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Saúde

Hérnias: o que são, quais as mais comuns e como tratá-las

04 agosto 2026
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As hérnias podem surgir silenciosamente e agravar-se com o tempo. Conheça os tipos mais comuns e saiba quando deve agir.

Com o envelhecimento e uma maior fragilidade da parede abdominal, as hérnias podem ocorrer gradualmente, embora também possam resultar de uma lesão, cirurgia ou distúrbio congénito.

Uma hérnia é uma saliência que surge quando um órgão ou tecido se projeta através de uma zona enfraquecida da parede muscular ou abdominal. A maioria envolve um dos órgãos abdominais, projetando-se através da parede da cavidade abdominal.

Algumas regiões da parede abdominal são naturalmente mais vulneráveis, como a virilha, o umbigo, a linha média do abdómen ou as zonas de cicatriz cirúrgica. Por isso, são locais onde a hérnia surge com maior frequência.1 e 2

Quais são as hérnias mais comuns?

As hérnias distinguem-se pela sua localização e características específicas. Os locais mais comuns de ocorrência incluem a zona inferior do tórax através do diafragma, a virilha através da parede abdominal inferior, ao longo da linha média frontal do abdómen e através de uma antiga incisão cirúrgica abdominal.

Da hérnia hiatal até à femoral, conheça, a seguir, algumas das mais comuns.1 e 2

Hérnia hiatal

Bastante comum em pessoas com mais de 50 anos, com excesso de peso ou em grávidas, mas sem uma causa conhecida, a hérnia hiatal ocorre quando uma parte do estômago se projeta para o tórax, deslizando por uma abertura no diafragma, denominada hiato esofágico.

Dependendo da sua localização, a hérnia hiatal é classificada do tipo I ao IV, estimando-se que 95% dos casos correspondam ao tipo I. No tipo I, a junção entre esófago e estômago desloca-se para cima, podendo arrastar parte proximal do estômago.1, 3 e 4

Os sintomas podem incluir azia, regurgitação e sensação de refluxo. 

Hérnia inguinal

A hérnia inguinal é uma das hérnias mais comuns da parede abdominal e está frequentemente associada ao envelhecimento, à fraqueza da parede abdominal e ao aumento repetido da pressão intra-abdominal.

Este tipo, que ocorre quando uma parte do intestino ou de gordura se projeta através da parede abdominal inferior, é mais comum entre homens, aparecendo na região da virilha ou no escroto.

Isto acontece porque a protuberância geralmente passa pelo canal inguinal, localizado na região da virilha. No entanto, a hérnia inguinal também ocorre com mais frequência em crianças de até aos cinco anos.1, 2, 3 e 4

Hérnia incisional

Por vezes, a hérnia incisional pode formar-se por meio de uma incisão cirúrgica na parede abdominal, sendo uma possível complicação após uma cirurgia abdominal.

Se a ferida cirúrgica não cicatrizar completamente, o paciente pode ficar mais vulnerável a este tipo de hérnia. No entanto, esta protuberância pode desenvolver-se muitos anos depois da cirurgia.

Cerca de 15% a 20% das pessoas submetidas a uma cirurgia abdominal desenvolvem este problema, sendo que os fatores de risco podem incluir:1, 2, 3 e 4

  • Cirurgia de emergência;
  • Complicações durante ou após a cirurgia, incluindo infeção;
  • Certos medicamentos de uso contínuo, incluindo esteroides e imunossupressores;
  • Doenças crónicas, incluindo diabetes e insuficiência renal;
  • Hábitos tabágicos;
  • Obesidade.

Hérnia epigástrica

Localizada acima do umbigo, a hérnia epigástrica forma-se devido aos defeitos naturais na linha média da parede abdominal superior. Como resultado, o tecido adiposo pode atravessar a parede abdominal.

Cerca de 2% a 3% de todas as hérnias abdominais são epigástricas e algumas podem desenvolver-se devido ao esforço na zona de fragilidade da parede muscular.

É possível sentir uma hérnia epigástrica quando há pressão na parede abdominal, como quando uma pessoa ri, tosse ou faz força para evacuar. Além disso, pode existir dor ou sensibilidade à volta da hérnia.

Pode ser necessária cirurgia, se a hérnia for maior e causar sintomas. A maioria das hérnias são pequenas e não causam sintomas.1, 2, 3 e 4

Hérnia umbilical

Tal como o próprio nome indica, a hérnia umbilical é uma protuberância visível dentro ou em volta do umbigo, que, geralmente, piora ao tossir ou ao fazer esforço ao evacuar.

A maioria é congénita, o que significa que a hérnia está presente desde o nascimento, ocorrendo em cerca de 20% dos bebés. Isto acontece porque a abertura na barriga por onde passa o cordão umbilical não fechou completamente após o nascimento.

No entanto, alguns adultos podem desenvolver este problema devido ao excesso de líquido no abdómen, obesidade ou gravidez.1, 2, 3 e 4

Hérnia femoral

À semelhança da inguinal, a hérnia femoral está associada ao envelhecimento e ao esforço repetido na região abdominal. Normalmente, afeta mais as mulheres.

Como ocorre no canal femoral, localizado abaixo do canal inguinal, o tecido adiposo pode projetar-se através deste canal. Assim, a hérnia pode desenvolver-se no meio da coxa, logo abaixo da dobra da virilha.

Devido à proximidade da artéria e da veia femoral, este tipo pode ser preocupante, uma vez que pode afetar os vasos sanguíneos e bloquear o fluxo sanguíneo para e da perna.
Por isso, a cirurgia é quase sempre utilizada para corrigir esta condição rapidamente.1, 2, 3 e 4

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Diagnóstico

Dependendo do tipo, geralmente um exame físico simples é suficiente para diagnosticar uma hérnia, uma vez que pode ser observada ou palpada. 

Algumas hérnias podem exigir um exame de imagem dos tecidos moles, como uma tomografia computorizada (TAC), para um diagnóstico mais preciso.

Além disso, a realização regular de exames é essencial para monitorizar o estado de saúde e potenciais fatores de risco que podem, até, desencadear este problema no futuro.

Cuidados a ter

Se suspeita da presença de uma hérnia, é importante evitar que esta piore. O médico pode aconselhar uma mudança no estilo de vida ou na postura corporal para evitar sobrecarregar a protuberância.

Em alguns casos, as cintas abdominais podem aliviar sintomas, mas não tratam a hérnia e não substituem a avaliação médica/cirúrgica.

Embora geralmente não seja possível prevenir uma hérnia, devido à combinação de fatores genéticos e histórico médico, existem algumas medidas que pode adotar para mitigar este problema, tais como:1 e 3

  • Evitar esforço ao evacuar (uma dieta rica em fibras e a ingestão de bastante água podem ajudar a reduzir a obstipação e facilitar a evacuação);
  • Evitar esforço ao levantar pesos, especialmente após uma cirurgia abdominal;
  • Manter o peso para evitar pressão na parede abdominal;
  • Não fumar.

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Tratamento

Se a hérnia for pequena e não causar sintomas, geralmente o médico monitoriza para acompanhar a sua evolução.

No entanto, para a maioria dos casos, a cirurgia será recomendada eventualmente. Normalmente, trata-se de um procedimento simples, geralmente realizado sem internamento e com uma recuperação rápida.

A maioria das pessoas pode ir para casa no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia, recuperando completamente em algumas semanas.

Embora o procedimento seja quase sempre bem-sucedido, existe cerca de 10% de probabilidade de a hérnia regressar algum tempo depois, especialmente se as condições que a causaram persistirem.

Adicionalmente, algumas hérnias podem ser perigosas porque podem ficar estranguladas (a área em causa perde o fornecimento sanguíneo) ou encarceradas. Ou seja, o tecido protuberante não pode ser empurrado de volta para o lugar, causando pressão constante.

Como resultado, alguns médicos recomendam a correção cirúrgica de uma hérnia visível para tentar evitar que esta piore ou leve a uma situação de emergência.1, 2, 3 e 4

Fontes:

  1. Cleveland Clinic (2023). Hernia. Disponível aqui.

  2. Manual MSD - Versão Saúde para a Família (2024). Hérnias da parede abdominal. Disponível aqui.

  3. Healthline (2023). The 6 Most Common Types of Hernia. Disponível aqui.

  4. NHS (2022). Hernia. Disponível aqui.

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