Doenças do sono: tudo o que precisa de saber para dormir melhor
Copiado!
A insónia é uma das doenças do sono mais comuns. Saiba identificar outras e perceba como pode passar a dormir melhor.
As horas que passamos a dormir representam um terço das nossas vidas, sendo fundamentais para a saúde física e mental.
Por isso, quando a insónia, a apneia ou outras doenças do sono se instalam, a qualidade de vida pode ficar bastante comprometida.
Neste artigo, vamos explorar as principais causas e sintomas dos distúrbios do sono mais comuns, além de apresentar opções de tratamento e dicas para uma noite mais descansada.1
Os principais distúrbios do sono
Não é motivo de preocupação quando, ocasionalmente, uma pessoa dorme mal. No entanto, quando acontece por um período prolongado, pode significar um problema de sono mais sério.
A seguir, damos a conhecer os sintomas, causas e tratamentos dos principais distúrbios do sono.1
Insónia
A insónia, o distúrbio do sono mais comum, manifesta-se através de sintomas como:1
- Dificuldade em adormecer;
- Acordar frequentemente durante a noite;
- Dificuldade de concentração;
- Sensação de fadiga, ansiedade e irritabilidade durante o dia.
Quase todas as pessoas têm episódios de insónia em algum momento das suas vidas, mas este nem sempre é um problema a curto prazo.
A insónia é classificada como crónica quando acontece, pelo menos, três noites por semana durante três ou mais meses.1
Causas da insónia de curto prazo
São vários os fatores que contribuem para a insónia de curto prazo, incluindo:1
- Stress ou ansiedade;
- Pijamas muito apertados;
- Um colchão desconfortável;
- Mudanças no ambiente de sono, como ficar num hotel ou na casa de familiares;
- Ambiente de sono desconfortável, ou seja, demasiado ruído ou ambiente muito quente ou frio;
- Dormir com uma pessoa que ronca ou que tem padrões de sono perturbadores;
- Ver televisão ou ler regularmente na cama por longos períodos, uma vez que o cérebro associa essas ações a outras atividades para além de dormir;
- Não praticar exercício físico suficiente durante o dia;
- Fuso horário diferente ou altitude elevada;
- Elevada ingestão de cafeína durante o dia;
- Tomar um banho quente antes de dormir;
- Beber bebidas alcoólicas antes de dormir;
- Praticar exercício físico antes de dormir;
- Comer demasiado antes de dormir;
- Fumar.
Causas da insónia crónica
A insónia crónica pode ser causada por outro tipo de condições de saúde, nomeadamente:1
- Doenças mentais, como depressão, ansiedade ou perturbação de stress pós-traumático (PSPT);
- Doenças crónicas, como doença renal, insuficiência cardíaca ou asma;
- Dor crónica, como artrite, neuropatia, fibromialgia, refluxo gástrico ou cancro;
- Desequilíbrio hormonal, como menopausa ou hipertiroidismo;
- Síndrome da apneia obstrutiva do sono;
- Síndrome das pernas inquietas.
Certos medicamentos podem ter a insónia como efeito colateral.
Tratamento
Geralmente, a melhor maneira de tratar e controlar insónias é adotar hábitos de vida saudáveis, como fazer exercício físico, ter uma dieta equilibrada e seguir uma boa higiene do sono.
Quase metade dos casos de insónia decorrem de problemas psicológicos ou emocionais, como eventos recentes de stress, depressão ou transtorno de ansiedade.
A depressão e a ansiedade podem ser bidirecionais quando aliadas à insónia, o que significa que as insónias pioram o humor, que, por sua vez, contribui para esta perturbação do sono.
Com o tratamento adequado da causa subjacente, a insónia geralmente melhora. As duas principais abordagens de tratamento podem incluir terapia comportamental e medicamentosa.1
Apneia do sono
A apneia do sono faz com que as pessoas parem de respirar por curtos períodos quando estão a dormir.
Geralmente, as apneias duram entre 10 a 30 segundos e, em casos graves, podem acontecer centenas de vezes durante o sono. Existem dois tipos de apneia do sono:1 e 2
- Apneia obstrutiva do sono: ocorre quando as vias aéreas superiores ficam parcial ou completamente bloqueadas;
- Apneia central do sono: há uma interrupção do sinal do cérebro para o diafragma, o músculo que apoia o processo respiratório. Esta apneia é mais comum em pessoas com doenças cardíacas e também pode ocorrer após hemorragias cerebrais, em altitudes elevadas ou devido a certos medicamentos.
Os sintomas mais comuns da apneia do sono podem incluir:1 e 2
- Boca seca;
- Ronco alto;
- Cansaço extremo;
- Alterações de humor;
- Sonolência excessiva;
- Dores de cabeça matinais;
- Dificuldades de concentração.
- Despertar várias vezes durante a noite.
Causas
A apneia do sono é frequentemente causada por tecidos da língua e da garganta que se posicionam de uma certa forma, bloqueando as vias aéreas.
O organismo reage com a libertação de hormonas semelhantes à adrenalina, para que a pessoa acorde e volte a respirar.
Por vezes, as pessoas acordam e não conseguem voltar a dormir. Muitas vezes, quem tem este distúrbio nem se apercebe que o tem.
A apneia do sono tem sido associada a:1 e 2
- Obesidade, apesar de nem todas as pessoas com apneia do sono terem excesso de peso;
- Dormir de costas;
- Fumar e beber álcool;
- Ter um pescoço grande;
- Ter amígdalas aumentadas;
- Doença pulmonar obstrutiva crónica.
Tratamento
O tratamento para a apneia do sono depende da condição do paciente. Alguns tratamentos para controlar a doença podem incluir:1 e 2
- Protetor bucal à noite para manter a mandíbula para a frente, uma vez que as vias aéreas de algumas pessoas com apneia obstrutiva do sono fecham parcialmente quando a mandíbula se movimenta durante o sono;
- Perder peso pode tratar definitivamente o problema da apneia, especialmente nas pessoas com excesso de peso;
- Pressão positiva contínua na via aérea (CPAP): uma máquina que facilita a respiração durante o sono;
- Cirurgia: apenas considerada quando outras terapias não foram bem-sucedidas. O procedimento mais comum envolve a remoção do excesso de tecido na parte de trás da garganta.
Quando a apneia do sono não é devidamente tratada, aumenta o risco de desenvolver hipertensão.
Síndrome das pernas inquietas
A síndrome das pernas inquietas é uma condição que desencadeia:1 e 3
- Sensações incomuns nas pernas, como dor, comichão e latejamento;
- Vontade de mover as pernas para que tais sensações desapareçam.
Estas sensações podem aparecer em ambos os lados do corpo, apenas num lado ou então começar num lado e passar para o outro.
A síndrome das pernas inquietas é considerada um distúrbio do sono, porque, geralmente, acontece ou piora quando a pessoa está em repouso.
Quem sofre desta síndrome pode ter problemas para dormir ou sentir os seus efeitos se ficar sentado durante muito tempo. Além disso, pode piorar se não receber tratamento adequado.1 e 3
Causas
Não se sabe o que causa a maioria dos casos de síndrome das pernas inquietas, mas há fatores que podem contribuir para que surjam, tais como:3
- Medicamentos, como antipsicóticos e anti-histamínicos;
- Doenças crónicas, como doença de Parkinson, insuficiência renal ou doença renal, diabetes, danos nos nervos periféricos e lesão da medula espinhal;
- Falta de sono ou distúrbios do sono, como apneia, podem desencadear os sintomas desta síndrome ou piorá-los.
Tratamento
Não há cura para a síndrome das pernas inquietas, mas há tratamentos que podem ajudar a controlar os sintomas.
O tratamento pode passar por:
- Uso de medicamentos;
- Mudanças no estilo de vida, como praticar exercício regularmente;
- Tratamentos físicos, como banhos quentes e massagens nas pernas.
Parassonias
As parassonias são perturbações do sono que se caracterizam por comportamentos estranhos durante o sono, como sonambulismo ou comer enquanto está a dormir.
Pessoas com parassonias podem ficar despertas o suficiente para realizar ações complexas, mas não percebem o que estão a fazer.1 e 4
Há vários tipos de parassonias, como terrores noturnos, ritmo cardíaco irregular e bruxismo (ranger de dentes durante o sono).
Por isso, os sintomas e o respetivo tratamento dependem do tipo de parassonia.4 e 5
Narcolepsia
A narcolepsia é um transtorno que afeta o ciclo de sono e de alerta, causando crises de sonolência extrema durante o dia e tendência a adormecer repentinamente em horários inapropriados.1
A frequência e a intensidade com que os sintomas da narcolepsia ocorrem podem variar.
Os sintomas mais comuns podem incluir:6
- Cataplexia (perda breve e repentina do controlo voluntário dos músculos do corpo);
- Paralisia do sono;
- Sono fragmentado;
- Alucinações ao adormecer;
- Sonolência diurna significativa;
- Má regularização do sono REM;
- Comportamentos automáticos, ou seja, adormecer durante uma atividade e continuar a fazê-la por alguns segundos ou minutos sem ter essa consciência.
Causas
A causa exata da narcolepsia é desconhecida.
No entanto, a maioria das pessoas com narcolepsia com cataplexia tem uma quantidade reduzida de uma proteína chamada hipocretina. Essa proteína cerebral regula o ciclo de sono e de alerta.
Outros fatores, como stress, trauma cerebral, exposição a toxinas e infeção, também podem provocar crises de narcolepsia.6
Tratamento
Apesar de ser uma condição crónica, os tratamentos, desde medicamentos até mudanças no estilo de vida, podem ajudar a controlar os sintomas.6
Dicas para dormir melhor
Quem tem perturbações do sono pode seguir algumas estratégias para conseguir dormir melhor, tais como:1
- Evitar comer demasiado antes de dormir;
- Manter uma temperatura confortável no quarto;
- Dormir com roupas largas num colchão confortável;
- Eliminar fontes de ruído ou luzes brilhantes que impeçam ou interrompam o sono;
- Deitar e acordar no mesmo horário todos os dias;
- Reduzir o consumo diário de bebidas que contenham cafeína;
- Praticar exercício físico diário, até quatro horas antes de dormir (preferencialmente);
- Evitar bebidas alcoólicas, já que muitas pessoas permanecem acordadas quando os efeitos do álcool passam, sendo que este também suprime o sono REM.
Já fez um estudo do sono?
Se tem dificuldade em dormir, é aconselhável falar com o seu médico sobre a possibilidade de fazer um estudo do sono.
Um estudo do sono pode ajudar a despistar possíveis doenças do sono, permitindo ajustar um plano de tratamento ao estado clínico do paciente e, assim, melhorar a sua qualidade de vida.
A Unilabs dispõe de três tipos de polissonografia que fazem um traçado do sono:
- Registo poligráfico de sono do tipo I, que implica estadia na clínica durante uma noite;
- Registo poligráfico de sono noturno do tipo II, um exame efetuado no domicílio;
- Registo poligráfico cardiorrespiratório noturno do tipo III, um exame igualmente efetuado no domicílio.
Fontes:
-
Harvard Health Publishing (2024). Sleep. Disponível aqui.
-
NHS (2022). Sleep apnoea. Disponível aqui.
-
WebMD (2024). Restless Legs Syndrome (RLS): Symptoms and Treatment. Disponível aqui.
-
WebMD (2024). Parasomnias. Disponível aqui.
-
NHS (2022). Teeth grinding (bruxism). Disponível aqui.
-
Healthline (2022). Narcolepsy. Disponível aqui.



