Quais as principais causas da cirrose hepática?
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O consumo excessivo de álcool pode ser a causa mais conhecida da cirrose hepática, mas existem outras também bastante comuns. Saiba quais.
A cirrose hepática é uma condição de saúde que afeta a estrutura do fígado, causando a morte das células e o surgimento de cicatrizes (fibrose).
Habitualmente, a cirrose surge como progressão de uma doença hepática crónica e leva à destruição do fígado.
O tecido cicatricial impede o funcionamento normal do fígado, sendo que a cirrose ocorre após outros estágios de danos causados por condições que afetam o fígado.
Embora o fígado ainda possa funcionar na suas fases iniciais, a cirrose pode, eventualmente, evoluir para insuficiência hepática e complicações mais graves, que podem ser fatais.
Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, em 2021, morreram 2.806 pessoas devido a doenças hepáticas e das vias biliares. O que corresponde a 2,24% do total de óbitos registados nesse ano em Portugal.
Contudo, existem tratamentos que podem ajudar a retardar a progressão da doença e prevenir problemas adicionais.1 e 2
Causas
Qualquer doença hepática crónica que cause danos ao fígado, como a hepatite, pode levar à cirrose. As causas mais comuns da cirrose hepática podem incluir:3
- Hepatite induzida por álcool: causada pelo consumo intenso de álcool, esta pode ser a causa mais conhecida de cirrose hepática, mas as causas não alcoólicas também são comuns;
- Esteatose hepática não alcoólica: causada pelo armazenamento excessivo de gordura no fígado, está relacionada com fatores metabólicos como níveis elevados de lipídicos no sangue, açúcar no sangue e pressão arterial;
- Infeção crónica por hepatite C: é uma infeção viral que se torna crónica na maioria das pessoas e é curável com antivirais;
- Infeção crónica por hepatite B: é uma infeção viral que se pode tornar crónica numa minoria de pessoas. A hepatite B é tratável, mas não tem cura definitiva.
Já as causas menos comuns de cirrose podem englobar:3 e 4
- Doença biliar autoimune: certas doenças autoimunes podem causar inflamação crónica do fígado, incluindo hepatite autoimune, colangite biliar primária e colangite esclerosante primária;
- Doença cardiovascular: condições que provocam congestão venosa (acumulação de sangue) no fígado, como insuficiência cardíaca congestiva, podem levar a danos hepáticos;
- Distúrbios genéticos: certas doenças hereditárias podem causar a acumulação de substâncias tóxicas no fígado e danificá-lo, como doença de armazenamento de glicogénio, fibrose cística e doença de Wilson;
- Hepatite tóxica: a exposição prolongada a certas toxinas ambientais pode causar danos hepáticos crónicos. O mesmo acontece com certos medicamentos, incluindo analgésicos sem receita médica.
Fatores de risco associados
Uma pessoa pode estar em maior risco de desenvolver cirrose hepática, se tiver:3
- Mais de 50 anos;
- Síndrome metabólica;
- Infeção crónica por hepatite viral;
- Histórico de uso intensivo de álcool.
Complicações
Em caso de complicação da cirrose e da hipertensão portal (pressão na veia portal que pode afetar o fígado), as consequências podem englobar:3
- Imunidade reduzida, afetando o processo de recuperação e cura;
- Dificuldades digestivas, má absorção e desnutrição;
- Desequilíbrios e deficiências hormonais;
- Sensação de mal-estar, cansaço e confusão;
- Comprometimento cognitivo leve e disfunção motora;
- Vazamento de fluido das veias, causando inchaço no corpo.
Em caso de complicações potencialmente fatais, essas podem incluir:3
- Varizes gastrointestinais e sangramento gastrointestinal;
- Insuficiência respiratória (síndrome hepatopulmonar);
- Insuficiência renal (síndrome hepatorrenal);
- Peritonite bacteriana espontânea;
- Insuficiência hepática crónica;
- Cancro do fígado.
Sintomas
Geralmente, numa fase inicial, a cirrose não apresenta sintomas até que o dano hepático seja grave (designada por cirrose compensada, o primeiro estágio da doença hepática).
Na fase de descompensação, o mais avançado dos estágios da cirrose, o fígado tem bastante tecido cicatricial que fica propenso a complicações.
Quando os sintomas da cirrose hepática ocorrem, estes podem incluir:5 e 6
- Perda de apetite;
- Perda de peso;
- Náusea;
- Fadiga;
- Pele com prurido;
- Confusão, sonolência ou fala arrastada;
- Acumulação de líquido no abdómen (ascite);
- Inchaço nas pernas, pés ou tornozelos (edema);
- Unhas claras, especialmente o polegar e o indicador;
- Surgimento de hematomas ou sangramento com facilidade;
- Descoloração amarela na pele e nos olhos (icterícia);
- Vasos sanguíneos semelhantes a aranhas na pele;
- Vermelhidão nas palmas das mãos;
- Ausência ou perda de menstruação não relacionada com a menopausa (no caso do sexo feminino);
- Perda do desejo sexual, encolhimento testicular ou aumento das mamas (no caso do sexo masculino).
Nos casos de cirrose alcoólica e cirrose hepática não alcoólica, há sintomas comuns a ambas, como ascite, dores abdominais e perda de peso e apetite, assim como fadiga, náuseas e icterícia.
Diagnóstico e tratamento
Como os sintomas não são sentidos imediatamente, o paciente pode só descobrir que tem esta condição de saúde numa consulta de rotina. Os testes de diagnóstico da cirrose hepática podem incluir:3 e 6
- Exames de sangue: podem mostrar sinais de doença hepática e insuficiência cardíaca, uma vez que estas análises clínicas medem enzimas hepáticas, proteínas e níveis de bilirrubina no sangue. Os exames de sangue também podem indicar doenças específicas ou efeitos colaterais conhecidos, como redução da coagulação sanguínea.
- Exames de imagem: testes imagiológicos como ecografia abdominal, tomografia computorizada ou ressonância magnética podem mostrar o tamanho, a forma e a textura do fígado. Uma das soluções mais precisas é um tipo especial de exame de imagem chamado elastografia hepática transitória, ou Fibroscan, que usa tecnologia para medir o nível de rigidez ou fibrose no fígado.
- Biópsia hepática: é um procedimento para recolher uma amostra de tecido do fígado. Embora nem sempre seja necessária, uma biópsia hepática pode confirmar a cirrose e ajudar a determinar a causa.
A cirrose hepática tem cura?
Não tem cura definitiva, no sentido de que as cicatrizes (fibrose) já formadas não podem ser completamente revertidas.
Porém, o tratamento pode ajudar a controlar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso vai depender da causa, do quão tratável pode ser e de que forma a pessoa responde ao tratamento.
O tratamento da cirrose hepática pode incluir:1 e 3
- Adotar medidas gerais de dieta e estilo de vida: evitar álcool em excesso, seguir uma dieta equilibrada e controlar o peso ajudam a reduzir o stress no fígado e podem melhorar a saúde geral do paciente;
- Gerir a causa (se possível): para retardar ou reduzir os danos;
- Transplante de fígado: a taxa de sobrevivência ronda os 80%, contudo, os resultados podem variar dependendo de diversos fatores, incluindo a saúde geral do paciente e a presença ou não de outras condições.
À semelhança da cirrose hepática não alcoólica, a cirrose alcoólica também tem tratamento, apesar de os danos serem irreversíveis.
Na fase compensada (inicial), deve-se abandonar o consumo de álcool e, se as hepatites forem a causa, o médico pode prescrever medicamentos que conseguem eliminar ou controlar os vírus.
Na fase descompensada (avançada), o tratamento é variável:1
- Antibióticos;
- Diuréticos para eliminar os líquidos em excesso;
- Bloqueadores beta para diminuir o risco de hemorragia;
- Endoscopia para tratar varizes do esófago ou do estômago;
- Tratamentos específicos para impedir o crescimento de carcinoma hepatocelular (cancro do fígado).
Prevenção
É possível diminuir a probabilidade de desenvolver cirrose hepática com a adoção de certas medidas, que, além da vacinação contra a hepatite B, incluem:1, 3 e 7
- Usar preservativo nas relações sexuais de risco;
- Não partilhar seringas ou outro material do género;
- Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas (a causa principal de cirrose alcoólica).
Para as pessoas que vivem com cirrose hepática, é importante dar prioridade a alimentos ricos em proteínas e incorporar na dieta fontes de proteína de origem vegetal e animal.
Quem tem cirrose hepática deve igualmente limitar ou evitar álcool e alimentos ricos em gorduras prejudiciais à saúde, de modo a prevenir o excesso de peso.
Para acompanhar a evolução da doença, é essencial ir às consultas de rotina e realizar os exames recomendados pelo médico, para evitar potenciais complicações.
Fontes
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SNS 24 (2023). Cirrose hepática. Disponível aqui.
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NHS (2024). Cirrhosis. Disponível aqui.
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Cleveland Clinic (2023). Cirrhosis of the Liver. Disponível aqui.
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Direção-Geral da Saúde (2023). Programa Nacional para as Hepatites Virais. Disponível aqui.
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Mayo Clinic (2023). Cirrhosis - Symptoms & causes. Disponível aqui.
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WebMD (2024). Cirrhosis of the Liver: Symptoms, Stages & Treatment. Disponível aqui.
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Healthline (2023). How to Follow a Liver Cirrhosis Diet: All You Need to Know. Disponível aqui.



