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Bem-estar

Vitamina D: a sua importância e como obter para evitar o seu défice

24 junho 2020
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Quando a exposição solar é insuficiente, a vitamina D tem que ser obtida através da alimentação ou de suplementos. Saiba evitar o seu défice.

A vitamina D tem uma função muito importante no nosso organismo e está diretamente ligada à prevenção de doenças como a osteoporose.  Pode ser produzida no nosso organismo, através da ação que a radiação ultravioleta da luz solar tem na nossa pele, que vai permitir a sua síntese. 

 

Além da exposição solar, esta também pode ser obtida através de alimentos, ainda que numa dose mais baixa. 

Que tipos de Vitamina D existem? 

 

A vitamina D pode ainda ser subdividida em dois tipos principais, de acordo com a sua origem, ou seja, a forma como pode ser obtida. Os dois tipos  são:

 

  • vitamina D3 (colecalciferol), sintetizada na pele durante a exposição solar ou obtida através da ingestão de certos alimentos, como ovos e peixes gordos;

  • vitamina D2 (ergocalciferol), produzida por irradiação ultravioleta de leveduras e cogumelos expostos ao sol e ingerida em suplementos dietéticos ou medicamentos. 

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A importância da vitamina D no organismo

 

A vitamina D é importante para o nosso corpo, nomeadamente para a densidade mineral óssea, já que contribui para a absorção de cálcio e regula as concentrações necessárias de cálcio sérico e de fósforo. Também ajuda no funcionamento de outros sistemas do nosso organismo, como é o caso do muscular, cardiovascular e imunitário.

 

Controla a absorção intestinal de cálcio e fósforo no intestino; participa na estimulação da reabsorção de cálcio nos rins; e aumenta a libertação de fósforo e cálcio para a manutenção dos valores séricos normais nos ossos.

Fontes de vitamina D

 

Existem duas formas essenciais de obter esta vitamina. Um desses modos consiste numa exposição solar regular, de preferência às horas em que o sol é menos perigoso para a pele. Outra forma é através do consumo habitual de alimentos particularmente ricos nesta vitamina.

 

1. Exposição Solar

 

A síntese de vitamina D na pele, conseguida através da exposição solar, vai depender de diversos fatores, entre os quais:

  • latitude da zona geográfica;
  • estação do ano;
  • hora do dia;
  • superfície corporal exposta ao sol;
  • duração da exposição solar;
  • uso ou não de cremes com proteção solar;
  • tipo de pigmentação da pele;
  • ter ou não obesidade;
  • idade

A exposição solar deve então ser feita em horas de menor radiação e deve incidir sobre a pele do corpo, particularmente em regiões como braços, pernas, mãos e cara, bastando 15 min de exposição sem protetor solar.

2. Fontes Alimentares

 

Há poucas fontes dietéticas de vitamina D, sendo as principais os óleos de peixe e os produtos alimentares enriquecidos, como os produtos lácteos e o pão. 

 

Alguns exemplos de fontes alimentares são os seguintes (a dose diária recomendada é medida em Unidades Internacionais):

 

Aliemento Vitamina D
Cogumelos (100g) 1 360 UI
Óleo de Peixe (1 colher de sopa) 447 UI
Salmão (100g) 441 UI
Sardinha de conserva em óleo (100g) 331 UI
Leite fortificado com vitamina D (1 copo) 120 UI
Quejio fresco (100g) 110 UI
1 Ovo 95 UI
Salsichas (100g) 70 UI
Carne de porco (100g) 50 UI
Carne de porco (100g) 50 UI

 

Para além destes, os produtos lácteos, cereais e sumos de laranja são já fortificados e podem contribuir para equilibrar os valores plasmáticos de vitamina D.

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Quais as necessidades diárias de vitamina D? 

 

A dose diária recomendada varia em função da fase do ciclo de vida em que o indivíduo se encontra. Eis os valores de referência a considerar:

 

Grupo  UI de referência
Lactentes (0 aos 12 meses) 400
Crianças (1 aos 8 anos) 600
Homens e mulheres (9 aos 70 anos) 600
Homens e mulheres (>70) 800
Gestantes e em amamentação 600

 

Os principais sintomas de toxicidade incluem confusão mental, tonturas, depressão, vómitos, obstipação, dor abdominal e hipertensão arterial.

Dose máxima recomendada

De acordo com a Direção-Geral da Saúde, a dose máxima diária recomendada de vitamina D deve ser de 4000 UI. Ingerir doses diárias elevadas não só não tem interesse terapêutico como deve ser evitado. O excesso desta vitamina pode causar vários problemas como nefrolitíase, calcificação dos tecidos moles e danos renais e cardiovasculares.

As consequências do défice de vitamina D para a Saúde

 

O défice de vitamina D pode acarretar consequências para a saúde, na sua maioria relacionadas com problemas ósseos, nomeadamente: (2)

 

  • Redução dos níveis sanguíneos de cálcio (hipocalcemia) e de fosfato (hipofosfatemia);

  • Raquitismo (enfraquecimento dos ossos na infância);

  • Osteomalácia (enfraquecimento dos ossos nos adultos)

  • Redução da densidade óssea (osteopenia ou osteoporose);

  • Hipocalcemia ligeira

  • Aumento da hormona paratiróide que provoca o enfraquecimento ósseo);

  • Risco aumentado de quedas e de fraturas.

 

A febre da pesquisa e prescrição desta vitamina teve o seu início numa série de indícios de que as pessoas com baixos níveis séricos apresentavam maior risco de doença cardiovascular, diabetes, cancro, demência e doenças autoimunes como a esclerose múltipla.

 

No entanto, estas relações não se verificam, e os baixos níveis de vitamina D que outrora foram associados ao aparecimento de várias doenças como a doença cardiovascular, têm vindo a ser refutados com ensaios clínicos.

Quem precisa de tomar suplementos de vitamina D?

 

A generalização da toma de suplementos de vitamina D é um problema atual que deve merecer a melhor atenção por parte de todos. Por esse motivo a auto-suplementação nunca deve ser feita, independentemente da pessoa pertencer ou não a um grupo de risco mais propício a ter carência.

 

Apesar do seu risco de toxicidade no organismo ser residual e difícil de ocorrer, é sempre recomendável que a toma destes suplementos só seja feita após aconselhamento médico, obedecendo aos critérios definidos na Norma 004/2019 da Direção-Geral da Saúde.

Idosos

A evidência tem demonstrado que a toma de suplementos de vitamina D em doentes de alto risco e idosos com osteoporose.

 

Contudo, isso não significa que ser um idoso com osteoporose sejam as únicas condições a considerar para a prescrição de suplementos desta vitamina. É essencial que seja feito um estudo e exame global do indivíduo para perceber se, realmente, há carência desta vitamina e se esta justifica a toma de um suplemento, ou seja, se se enquadra nas situações contempladas nas orientações nacionais e internacionais.

 

A toma destes suplementos é cada vez mais comum e estudos destacam um excesso de suplementação por parte de adultos com mais de 70 anos, sem benefícios reais e comprovados.

Crianças

Segundo a Direção-Geral da Saúde, as crianças saudáveis até aos 12 meses de vida, independentemente do seu tipo de alimentação, devem fazer um suplemento de vitamina D, na dose de 400 UI/dia. (3)

Adultos com carência

Apesar da importância desta vitamina e do facto da sua carência ser cada vez mais generalizada, muitas pessoas tomam suplementos de vitamina D sem, na realidade, terem essa necessidade.

 

Estudos recentes mostram que não existem benefícios de saúde acrescidos na ingestão de suplementos de vitamina D em adultos.
A toma de suplementos de vitamina D por pessoas saudáveis, sem sintomas associados à carência deste micronutriente não demonstrou melhorar a saúde, nomeadamente no que diz respeito às doenças cardiovasculares, cancro ou fraturas em adultos.

 

A deteção da carência e a possível suplementação em vitamina D apenas está recomendada em doentes de alto risco, como por exemplo doentes com osteoporose, doença renal crónica, síndromes de malabsorção, obesos e que façam tratamento crónico com corticosteroides. Em qualquer dos casos, a toma de suplementos só deve acontecer quando há indicação médica para tal.

Conclusão

 

A importância da vitamina D nos processos de crescimento e desenvolvimento é indiscutível. Neste sentido, alguns trabalhos recentes apontam para uma série de riscos para a saúde que concentrações séricas baixas desta vitamina podem acarretar.

 

Estes dados deram origem a uma febre de pesquisa e prescrição desta vitamina. No entanto, estes factos têm vindo a ser cada vez mais refutados e, neste momento, mais do que um fator de risco para o aparecimento de doenças, baixos níveis de vitamina D estão associados à presença de doença.

 

A carência desta vitamina é bastante comum, mas desde que não esteja grávida ou não sofra de doença renal crónica, osteoporose ou obesidade, os seus níveis podem ser facilmente repostos através da exposição solar controlada e da ingestão de alimentos ricos em vitamina D.

Fontes:

  1. Direção-Geral da Saúde. Vitamina D. Disponível aqui. 

  2. U. S. Departement Agriculture. National Nutrient Database for Standadr Reference. Disponível aqui. 

  3. Direção-Geral da Saúde. Norma 004/2019. Disponível aqui. 

  4. The Lancet Diabetes & Endocrinology. Vitamin D and COVID-19: why the controversy? 2021. Disponível aqui.

  5. Declaração Portuguesa da Vitamina D. Disponível aqui.

  6. Kenneth W. Lin. Vitamin D Screening and Supplementation in Primary Care: Time to Curb Our Enthusiasm. Disponível aqui.  

  7. Michael L. LeFevre, Screening for vitamin D deficiency in adults: U.S. Preventive Services Task Force recommendation statement. Disponível aqui.  

  8. Virginia A. Moyer, Vitamin, mineral, and multivitamin supplements for the primary prevention of cardiovascular disease and cancer: U.S. Preventive services Task Force recommendation statement. Disponível aqui. 

  9. Virginia A Moyer. Vitamin D and calcium supplementation to prevent fractures in adults: U.S. Preventive Services Task Force recommendation statement. Disponível aqui. 

  10. LeFevre ML; U.S. Preventive Services Task Force. (2015). Screening for vitamin D deficiency in adults: U.S. Preventive Services Task Force recommendation statement. Disponível aqui.

  11. Moyer VA; U.S. Preventive Services Task Force. (2014). Vitamin, mineral, and multivitamin supplements for the primary prevention of cardiovascular disease and cancer: U.S. Preventive services Task Force recommendation statement. Disponível aqui. 

  12. Autier, P., et. al. (2014). Vitamin D status and ill health: a systematic review. Disponível aqui. 

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