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Saúde

Vamos falar sobre sífilis? Conheça todas as fases desta doença

11 junho 2024
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A sífilis é uma infeção sexualmente transmissível que, em alguns casos, pode ser mortal. Descubra as suas principais fases e saiba como preveni-la.

Segundo dados divulgados pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção das Doenças (ECDC), os casos de sífilis aumentaram 34% em 2022 face ao ano anterior.1

Quando não é tratada, esta infeção sexualmente transmissível (IST) atravessa diferentes fases sintomáticas e assintomáticas, podendo prolongar-se por vários anos. Por isso, é importante saber ao que deve prestar atenção, para adotar métodos de prevenção e evitar o contágio.

Quais são as principais fases da sífilis?

A sífilis é uma infeção infetocontagiosa, provocada pela bactéria Treponema pallidum, que pode ser transmitida através de relações sexuais (vaginais, anais ou orais), pela partilha de material injetável contaminado ou durante a gravidez, passando de mãe para filho.2

Apesar de ser uma infeção sexualmente transmissível curável, a sífilis pode evoluir para um quadro clínico perigoso, principalmente se não for diagnosticada e tratada a tempo. Esta IST pode manifestar-se pela primeira vez em qualquer uma das suas fases: precoce, secundária e tardia.

Na sífilis precoce, os sintomas ocorrem semanas ou meses depois da infeção, enquanto, na sífilis tardia, podem manifestar-se mais de um ano após a infeção. Já a sífilis terciária (neurossífilis) pode ocorrer em qualquer momento, durante o curso da infeção, culminando no desenvolvimento de manifestações neurológicas precoces ou tardias.

A sífilis precoce engloba:3

  • Sífilis primária: com um período de incubação de 3 a 90 dias, em que a manifestação da infeção é localizada na pele;
  • Sífilis secundária: com um período de incubação de semanas ou meses, em que a manifestação apresenta vários sintomas, como uma erupção cutânea pelo tronco, membros, palmas das mãos e plantas dos pés, alopécia sifilítica, alterações gastrointestinais e alterações renais e/ou alterações no olfato e na visão;
  • Sífilis latente precoce: quando doentes infetados há menos de 12 meses não apresentam nenhum sintoma.

Já a sífilis tardia engloba:3

 

  • Sífilis terciária: manifesta-se com alterações cardiovasculares e/ou doença gomatosa (neurossífilis);
  • Sífilis latente tardia: quando doentes infetados há mais de 12 meses não apresentam nenhum sintoma.

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Sífilis primária: sinais e sintomas associados

Na primeira fase da sífilis, os sintomas começam a manifestar-se entre duas a três semanas após o contágio, sendo que esse tempo pode variar consoante o sexo. Tanto nos homens como nas mulheres, os sintomas podem envolver:4 e 5

  • Desenvolvimento de um caroço avermelhado ao redor da abertura vaginal, ânus, reto, boca, pénis ou lábios. Esta protuberância pode transformar-se numa úlcera, ou seja, uma ferida indolor, conhecida como cancro duro;
  • Múltiplas lesões firmes, redondas e não dolorosas na região do corpo onde ocorreu o contacto sexual (pénis, vagina, ânus, reto, boca e lábios).

Geralmente, as lesões que aparecem durante a sífilis primária podem cicatrizar entre 3 a 12 semanas, mesmo sem tratamento. Contudo, após a cicatrização, a infeção permanece contagiosa, podendo ser facilmente transmitida através do contacto com estas lesões.

Sífilis secundária: sinais e sintomas associados

Os sinais da sífilis secundária podem manifestar-se em casos em que a sífilis primária não foi sintomática, que não tenha sido diagnosticada ou tratada adequadamente. Podem demorar entre 6 a 12 semanas a desenvolver-se, após o aparecimento das lesões da primeira fase. Neste período da infeção, os sintomas podem evoluir para cenários mais graves, como:6

  • Erupção cutânea de cor vermelha ou castanha-avermelhada no tronco, membros, palmas e plantas dos pés (conhecida como dermatite sifilítica);
  • Nódulos palpáveis nas regiões do pescoço, axilas ou virilhas;
  • Lesões na boca, garganta e laringe;
  • Lesões nos órgãos genitais e no reto;
  • Perda irregular de cabelo;
  • Perda de peso;
  • Mal-estar geral;
  • Dores de cabeça;
  • Dores musculares;
  • Garganta dolorosa;
  • Febre, fadiga e dor no corpo (sintomas semelhantes aos da gripe).

A manifestação da sífilis secundária é sistémica, o que significa que não é só exclusiva da pele, ao contrário da sífilis primária. A maioria destes sintomas pode desaparecer com o tempo, mesmo que não tenham sido corretamente diagnosticados ou tratados. Caso a infeção não seja travada, a sífilis poderá continuar a evoluir.

Sífilis terciária: sinais e sintomas associados

A sífilis terciária geralmente começa quando os sintomas da sífilis secundária desaparecem. Porém, antes de chegar a esta fase, a pessoa infetada pode passar por um período longo de tempo sem apresentar nenhum sintoma (fase latente).

As manifestações da sífilis terciária podem provocar sequelas graves no organismo. O sistema nervoso central pode ser afetado quer na fase precoce, quer na fase tardia da sífilis, mas, quando ocorre na fase tardia, nomeadamente na sífilis terciária, destacam-se as seguintes complicações:4

  • Demência;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Cegueira;
  • Paraplegia;
  • Náuseas ou vómitos;
  • Problemas nos ossos ou nas articulações.

Sífilis latente: sinais e sintomas associados

Nesta fase, a bactéria da sífilis está ativa no corpo, mas não existem sinais ou sintomas da mesma. Este período pode ser subdividido em dois:

  • Sífilis latente recente: até um ano após a infeção;
  • Sífilis latente tardia: mais de um ano após a infeção.

A infeção permanece assintomática, mas pode afetar o coração, o cérebro, os nervos, os ossos e outras partes do corpo, se o diagnóstico não for realizado atempadamente.6

O que é a sífilis congénita?

Em Portugal, o número de diagnósticos por sífilis congénita, conhecido como contágio vertical por ser transmitido durante a gravidez, tem aumentado significativamente. Esta infeção sexualmente transmissível pode afetar a mãe e o bebé em qualquer altura da gestação.2

Enquanto num adulto a sífilis se pode manifestar como primária, secundária ou terciária, no feto, a sífilis é sempre secundária. Perante uma suspeita de sífilis congénita, é recomendável que a grávida faça um rastreio, antes de iniciar o tratamento.

O tratamento da sífilis no último mês da gravidez trata apenas a grávida, havendo um risco sério do bebé nascer infetado. A gravidade da infeção depende de vários fatores, entre os quais:7

  • Fase da sífilis: a infeção fetal é mais grave e frequente nos dois primeiros anos, após o início da infeção materna;
  • Idade de gestação: até à 15.ª semana de gravidez, o risco da bactéria atingir o feto é mínima. Só a partir da 20.ª semana é que a infeção tem consequências para o feto;
  • Trimestre em que ocorre a infeção: a maior morbilidade ocorre na infeção adquirida no 2.º trimestre, enquanto, no 3.º trimestre, o feto pode nascer infetado, mas assintomático.

Nestas situações, a penicilina é uma opção eficaz de tratamento para a sífilis. A primeira dose deve ser administrada no hospital, para vigiar de perto a grávida, uma vez que pode causar desconforto fetal ou desencadear o trabalho de parto. Quando as grávidas são alérgicas à penicilina, recorre-se a antibióticos alternativos.

 Como se transmite a sífilis?

A sífilis transmite-se quase sempre através do contacto sexual com uma pessoa infetada. O contágio é provocado pela bactéria que se espalha a partir das lesões existentes (úlceras), mesmo que estas não sejam visíveis, passando para a pele, mucosas da área genital, boca ou ânus da pessoa não infetada.

É importante salientar que a sífilis não se transmite por contacto ocasional com toalhas, roupas, talheres, balneários ou piscinas públicas.4 e 6

Que cuidados adotar para evitar a transmissão?

Para evitar contrair sífilis e, por consequência, transmiti-la a outra pessoa, pode adotar vários cuidados, nomeadamente:4, 5 e 6

  • Se suspeitar que o seu parceiro está infetado, deve abster-se de ter relações sexuais e conversar abertamente com o mesmo, para o consciencializar a fazer o teste;
  • Evitar comportamentos de risco, como ter relações sexuais sem preservativo ou com múltiplos parceiros (se for só com um, mas sem preservativo, e estiver infetado, o risco é alto na mesma);
  • Tenha a certeza que o tratamento para a sífilis resultou e já não está infetado (caso tenha sido contagiado), através da monitorização ou rastreio;
  • Não partilhe brinquedos sexuais ou agulhas.

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Como se pode diagnosticar a sífilis?

Uma vez que a maioria dos sintomas da sífilis, principalmente na primeira fase, são ligeiros e podem desaparecer com o tempo, muitas pessoas infetadas desvalorizam os sinais e não procuram aconselhamento clínico.

É importante que todas as pessoas com uma vida sexual ativa consultem o seu médico caso apresentem sintomas visíveis, como lesões cutâneas ou úlceras na área genital, para avançarem com um diagnóstico clínico. Este pode basear-se em três métodos de identificação:5 e 6

  • Observação dos sinais e sintomas no corpo da pessoa infetada, procurando por lesões na pele e nos órgãos genitais;
  • Realização de análises ao sangue por via da colheita de uma amostra de sangue, que também pode fazer o despiste para outras ISTs;
  • Análise da bactéria ao microscópio, através da recolha de uma amostra de fluido das feridas existentes, que, depois, será analisada em laboratório.

Também deve ser analisado caso:5

  • Tenha tido relações sexuais desprotegidas com um parceiro, cujo historial clínico desconhece;
  • Tenha outra infeção sexualmente transmissível diagnosticada;
  • Tenha relações sexuais regulares com mais de um parceiro sem usar preservativo.

A importância do rastreio

Em caso de dúvida, a melhor tática é a prevenção. Para evitar o contágio, enquanto não tiver a certeza do diagnóstico, é importante abster-se do contacto sexual com outras pessoas.

Nestas situações, é importante procurar soluções que o ajudem a ter a certeza se está ou não infetado. A Unilabs tem à sua disposição três testes ISTs, desde os mais específicos até aos mais completos, que permitem identificar as ISTs mais comuns, incluindo a sífilis.

Qual é o tratamento mais eficaz para a sífilis?

Desde que o tratamento da sífilis seja feito precocemente recorrendo a antibióticos, administrados sob a forma de injeções, cápsulas ou comprimidos, é um processo simples.

Para a sífilis precoce (primária, secundária ou latente), o modo de combate mais comum é a administração de uma dose de penicilina. No entanto, numa infeção tardia, serão necessárias doses adicionais. Na neurossífilis, o tratamento pode demorar 14 dias.

O tratamento pode começar antes de se conhecer o resultado do diagnóstico. A sua duração pode variar, dependendo da fase da sífilis.

Em casos raros, o tratamento pode causar sintomas parecidos com os de uma gripe (reação de Jarisch Herxheimer) e, normalmente, só acontece no tratamento da sífilis precoce. 

Para uma pessoa que não tenha VIH, aos 6 e aos 12 meses após iniciar o tratamento, deverá ser testada novamente, para confirmar que já não tem a bactéria da sífilis no organismo.

É importante que, neste período de recuperação, as pessoas infetadas não tenham relações sexuais desprotegidas, até os testes comprovarem que já estão livres da infeção.5 e 6

Fontes

 

  1. ECDC. Syphilis - Annual Epidemiological Report 2022 (2024). Disponível aqui.

  2. World Health Organization. Syphilis. Disponível aqui.

  3. CDC. Syphilis (2023). Disponível aqui.

  4. WebMD (2023). What Are the Types and Stages of Syphilis? Disponível aqui

  5. NHS (2022). Syphilis. Disponível aqui.

  6. Mayo Clinic (2023). Syphilis. Disponível aqui.

  7. Protocolos de Diagnóstico e Terapêutica em Infecciologia Perinatal. Sífilis - Protocolo. Disponível aqui.

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