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Saúde

Gonorreia: por que é tão difícil combater esta infeção?

13 maio 2024
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A gonorreia, também denominada blenorragia, é uma infeção sexualmente transmissível. Saiba como diagnosticar este problema e evitar o contágio.

A gonorreia é causada pela bactéria gonococo (Neisseria gonorrhoeae). Esta infeção sexualmente transmissível (IST), também designada blenorragia, pode provocar, a longo prazo, complicações de saúde e elevar o risco de infertilidade nas pessoas infetadas.

Nos últimos anos, a bactéria da gonorreia, por poder selecionar mutações que resistem ao antibiótico comummente usado para tratar a infeção, desenvolveu estirpes multirresistentes. Desta forma, além de ser mais difícil de combater esta IST, o número de pessoas infetadas tem aumentando.

Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (EDCD), foram reportados, em 2022, mais de 70 mil casos de gonorreia na Europa. Em Portugal, o número de novas incidências aumentou 80% face ao ano anterior.2 e 6

Esta infeção pode afetar pessoas de todas as idades e sexos, mas é particularmente comum em adolescentes e jovens adultos, com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos. 1, 2 e 3

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Quais são as principais formas de transmissão da gonorreia?

A forma de contágio mais frequente desta IST são as relações sexuais desprotegidas (orais, anais ou vaginais), assim como a partilha de vibradores ou brinquedos sexuais que não tenham sido devidamente desinfetados e limpos. Esta também é transmitida verticalmente, ou seja, de mães para filhos.

Se estiver grávida e suspeitar que tem gonorreia, é importante que seja testada e tratada antes de o bebé nascer. Sem tratamento, esta infeção pode provocar uma espécie de conjuntivite (a ophtalmia neonatorum), que pode levar à cegueira do recém-nascido, assim como outras complicações.


A bactéria que provoca gonorreia não é passível de ser transmitida por:  1,3,4

  • Contacto físico ocasional, como abraços;
  • Utilização de piscinas públicas;
  • Assentos sanitários ou casas de banho partilhadas;
  • Toalhas;
  • Copos, pratos ou talheres.

Mesmo na estirpe multirresistente, a Neisseria gonorrhoeae não sobrevive fora do corpo humano por muito tempo.

Se já esteve infetado com uma IST, tem uma maior probabilidade de contrair gonorreia. De igual forma, se esta infeção não for tratada adequadamente, pode aumentar o risco de contrair outras infeções sexualmente transmissíveis.

A médio e longo prazos, a gonorreia pode ter implicações críticas na saúde reprodutiva, materna e neonatal, incluindo: 1,3,4

  • A probabilidade de a transmissão do vírus da imunodeficiência humana (VIH) aumentar cinco vezes;
  • Infertilidade;
  • Doença inflamatória pélvica, que provoca dores abdominais intensas e que pode causar lesões permanentes nos órgãos reprodutivos;
  • Gravidez ectópica (o embrião forma-se fora do útero), o que pode aumentar o risco de morte materna;
  • Aborto no primeiro trimestre;
  • Abcessos penianos e inflamações (epididemites).

Que sintomas são provocados pela gonorreia?

Em muitas pessoas, à semelhança de outras infeções sexualmente transmissíveis, a gonorreia pode não apresentar sintomas. Cerca de um em cada dez homens infetados e quase metade das mulheres portadoras da infeção são assintomáticas. 

Mesmo não manifestando sintomas, um portador de gonorreia pode transmitir a infeção aos seus parceiros sexuais. Aliás, a probabilidade de isso acontecer é maior, uma vez que não sabe que está infetado. 3, 4, 5

Quando existem sintomas, estes concentram-se frequentemente na zona genital, mas também podem evoluir para outras zonas do corpo.

Os sintomas variam entre homens e mulheres?

Os sintomas de gonorreia podem variar consoante o sexo.

No sexo masculino, o período de incubação da gonorreia desenvolve-se num prazo de 2 a 30 dias após a exposição à bactéria. Pode levar várias semanas para os sintomas surgirem, existindo um risco elevado de estes nunca aparecerem.

No sexo feminino, é comum que não se desenvolvam quaisquer sintomas. Se estes surgirem, tanto podem aparecer num prazo de um dia como precisarem de várias semanas, após a transmissão, para se manifestarem.

Caso os sintomas apareçam, o homem pode sentir: 3 e 5

  • Dor ao urinar (uretrite gonocócica);
  • Necessidade frequente de urinar;
  • Corrimento semelhante a pus no pénis (pode ser bege, branco, amarelo ou esverdeado);
  • Descoloração e inchaço na abertura do pénis;
  • Inchaço ou dor testicular;
  • Comichão e dor no ânus;
  • Sangramento retal ou corrimento;
  • Dor ao defecar.

Caso os sintomas apareçam, a mulher pode sentir:3 e 5

  • Dor ao urinar;
  • Necessidade frequente de urinar;
  • Corrimento vaginal aquoso, cremoso ou esverdeado;
  • Menstruações mais intensas ou pequenos sangramentos entre os períodos menstruais (conhecido como spotting);
  • Dor durante o sexo vaginal com penetração;
  • Dor aguda na parte inferior do abdómen;
  • Comichão e dor no ânus;
  • Sangramento retal ou corrimento;
  • Dor ao defecar.

A gonorreia pode provocar complicações graves de saúde?

Se a gonorreia não for devidamente tratada, pode provocar complicações sérias, nomeadamente: 3,5

  • Infertilidade nas mulheres: a gonorreia, ao espalhar-se para o útero e para as trompas de falópio, pode evoluir para doença inflamatória pélvica (DIP). A DIP pode provocar cicatrizes nas trompas, aumentando o risco de infertilidade ou de complicações na gravidez;
  • Infertilidade nos homens: a blenorragia pode causar inflamação no epidídimo, o tubo que está acima e atrás dos testículos que armazena e transporta os espermatozoides. Esta inflamação é conhecida como epididimite e, sem tratamento, pode levar à infertilidade masculina;
  • Inflamação nas articulações (artrite gonocócica): a bactéria gonococos pode infiltrar-se na corrente sanguínea e afetar outras partes do corpo, incluindo as articulações. Além de dores e de provocar sintomas como erupções cutâneas, inchaço e rigidez, pode afetar outras partes do corpo;
  • Maior propensão para desenvolver VIH: a gonorreia torna o infetado mais suscetível ao VIH, que pode evoluir para SIDA (síndrome da imunodeficiência adquirida). Os portadores de gonorreia e VIH podem transmitir ambas as infeções mais facilmente aos seus parceiros sexuais.

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Como é realizado o diagnóstico à gonorreia?

Para determinar se uma pessoa tem gonorreia, um profissional de saúde analisará as células em laboratório. Isto pode ser feito mediante uma análise à urina ou através da recolha de uma amostra da área potencialmente infetada com uma zaragatoa.

No caso de as pessoas que tenham tido relações sexuais desprotegidas e queiram fazer um rastreio para esta IST, podem ter que esperar alguns dias após o contacto de risco. Ainda que, aparentemente, não existam sintomas no período de uma semana, estas já podem ser testadas.3,5

A importância do diagnóstico

Diagnosticar com antecedência a gonorreia, para depois tratá-la, reduz o risco de se desenvolverem complicações sérias de saúde. Os diagnósticos mais comuns envolvem: 4 e 5

  • Recolha de urina: que ajuda a identificar a bactéria na uretra;
  • Recolha de secreções: esta amostra de secreções, que podem ser recolhidas na garganta, uretra, vagina, pénis ou ânus, permite identificar a bactéria em laboratório.

A prevenção é o melhor tratamento, independentemente da infeção sexualmente transmissível. A Unilabs tem à sua disposição três testes ISTs, desde os mais específicos até aos mais completos, que permitem identificar as ISTs mais frequentes, entre as quais a gonorreia.

Como tratar a blenorragia?

Na maior parte dos casos, a blenorragia tem cura, podendo ser tratada com antibióticos. O tratamento mais comum passa por uma injeção intramuscular única. O profissional de saúde também pode prescrever um medicamento oral adicional, se houver suspeita de clamídia.

Após iniciado o tratamento, o alívio dos sintomas pode ser sentido em poucos dias, mas, enquanto estiverem a ser tratadas, as pessoas infetadas não devem esquecer que: 2, 3, 4, 5

  • A abstenção sexual é crucial. É aconselhável terminarem o tratamento antes de se envolverem em qualquer atividade sexual, para diminuírem o risco de transmissão;
  • Ter a certeza de que a infeção já não está presente no organismo após concluírem a medicação. Para isso, recomenda-se a realização de um novo teste de confirmação;
  • Se os sintomas permanecerem durante alguns dias, após iniciarem o tratamento, devem regressar à instituição de saúde onde são seguidas para serem reavaliadas;
  • As reinfeções são comuns e, por isso, as pessoas devem ser novamente testadas, principalmente se voltarem a ter comportamentos de risco.

A gonorreia é resistente ao tratamento?

Nos últimos anos, a resistência aos antibióticos na gonorreia aumentou rapidamente, reduzindo as opções de tratamento. 2

A injeção intramuscular única de antibiótico, que é da família das cefalosporinas, tem-se mantido como base do tratamento recomendado para a gonorreia. Têm sido estudadas outras alternativas, mas é preciso ter em consideração que estas apenas ajudam a parar a infeção e que não tratam os danos permanentes que possam ter sido causados pela mesma.

O surgimento da gonorreia resistente complica significativamente a capacidade de tratamento da infeção com sucesso, uma vez que existem poucas opções de antibióticos que sejam simples, bem toleradas e altamente eficazes. 1, 2, 5

A prevenção é realmente o método mais eficaz. É importante que os comportamentos de risco, como a prática de relações sexuais desprotegidas com vários parceiros, sejam evitados. 

Fontes

 

  1. World Health Organization. Multi-drug resistant gonorrhoea (2023). Disponível aqui.

  2. Centers for Disease Control and Prevention. Gonorrhoea (2023). Disponível aqui.

  3. Healthline. Everything You Need to Know About Gonorrhea (2024). Disponível aqui.

  4. NHS. Gonorrhoea (2021). Disponível aqui.

  5. Mayo Clinic. Gonorrhoea (2024). Disponível aqui.

  6. European Centre for Disease Prevention and Control (2022). Gonorrhoea — Annual Epidemiological Report. Disponível aqui.

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