacinas certas: a vacinação pode prevenir infeções comuns, como gripe, Covid-19 ou pneumonia. É possível que o médico sugira outras vacinas, como hepatite A e hepatite B;
- Vacinar e desparasitar animais de estimação: alguns animais podem transportar parasitas que podem causar infeção num indivíduo seropositivo. As fezes dos gatos podem causar toxoplasmose, os répteis podem transmitir salmonela e as aves podem transmitir criptococose.
Para quem lida com o VIH e a SIDA diariamente, as fontes de preocupação podem ser diversas, mas a medicina, apesar de ainda não ter encontrado uma cura para o VIH, tem evoluído favoravelmente.
Fontes
-
SNS 24 (2023). Vírus da imunodeficiência humana (VIH). Disponível aqui.
-
CDC (2022). About HIV. Disponível aqui.
-
Mayo Clinic (2024). HIV/AIDS - Symptoms & causes. Disponível aqui.
-
NHS (2021). Symptoms (HIV and AIDS). Disponível aqui.
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WebMD (2023). HIV Symptoms. Disponível aqui.
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CDC (2020). HIV Risk and Prevention. Disponível aqui.
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CDC (2021). HIV Stigma and Discrimination. Disponível aqui.
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SNS 24 (2023). Rastreio e diagnóstico da SIDA. Disponível aqui.
-
Mayo Clinic (2024). HIV/AIDS - Diagnosis & treatment. Disponível aqui.
- 10. CDC (2021). Living with HIV. Disponível aqui.



