Um nível equilibrado de dopamina é o segredo para a felicidade?
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Um desequilíbrio de dopamina pode causar cansaço, euforia ou até agressividade. Saiba o papel desta hormona e como níveis descontrolados afetam o organismo.
A dopamina é um neurotransmissor produzido pelo cérebro que desempenha um papel crucial na comunicação entre as células nervosas. Afeta diretamente o funcionamento do corpo, a atividade cerebral e o comportamento.
Esta hormona ajuda a regular funções essenciais como prazer, humor, motivação e bem-estar.
Tal como acontece com a maioria dos outros sistemas do organismo, uma pessoa pode não se aperceber quando os níveis desses neurotransmissores estão desequilibrados.
Dopamina baixa ou alta pode levar a muitos problemas de saúde diferentes. Entre as doenças associadas a níveis desequilibrados deste neurotransmissor estão a depressão e a obesidade.1
Para que serve a dopamina?
Este neurotransmissor desempenha várias funções no organismo, tais como:2
- Sensação de prazer e motivação;
- Comportamento e cognição;
- Sono;
- Excitação;
- Aprendizagem;
- Movimento;
- Memória;
- Atenção;
- Humor.
A hormona é transportada pela corrente sanguínea, desempenhando um papel essencial na resposta de luta ou fuga face à perceção de um perigo iminente.
Por vezes, uma resposta exagerada de luta ou fuga pode provocar um ataque de pânico.
Este neurotransmissor também:2
- Faz com que os vasos sanguíneos relaxem (dopamina baixa atua como um vasodilatador) ou se contraiam (dopamina alta atua como um vasoconstritor);
- Atrasa o movimento do conteúdo gastrointestinal e protege o seu revestimento;
- Reduz a atividade dos linfócitos no sistema imunitário;
- Aumenta a remoção de sódio e urina do corpo;
- Reduz a produção de insulina no pâncreas.
Produção de dopamina
Os neurónios presentes no cérebro produzem dopamina num processo de duas etapas.
Na primeira, a tirosina é convertida em L-dopa, outro aminoácido. Na segunda etapa, o L-dopa transforma-se, uma vez que as enzimas o convertem em dopamina.
Uma vez que a hormona é feita de tirosina, o aumento de dopamina no cérebro é possível através da obtenção desse aminoácido a partir da alimentação.
Alimentos ricos em tirosina, fonte de dopamina natural, incluem:3
- Laticínios, como leite, queijo e iogurte;
- Sementes de sésamo e abóbora;
- Frango e outros tipos de aves;
- Abacates;
- Bananas;
- Soja.
Efeitos da dopamina baixa e alta
Apesar de, por vezes, não ser percetível, os níveis de dopamina estão relacionados com a saúde mental.
Com níveis normais desse neurotransmissor, uma pessoa sente-se feliz, alerta, focada e motivada.2
Dopamina baixa
Se uma pessoa tem a dopamina baixa, pode sentir:2
- Desmotivação;
- Infelicidade;
- Cansaço.
Além disso, também pode ter:2
- Problemas de sono, assim como de concentração;
- Alterações de humor;
- Pouco desejo sexual;
- Perda de memória.
Dopamina alta
Uma pessoa com altos níveis de dopamina no cérebro pode sentir:2
- Euforia;
- Bastante energia;
- Muito desejo sexual.
Por outro lado, as consequências do excesso de dopamina podem incluir:2
- Impulsividade;
- Problemas para dormir;
- Maior nível de agressividade.
Doenças associadas a níveis desequilibrados de dopamina
Neurotransmissores como acetilcolina e dopamina não podem ser observados de forma isolada, à semelhança de outros produtos químicos no cérebro ou organismo. Isto explica-se porque existem demasiadas interações.
No entanto, há doenças em que, de facto, a dopamina pode ser baixa ou alta.2
Baixos níveis deste neurotransmissor podem contribuir para algumas condições de saúde, tais como:2 e 4
- Depressão, cujos sintomas incluem tristeza, problemas de sono e alterações cognitivas;
- Doença de Parkinson, cujos sintomas incluem tremores, lentidão de movimento e, às vezes, psicose;
- Síndrome da deficiência do transportador de dopamina, cujas anomalias de movimento são semelhantes à doença de Parkinson;
- Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade (TDAH);
- Síndrome das pernas inquietas.
Já as condições de saúde associadas ao aumento excessivo de dopamina podem incluir:2 e 4
- Vício;
- Transtorno maníaco-depressivo;
- Obesidade;
- Esquizofrenia.
Diagnóstico
Medir diretamente os níveis de dopamina não é uma prática comum para fins clínicos. Geralmente, a avaliação é feita com base em sintomas e histórico médico.
Quando necessário, são realizados exames concretos relacionados com as condições dopaminérgicas do paciente, nomeadamente doença de Parkinson ou doenças genéticas específicas.
Além disso, a avaliação pode variar de acordo com fatores genéticos, idade, medicamentos e condições clínicas, tornando a interpretação difícil sem um contexto clínico bem definido.
Na Unilabs, é possível realizar o teste de deficiência de dopamina-beta-hidroxilase, que faz parte da especialidade de neurologia.
Os níveis alterados desta hormona podem causar mazelas a longo prazo e o aconselhamento clínico é essencial para que a saúde mental, aliada à física, seja a melhor possível.
Práticas que podem equilibrar os níveis de dopamina
Há algumas práticas diárias que podem ajudar a ter um nível natural de dopamina no organismo, designadamente:2
- Seguir uma dieta rica em magnésio e alimentos ricos em tirosina, uma vez que são uma fonte natural desta hormona. Alimentos que podem aumentar a dopamina incluem frango, amêndoas, maçãs, abacates, bananas, beterrabas, chocolate, vegetais de folhas-verdes, chá-verde, aveia, laranjas, ervilhas, sementes de sésamo e abóbora, tomate, açafrão e melancia.
- Participar em atividades prazerosas, como exercício físico, meditação, ioga, massagens, brincar com um animal de estimação, caminhar na natureza ou ler um livro, pode aumentar os níveis deste neurotransmissor.
- Priorizar sono de boa qualidade.
Mitos relacionados
Há muitas ideias associadas a esta hormona, mas nem todas refletem a realidade dos factos.
A seguir, enumeramos algumas dessas ideias e explicamos por que são mitos.
A dopamina é viciante
A ideia geral é que esta hormona ou é boa ou é má, não havendo lugar para segundas interpretações.
Na realidade, esta é uma molécula essencial para o cérebro e corpo, sendo que a presença de níveis altos ou baixos não ajuda o normal funcionamento do organismo.
A ideia de aumentar ou reduzir drasticamente os níveis destes neurotransmissores é impraticável e não tem apoio por parte da ciência.
Certas drogas, como o álcool, a nicotina ou outras substâncias viciantes, podem interagir com a dopamina, ativando o seu ciclo. Essas substâncias podem causar uma descarga muito mais rápida e intensa da hormona.
À medida que um hábito se forma, a resposta do cérebro é diminuir a dopamina. Isso significa que essa hormona não é a responsável por criar um vício.
Além disso, fatores ambientais ou genéticos também podem desempenhar um papel decisivo na origem dos vícios.4 e 5
A ansiedade e o nível de dopamina podem ser controlados
Alegadamente, é possível aproveitar os sistemas de dopamina para beneficiar a concentração, evitar ansiedade e ser mais bem-sucedido.
Geralmente, o conceito é apresentado de forma simples. Ao optar por fazer algo desagradável, como tomar um banho frio, a dopamina é ‘reiniciada’ no cérebro e, ao fazer isso, é possível reduzir o stress, impedir tendências viciantes e melhorar a função cerebral.
Contudo, não existem evidências científicas que corroborem estes alegados benefícios.5
Esta hormona pode ser considerada uma molécula de prazer
Este equívoco resulta de investigações que referiam que os neurónios eram ativados no contexto de recompensa, levando à crença de que a dopamina era a razão pela qual uma pessoa se envolve em comportamentos que geram prazer, como ter relações sexuais ou consumir certos alimentos.
Agora, sabe-se que estes tipos de neurotransmissores não estão relacionados com a experiência da sensação de prazer, mas sim com a antecipação ou desejo por algo.
Ou seja, a dopamina ajuda a que uma pessoa saiba quando algo é melhor ou pior do que o previsto, para poder tomar melhores decisões nas próximas vezes.5
Fontes
-
WebMD (2024). Dopamine: What It Is & What It Does. Disponível aqui.
-
Cleveland Clinic (2022). Dopamine. Disponível aqui.
-
Harvard Health Publishing (2024). Dopamine: The pathway to pleasure. Disponível aqui.
-
Healthline (2019). How Does Dopamine Affect the Body? Disponível aqui.
-
Psychology Today (2024). The Truth About Dopamine and Your Brain. Disponível aqui.



