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Saúde

Será que o daltonismo só afeta os homens? Conheça a resposta

30 outubro 2023
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Conhece alguém que não consegue percecionar e distinguir cores? Talvez sofra de daltonismo. Entenda as características desta condição e como lidar.

Costuma ser-lhe difícil distinguir algumas cores? Quando há pouca luz, tem ainda mais dificuldade em identificar os vários tons que existem à sua volta? Isto é sinal de que pode sofrer de daltonismo.

É muito importante que esta condição seja devidamente diagnosticada e acompanhada por um especialista, de modo a evitar que condicione as atividades diárias.  

Fique a conhecer os vários tipos de daltonismo e perceba de que forma o seu impacto pode ser minimizado. Saiba, ainda, se este é um problema exclusivo dos homens ou se pode igualmente afetar as mulheres. 

 

O que é o daltonismo?

Denominado em termos científicos por discromatopsia, o daltonismo consiste na incapacidade de ver as cores normalmente ou de distinguir certos tons, especialmente verdes e vermelhos ou, ainda, azuis.

A explicação para tal encontra-se na retina. Aí existem dois tipos de células que detetam a luz (fotorrecetores): os bastonetes e os cones. Enquanto os bastonetes detetam o claro e o escuro, os cones detetam a cor. Há, ainda, três tipos de cones que veem o vermelho, o verde e o azul. 

Geralmente, quando uma pessoa sofre de daltonismo, uma ou mais células do cone colorido estão ausentes, não funcionam ou detetam uma cor diferente do normal. 

Por norma, já se nasce daltónico, embora também se possa adquirir daltonismo ao longo da vida. Assim, se, de um momento para o outro, começar a sentir uma mudança significativa na perceção das cores, deve consultar um oftalmologista, logo que possível. 1

Que tipos de daltonismo existem?

O tipo de daltonismo mais comum é o que afeta a distinção entre as cores vermelho e verde. Dentro deste, existem três subtipos:

  • Deuteranomalia: é o tipo mais prevalente e caracteriza-se por determinados tons de verde parecerem mais vermelhos;
  • Protanomalia: certos tons de vermelho parecem mais verdes e menos brilhantes;
  • Protanopia e deuteranopia: impossibilitam a distinção entre o vermelho e o verde.

Outro tipo de daltonismo, menos frequente, relaciona-se com a perceção das cores azul e amarelo. Há dois subtipos:

  • Tritanomalia: dificuldade em distinguir entre azul e verde e entre amarelo e vermelho;
  • Tritanopia: impede a distinção entre as cores azul e verde, roxo e vermelho e amarelo e rosa. Além disso, este daltonismo retira brilho aos tons.

Existe, ainda, o daltonismo que se caracteriza por uma incapacidade total de visualizar as cores. Este problema, também designado monocromacia ou acromatopsia, é raro. Esta dificuldade pode afetar a visão e aumentar a sensibilidade à luz. 2

Quais os sintomas associados ao daltonismo?

Os sintomas podem ser mais graves ou ligeiros, em função do tipo de daltonismo, e incluem: 1

  • Dificuldade em ver as cores e o brilho das mesmas;
  • Incapacidade de distinguir entre tons semelhantes, sobretudo entre vermelho e verde ou azul e amarelo.

É raro o daltonismo afetar a nitidez da visão, a não ser nos casos de acromatopsia em que apenas se percecionam tons de cinzento. Habitualmente, este tipo grave de daltonismo está associado a outras complicações, nomeadamente: 1

  • Ambliopia (ou olho preguiçoso);
  • Nistagmo (movimentos oculares rápidos e incontroláveis);
  • Sensibilidade à luz;
  • Visão deficiente.

Quais são as causas possíveis do daltonismo?

A origem mais frequente do daltonismo é genética, ou seja, este problema é passado de pais para filhos. No entanto, também há doenças ou lesões que, a par do próprio envelhecimento, podem causar daltonismo, tais como: 3

  • Doenças oculares, como o glaucoma ou a degeneração macular relacionada com a idade (DMRI);
  • Doenças do cérebro e do sistema nervoso, como Alzheimer ou esclerose múltipla (EM);
  • Alguns medicamentos, como Plaquenil (um medicamento para a artrite reumatoide);
  • Lesões oculares ou cerebrais, como descolamento de retina e alguns tipos de tumores;
  • Cataratas.

Quais os fatores de risco do daltonismo?

Há circunstâncias que podem aumentar o risco de sofrer de daltonismo, nomeadamente: 4,5

  • Ser do sexo masculino;
  • Ter histórico familiar de daltonismo;
  • Ter certas doenças oculares;
  • Ter certos problemas de saúde, como diabetes, doença de Alzheimer ou esclerose múltipla (EM);
  • Tomar determinados medicamentos;
  • Ser caucasiano.

mulher realiza teste de daltonismo.jpg

Também existem mulheres daltónicas?

Sim, também existe daltonismo nas mulheres, embora seja muito mais prevalente nos homens.

Aproximadamente 1 em cada 12 homens (8%) tem dificuldade em distinguir as cores. Este problema afeta apenas 1 em cada 200 mulheres (0,5%). 6

As pessoas do sexo feminino têm menos probabilidade de contrair formas recessivas de daltonismo ligadas ao cromossoma X, pois, para isso acontecer, ambos os pais devem apresentar mutações nesse cromossoma.

No entanto, tal pode ocorrer se herdarem dois genes com mutações: um ligado ao cromossoma X do pai e outro ligado ao cromossoma X da mãe.

Uma mulher também pode ter daltonismo autossómico dominante, se herdar o gene de um dos pais. 

É, ainda, possível haver mulheres com acromatopsia, se ambos os pais lhes transmitirem o gene recessivo. 5

oftalmologista a fazer teste de diagnóstico de daltonismo a menino.jpg

Como se diagnostica o daltonismo?

O daltonismo deve ser diagnosticado por um oftalmologista capaz de realizar um teste, que consiste em apresentar ao paciente um padrão composto por pontos multicoloridos, com números e formas entre esses pontos.

Quem sofre de daltonismo sentirá dificuldade em identificar esses números e formas. 1

Além disso, a história clínica e familiar é de extrema importância, de modo a fazer diagnósticos diferenciais.

homem a colocar lentes de contacto.jpg

É possível tratar o daltonismo?

Não há cura para o daltonismo herdado geneticamente, mas há ferramentas que possibilitam uma melhor adaptação a esta situação.

Quando é provocado por outra condição de saúde, é possível tratar o daltonismo, tratando o problema que está na sua origem.

Se a causa do daltonismo for a toma de um medicamento, o ajuste na dosagem ou a substituição desse medicamento por outro também pode ser um meio de resolver.

Existem, ainda, alguns recursos que podem ajudar a lidar melhor com o daltonismo. Por exemplo:4

  • Óculos especiais e lentes de contacto, que aumentam o contraste entre as cores, facilitando a sua distinção;
  • Recursos visuais, como aplicações que tiram fotos e, depois, identificam as cores aí presentes;
  • Código ColorADD, um sistema que permite ao daltónico identificar cores seguindo um código de símbolos simples. 

Fontes

 

  1. American Academy of Ophthalmology. (2022). What Is Color Blindness? Disponível aqui

  2. National Eye Institute. (2023). Types of Color Vision Deficiency. Disponível aqui

  3. National Eye Institute. (2023). Causes of Color Vision Deficiency. Disponível aqui

  4. National Eye Institute. (2023). At a glance: Color Blindness. Disponível aqui

  5. Very Well Health. (2023). Can Women Be Color Blind? Disponível aqui

  6. Colblindor. Color Blindness – learn all about it. Disponível aqui

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