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Saúde

Quais as principais causas da cirrose hepática?

09 dezembro 2024
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O consumo excessivo de álcool pode ser a causa mais conhecida da cirrose hepática, mas existem outras também bastante comuns. Saiba quais.

A cirrose hepática é uma condição de saúde que afeta a estrutura do fígado, causando a morte das células e o surgimento de cicatrizes (fibrose).

Habitualmente, a cirrose surge como progressão de uma doença hepática crónica e leva à destruição do fígado.

O tecido cicatricial impede o funcionamento normal do fígado, sendo que a cirrose ocorre após outros estágios de danos causados por condições que afetam o fígado.

Embora o fígado ainda possa funcionar na suas fases iniciais, a cirrose pode, eventualmente, evoluir para insuficiência hepática e complicações mais graves, que podem ser fatais.

Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, em 2021, morreram 2.806 pessoas devido a doenças hepáticas e das vias biliares. O que corresponde a 2,24% do total de óbitos registados nesse ano em Portugal.

Contudo, existem tratamentos que podem ajudar a retardar a progressão da doença e prevenir problemas adicionais.1 e 2

Causas

Qualquer doença hepática crónica que cause danos ao fígado, como a hepatite, pode levar à cirrose.  As causas mais comuns da cirrose hepática podem incluir:3

  • Hepatite induzida por álcool: causada pelo consumo intenso de álcool, esta pode ser a causa mais conhecida de cirrose hepática, mas as causas não alcoólicas também são comuns;
  • Esteatose hepática não alcoólica: causada pelo armazenamento excessivo de gordura no fígado, está relacionada com fatores metabólicos como níveis elevados de lipídicos no sangue, açúcar no sangue e pressão arterial;
  • Infeção crónica por hepatite C: é uma infeção viral que se torna crónica na maioria das pessoas e é curável com antivirais;
  • Infeção crónica por hepatite B: é uma infeção viral que se pode tornar crónica numa minoria de pessoas. A hepatite B é tratável, mas não tem cura definitiva.

Já as causas menos comuns de cirrose podem englobar:3 e 4

  • Doença biliar autoimune: certas doenças autoimunes podem causar inflamação crónica do fígado, incluindo hepatite autoimune, colangite biliar primária e colangite esclerosante primária;
  • Doença cardiovascular: condições que provocam congestão venosa (acumulação de sangue) no fígado, como insuficiência cardíaca congestiva, podem levar a danos hepáticos;
  • Distúrbios genéticos: certas doenças hereditárias podem causar a acumulação de substâncias tóxicas no fígado e danificá-lo, como doença de armazenamento de glicogénio, fibrose cística e doença de Wilson;
  • Hepatite tóxica: a exposição prolongada a certas toxinas ambientais pode causar danos hepáticos crónicos. O mesmo acontece com certos medicamentos, incluindo analgésicos sem receita médica.

Fatores de risco associados

Uma pessoa pode estar em maior risco de desenvolver cirrose hepática, se tiver:3

  • Mais de 50 anos;
  • Síndrome metabólica;
  • Infeção crónica por hepatite viral;
  • Histórico de uso intensivo de álcool.

Complicações

Em caso de complicação da cirrose e da hipertensão portal (pressão na veia portal que pode afetar o fígado), as consequências podem englobar:3

  • Imunidade reduzida, afetando o processo de recuperação e cura;
  • Dificuldades digestivas, má absorção e desnutrição;
  • Desequilíbrios e deficiências hormonais;
  • Sensação de mal-estar, cansaço e confusão;
  • Comprometimento cognitivo leve e disfunção motora;
  • Vazamento de fluido das veias, causando inchaço no corpo.

Em caso de complicações potencialmente fatais, essas podem incluir:3

  • Varizes gastrointestinais e sangramento gastrointestinal;
  • Insuficiência respiratória (síndrome hepatopulmonar);
  • Insuficiência renal (síndrome hepatorrenal);
  • Peritonite bacteriana espontânea;
  • Insuficiência hepática crónica;
  • Cancro do fígado.

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Sintomas

Geralmente, numa fase inicial, a cirrose não apresenta sintomas até que o dano hepático seja grave (designada por cirrose compensada, o primeiro estágio da doença hepática).

Na fase de descompensação, o mais avançado dos estágios da cirrose, o fígado tem bastante tecido cicatricial que fica propenso a complicações.

Quando os sintomas da cirrose hepática ocorrem, estes podem incluir:5 e 6

  • Perda de apetite;
  • Perda de peso;
  • Náusea;
  • Fadiga;
  • Pele com prurido;
  • Confusão, sonolência ou fala arrastada;
  • Acumulação de líquido no abdómen (ascite);
  • Inchaço nas pernas, pés ou tornozelos (edema);
  • Unhas claras, especialmente o polegar e o indicador;
  • Surgimento de hematomas ou sangramento com facilidade;
  • Descoloração amarela na pele e nos olhos (icterícia);
  • Vasos sanguíneos semelhantes a aranhas na pele;
  • Vermelhidão nas palmas das mãos;
  • Ausência ou perda de menstruação não relacionada com a menopausa (no caso do sexo feminino);
  • Perda do desejo sexual, encolhimento testicular ou aumento das mamas (no caso do sexo masculino).

Nos casos de cirrose alcoólica e cirrose hepática não alcoólica, há sintomas comuns a ambas, como ascite, dores abdominais e perda de peso e apetite, assim como fadiga, náuseas e icterícia.

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Diagnóstico e tratamento

Como os sintomas não são sentidos imediatamente, o paciente pode só descobrir que tem esta condição de saúde numa consulta de rotina. Os testes de diagnóstico da cirrose hepática podem incluir:3 e 6

  • Exames de sangue: podem mostrar sinais de doença hepática e insuficiência cardíaca, uma vez que estas análises clínicas medem enzimas hepáticas, proteínas e níveis de bilirrubina no sangue. Os exames de sangue também podem indicar doenças específicas ou efeitos colaterais conhecidos, como redução da coagulação sanguínea.
  • Exames de imagem: testes imagiológicos como ecografia abdominal, tomografia computorizada ou ressonância magnética podem mostrar o tamanho, a forma e a textura do fígado. Uma das soluções mais precisas é um tipo especial de exame de imagem chamado elastografia hepática transitória, ou Fibroscan, que usa tecnologia para medir o nível de rigidez ou fibrose no fígado.
  • Biópsia hepática: é um procedimento para recolher uma amostra de tecido do fígado. Embora nem sempre seja necessária, uma biópsia hepática pode confirmar a cirrose e ajudar a determinar a causa.

A cirrose hepática tem cura?

Não tem cura definitiva, no sentido de que as cicatrizes (fibrose) já formadas não podem ser completamente revertidas. 

Porém, o tratamento pode ajudar a controlar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso vai depender da causa, do quão tratável pode ser e de que forma a pessoa responde ao tratamento.

O tratamento da cirrose hepática pode incluir:1 e 3

  • Adotar medidas gerais de dieta e estilo de vida: evitar álcool em excesso, seguir uma dieta equilibrada e controlar o peso ajudam a reduzir o stress no fígado e podem melhorar a saúde geral do paciente;
  • Gerir a causa (se possível): para retardar ou reduzir os danos;
  • Transplante de fígado: a taxa de sobrevivência ronda os 80%, contudo, os resultados podem variar dependendo de diversos fatores, incluindo a saúde geral do paciente e a presença ou não de outras condições.

À semelhança da cirrose hepática não alcoólica, a cirrose alcoólica também tem tratamento, apesar de os danos serem irreversíveis.

Na fase compensada (inicial), deve-se abandonar o consumo de álcool e, se as hepatites forem a causa, o médico pode prescrever medicamentos que conseguem eliminar ou controlar os vírus.

Na fase descompensada (avançada), o tratamento é variável:1

  • Antibióticos;
  • Diuréticos para eliminar os líquidos em excesso;
  • Bloqueadores beta para diminuir o risco de hemorragia;
  • Endoscopia para tratar varizes do esófago ou do estômago;
  • Tratamentos específicos para impedir o crescimento de carcinoma hepatocelular (cancro do fígado).

Prevenção

É possível diminuir a probabilidade de desenvolver cirrose hepática com a adoção de certas medidas, que, além da vacinação contra a hepatite B, incluem:1, 3 e 7

  • Usar preservativo nas relações sexuais de risco;
  • Não partilhar seringas ou outro material do género;
  • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas (a causa principal de cirrose alcoólica).

Para as pessoas que vivem com cirrose hepática, é importante dar prioridade a alimentos ricos em proteínas e incorporar na dieta fontes de proteína de origem vegetal e animal.

Quem tem cirrose hepática deve igualmente limitar ou evitar álcool e alimentos ricos em gorduras prejudiciais à saúde, de modo a prevenir o excesso de peso.

Para acompanhar a evolução da doença, é essencial ir às consultas de rotina e realizar os exames recomendados pelo médico, para evitar potenciais complicações.

Fontes

  1. SNS 24 (2023). Cirrose hepática. Disponível aqui.

  2. NHS (2024). Cirrhosis. Disponível aqui.

  3. Cleveland Clinic (2023). Cirrhosis of the Liver. Disponível aqui.

  4. Direção-Geral da Saúde (2023). Programa Nacional para as Hepatites Virais. Disponível aqui.

  5. Mayo Clinic (2023). Cirrhosis - Symptoms & causes. Disponível aqui.

  6. WebMD (2024). Cirrhosis of the Liver: Symptoms, Stages & Treatment. Disponível aqui.

  7. Healthline (2023). How to Follow a Liver Cirrhosis Diet: All You Need to Know. Disponível aqui.

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