Conheça os alimentos bons para o intestino inflamado e saiba quais deve evitar
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Os peixes magros estão entre os alimentos bons para o intestino inflamado. Conheça outros a incluir na dieta e os que deve excluir.
Quando o organismo reconhece um corpo estranho, ativa o sistema imunitário, desencadeando um processo chamado inflamação.
Optar por alimentos bons para o intestino inflamado pode reduzir o risco de doença inflamatória intestinal ou minimizar os seus sintomas.
Contudo, as recomendações nutricionais são diferentes para cada paciente.1 e 2
O que causa inflamação no intestino?
A inflamação no intestino pode ter várias causas associadas, nomeadamente:1 e 3
- Stress crónico;
- Envelhecimento;
- Vírus persistente;
- Toxinas ambientais.
Além disso, o excesso de inflamação intestinal está associado a alguns alimentos que também estão relacionados a um risco maior de doenças crónicas, como diabetes tipo 2 e doenças cardíacas.
Doenças na génese do intestino inflamado
A doença inflamatória intestinal é um termo amplo que se refere ao intestino inflamado e pode incluir condições específicas, como doença de Crohn e colite ulcerativa.
Estas doenças interferem na capacidade de o corpo digerir alimentos, absorver nutrientes e eliminar resíduos de forma saudável.2, 4 e 5
Sintomas
Há duas fases que podem caracterizar a doença inflamatória intestinal, nomeadamente a ativa e a não ativa.
A fase ativa é acompanhada por sintomas, como febre, diarreia, dor abdominal e perda de sangue. Já a inflamação intestinal na fase não ativa não apresenta sintomas.
Em condições específicas, o intestino inflamado pode manifestar-se através dos sintomas referidos anteriormente ou por outros sinais de alerta, como anemia e perda de peso. Exemplos incluem:2, 5 e 6
- Doença de Crohn: a inflamação pode estender-se por toda a parede intestinal, resultando frequentemente em diarreia, fístulas, estenoses e má absorção.
- Colite ulcerativa: geralmente, a inflamação ocorre somente no cólon, mas pode variar e limitar-se ao reto e ao ânus. A função do cólon é absorver a água dos alimentos digeridos, mas, quando o cólon está inflamado, as fezes que passam pelo ânus ficam aquosas, causando diarreia.
Alimentos bons para o intestino inflamado
Há bebidas e alimentos que reduzem os sintomas do intestino inflamado, como certos frutos e vegetais.
Durante uma crise inflamatória, alimentos ricos em fibra podem desencadear sintomas obstrutivos e só devem ser consumidos após consulta médica.
Enumeramos, a seguir, os alimentos que pode incluir na dieta segundo as orientações gerais de saúde.1, 5 e 6
Dieta na fase não ativa
Na fase não ativa do intestino inflamado, a alimentação deve ser saudável e não incluir alimentos mal tolerados, consoante a experiência individual.
Alguns exemplos de alimentos anti-inflamatórios incluem tomates, frutos secos e peixes gordos.
As cólicas abdominais podem ocorrer se consumir:1, 3 e 6
- Laticínios e derivados, como manteiga, queijo e natas;
- Sumos de fruta com polpa e citrinos;
- Fruta crua;
- Sementes;
- Vegetais;
- Cereais;
- Grão.
Dieta na fase ativa
Na fase ativa da inflamação intestinal, a alimentação pode incluir:6
- Carnes magras, como vaca, vitela, coelho, frango, galinha sem pele, peru, cabrito e carnes de caça quando bem cozidas;
- Peixes magros, como pescada, carapau, bacalhau, garoupa, dourada e robalo;
- Pão branco torrado ou tostas não integrais;
- Marmelada, compotas, geleias e mel;
- Fruta em calda, à exceção do ananás;
- Infusões de tília, limão e cidreira;
- Peças de fruta cozidas ou assadas;
- Bolos secos;
- Bolachas;
- Biscoitos;
- Farinhas;
- Gelatina;
- Batatas;
- Massas;
- Arroz.
Alimentos a evitar
Os alimentos a evitar na fase ativa da inflamação intestinal são:6 e 7
- Peixes gordos, como cavala, salmão, sardinha e salmonete: quando consumidos em excesso, estes alimentos podem aumentar o quadro inflamatório;
- Leite gordo e condensado, assim como natas, queijos e gelados com natas: contêm altos níveis de gorduras saturadas e lactose, podendo atrasar o esvaziamento gástrico e aumentar a fermentação colónica, agravando a distensão e as cólicas;
- Carnes gordas, secas e fumadas: concentrações elevadas de gorduras saturadas e aminas biogénicas podem estimular as vias inflamatórias e irritar a mucosa intestinal;
- Azeitonas e frutos secos: apesar de nutritivos, são densos em fibras insolúveis e óleos que podem exigir um maior esforço digestivo e exacerbar sintomas de obstrução ou desconforto;
- Frutos e legumes crus: contêm fibras insolúveis e antinutrientes, que, numa fase ativa, podem causar irritação mecânica e aumentar o trânsito rápido, piorando a diarreia;
- Mariscos e moluscos: potenciais alergénios e ricos em aminas que podem desencadear uma resposta inflamatória e aumentar a permeabilidade intestinal;
- Banha e toucinho: estes alimentos favorecem a libertação de citocinas pró-inflamatórias e atrasam o esvaziamento gástrico;
- Chá-preto e café: contêm cafeína e taninos que estimulam o trânsito intestinal e podem aumentar a secreção ácida, causando irritação e agravamento dos sintomas.
Vigie a saúde do intestino
A saúde do intestino depende de uma vigilância periódica, uma vez que cada caso clínico pode ser diferente e necessitar de um tratamento e acompanhamento nutricional personalizados.
Perante sinais de que este órgão possa não estar bem, é fundamental a marcação de uma consulta de gastroenterologia para realizar um diagnóstico precoce.
Se for necessário, o médico pode recomendar alguns exames, nomeadamente uma colonoscopia.
O que fazer em caso de remissão inflamatória
Se costuma ter crises de inflamação intestinal que cessam por tempo indeterminado, deve ponderar o seguinte:3 e 4
- Aumentar o consumo de fibras e reintroduzir grãos integrais, incorporando lentamente os alimentos ricos em fibra (solúveis antes de insolúveis), à medida que os sintomas gastrointestinais diminuírem;
- Optar por alimentos saudáveis no seu estado natural, evitando os processados;
- Evitar laticínios e produtos à base de lactose, embora estes alimentos sejam mais bem tolerados durante os períodos de remissão;
- Consumir ácidos gordos ómega-3, como peixes gordos ou tomar um suplemento de óleo de peixe, mediante orientação médica;
- Consumir alimentos proteicos, como ovos, aves ou proteínas vegetais;
- Evitar gorduras sólidas.
Além disso, os prebióticos (fibras não digeríveis que alimentam bactérias benéficas, como inulina de alcachofra e raízes de chicória) e probióticos (bactérias vivas, presentes em iogurte natural ou kefir) podem:
- Restabelecer o equilíbrio da flora intestinal;
- Reduzir marcadores inflamatórios na parede do intestino;
- Produzir ácidos gordos de cadeia curta que nutrem as células da mucosa.
Fontes:
-
Harvard Health Publishing (2024). Foods that fight inflammation. Disponível aqui.
-
UCSF Health. Nutrition Tips for Inflammatory Bowel Disease. Disponível aqui.
-
Johns Hopkins Medicine. Anti Inflammatory Diet. Disponível aqui.
-
University Hospitals (2022). The Best Foods to Eat and Avoid for Inflammatory Bowel Disease. Disponível aqui.
-
Crohn’s & Colitis. Eating and Drinking with IBD. Disponível aqui.
-
Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Dieta na doença inflamatória intestinal. Disponível aqui.
-
UMass Chan Medical School. Anti-Inflammatory Diet for IBD (IBD -AID). Disponível aqui.



