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Saúde

Como saber se tenho pedras nos rins? Sintomas e exames a fazer

25 março 2024
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As pedras nos rins podem causar cólicas renais bastante dolorosas, além de outros sintomas. Saiba quais os exames indicados para identificar este problema.

Pedra nos rins ou litíase do aparelho urinário são designações para a formação de cálculos renais, ou seja, de cristais duros, que se vão acumulando progressivamente.

Esta é a terceira doença do aparelho genitourinário com mais predominância, atingindo 2% a 3% da população mundial. O sexo masculino corre duas vezes mais riscos de ter pedra nos rins do que o feminino.  

Nos homens, é mais frequente este problema manifestar-se perto dos 30 anos, enquanto nas mulheres pode surgir mais tarde, geralmente, entre os 35 e os 55 anos. 1

O que são pedras nos rins?

As pedras nos rins são compostas por produtos químicos presentes na urina, podendo ser subdivididas em quatro tipos: oxalato de cálcio, ácido úrico, estruvita e cistina. 

Toda a urina possui resíduos. No entanto, ocorre um problema quando existem mais resíduos do que líquido, uma vez que isso leva à formação de cálculos renais, isto é, de cristais.

Os cálculos renais podem permanecer no rim ou descer até ao uréter. Quando não são expulsos, podem conduzir a uma acumulação de urina nos rins, no uréter, na bexiga ou na uretra. 2

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Quais as principais causas dos cálculos renais?

O desenvolvimento de pedras nos rins pode estar relacionado com diversos fatores. 3  

Baixo volume de urina

Um importante fator de risco para cálculos renais é o baixo volume constante de urina, deixando-a mais escura e concentrada, o que significa que dispõe de menos líquido para dissolver os sais. 

Esta situação pode ser resultado de desidratação (perda de fluidos corporais), de exercícios intensos, de trabalhar ou viver num local quente, ou da ingestão insuficiente de líquidos. 

Alimentação

As pedras nos rins podem advir de uma dieta rica em cálcio, sódio (um dos sais minerais presentes no sal) e oxalato.

Também uma alimentação assente em proteína animal, como a carne bovina, frango, porco e peixe, pode aumentar os níveis de ácido no corpo e na urina, o que, por sua vez, contribui para a formação de cálculos de oxalato de cálcio e ácido úrico.

Problemas no intestino

Problemas intestinais, como a doença de Crohn ou a colite ulcerativa, favorecem o aparecimento de pedras nos rins.

Isto porque a diarreia associada a estas patologias contribui para a desidratação do indivíduo e consequentes alterações de componentes do organismo. 

Obesidade

A obesidade é o outro dos fatores que pode causar pedras nos rins, pois o excesso de peso interfere nos níveis de ácido presentes na urina.

Outras condições médicas

Há outras condições médicas que podem contribuir para a formação de cálculos renais. Entre elas estão a acidose tubular renal distal e o crescimento anormal de uma ou mais glândulas paratireoides. 

Existem, ainda, doenças hereditárias raras que podem elevar o risco de aparecimento de pedras nos rins, tais como o excesso do aminoácido cistina na urina ou a hiperoxalúria primária.

Medicamentos

Certos fármacos e suplementos, nomeadamente de cálcio e de vitamina C, podem aumentar o risco de formação de cálculos.

História familiar

A probabilidade de uma pessoa sofrer de pedra nos rins é mais alta quando tem alguém na família que padeça do mesmo problema. 

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Quais os sintomas?

Enquanto as pedras se mantiverem nos rins, o paciente pode não sentir sintomas. Contudo, à medida que se deslocam pelo aparelho urinário, tendem a provocar uma dor intensa e repentina, na região do flanco ou lombar, podendo igualmente atingir o abdómen ou a virilha, por exemplo.

Este incómodo, que se denomina cólica renal, pode ainda ser acompanhado de: 4

  • Náuseas e vómitos;
  • Aumento da frequência miccional;
  • Ardor ao urinar (não confundir com infeção urinária);
  • Vontade súbita de urinar;
  • Urina com sangue (hematúria);
  • Febre.

Como diagnosticar?

Além de avaliar o historial clínico do paciente, o médico pode solicitar exames de imagem, designadamente: raio-x, tomografia computorizada ou ecografia.5

Raio-x

Através da realização de um raio-x é possível localizar algumas pedras nos rins. Porém, as de menor dimensão podem não ser visíveis neste exame.

Tomografia computorizada

Trata-se de um exame que utiliza radiação ionizante e que fornece imagens com maior detalhe, clareza e rapidez, pelo que permite detetar com mais eficácia a existência de pedras nos rins, bem como a sua localização.

Ecografia

Com a ecografia, também dá para visualizar imagens do interior do corpo e identificar com precisão onde se situam as pedras.

Como tratar os cálculos renais?

O tratamento depende sempre da localização e do tamanho do cálculo renal. Daí ser muito importante realizar exames de imagem.

Se a pedra for de pequena dimensão e não causar grande desconforto, é aconselhado que seja eliminada naturalmente, através da uretra. Para isso, o paciente pode tomar alguns fármacos que ajudem a tolerar a dor e que facilitem a eliminação do cálculo.

Caso o paciente esteja a passar por uma cólica renal complicada e haja suspeitas de infeção ou de obstrução, é recomendada a realização de uma cirurgia de urgência, de modo a expelir as pedras.

Uma das opções cirúrgicas é a litotrícia extracorporal por ondas de choque (LEOC), que consiste na fragmentação dos cálculos, facilitando, posteriormente, a sua eliminação.

Outra possibilidade é a cirurgia endoscópica, durante a qual é introduzido na uretra ou bexiga um ureteroscópio, de modo a fragmentar as pedras. Para tal, é usado um laser, além dos instrumentos cirúrgicos. O método usado neste procedimento varia em função do tipo de cálculo:4

  • Interior do rim: recurso a um ureterorrenoscópio flexível;
  • Uréter: recurso a ureteroscópio semirrígido;
  • Nefrolitotomia percutânea: realização de punção do rim para introdução de ferramentas que fragmentam e removem os cálculos.

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Como prevenir o aparecimento de pedra nos rins?

Nem sempre é possível prevenir o aparecimento de pedras nos rins, sobretudo quando há antecedentes familiares. Contudo, há cuidados que podem ajudar a evitar a sua ocorrência. 1

Ingerir mais líquidos

Os adultos que têm tendência a formar cálculos devem beber o suficiente para produzir pelo menos 2,5 litros de urina todos os dias. Isso requer a ingestão de uma média aproximada de 3 litros de líquidos diariamente.

Embora a água seja a melhor opção, podem igualmente ser ingeridos outros líquidos, como chá, sumos naturais e sopas. 3

Ter cuidados alimentares

Como o excesso de sal favorece o desenvolvimento de pedras nos rins, é importante baixar o consumo de sal, apostando noutros temperos. Este não é, contudo, o único cuidado alimentar a ter. 

Quem é mais propenso a desenvolver cálculos renais, deve comer menos carne e menos peixe. Também deve consumir menos produtos ricos em oxalato, como espinafres, chocolate, chá-preto, frutos secos e figos. Em simultâneo, deve incluir mais laticínios, mas com pouca gordura.

Não beber álcool, nem fumar

Tanto o tabagismo como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas podem estar relacionados com a acumulação de toxinas nos rins, fator que favorece o desenvolvimento de cálculos renais. Por esse motivo, é importante não fumar nem beber álcool.

Fontes

 

  1. Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca. (2018). Cálculos Renais: causas, sintomas e tratamentos. Disponível aqui.

  2. National Kidney Foundation. Kidney Stones. Disponível aqui.

  3. Urology Care Foundation. Kidney Stones. Disponível aqui.

  4. Instituto da Próstata. Pedras nos Rins: o que são, quais os sintomas e tratamentos. Disponível aqui

  5. WebMD. (2022). How Do I Know If I Have a Kidney Stone? Disponível aqui. 

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