Clamídia: uma infeção comum que pode levar à infertilidade
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A clamídia genital é uma infeção comum. Contudo, quando não é tratada, pode levar a sérios problemas, principalmente no sexo feminino. Saiba quais.
A clamídia, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, é uma infeção sexualmente transmissível bastante comum, que afeta tanto homens como mulheres.
Se não for tratada, a clamidiose genital pode provocar sérias complicações. No sexo feminino, a infeção nos órgãos reprodutores pode causar, até, infertilidade.
A clamídia genital pode afetar várias zonas do corpo e, por norma, localiza-se na boca, pénis, vagina ou ânus.
Nem sempre o agente causador desta infeção deixa rasto para poder ser identificado, pelo que a maioria das pessoas infetadas são assintomáticas (entre 40% a 96%).1 e 2
Como se transmite a bactéria da clamídia?
Geralmente, a clamidiose genital transmite-se por contacto sexual desprotegido, ou seja, quando o preservativo não é usado.
Apesar de a clamídia ser uma infeção sexualmente transmissível, a bactéria Chlamydia trachomatis transmite-se de outras formas.2 e 3
Formas de transmissão
Existem formas distintas da clamídia genital ser transmitida a outra pessoa: 1-4
- Relações sexuais vaginais, anais e orais desprotegidas;
- Contágio durante o parto para o bebé recém-nascido (caso a grávida esteja infetada com clamídia).
A clamídia genital não se transmite através de contacto casual, como beijos e abraços, nem através da partilha de banheiras, toalhas, piscinas, assentos sanitários ou talheres.
E para prevenir a clamídia genital?
A melhor forma de prevenir a infeção passa por evitar comportamentos sexuais de risco. As pessoas assintomáticas também correm o risco de infeção. Como tal, o preservativo deve ser sempre usado.
Para prevenir infeções deste género, as pessoas sexualmente ativas devem:
- Usar sempre preservativo em relações sexuais vaginais, anais e orais;
- Não partilhar brinquedos sexuais (ou lavá-los corretamente ou usar um preservativo neles);
- Usar uma barreira (papel celofane ou látex) para cobrir os órgãos genitais femininos durante o sexo oral ou ao tocar os órgãos genitais femininos.
Quais são os sintomas da clamídia?
A maioria das pessoas infetadas com o agente causador da clamídia pode não manifestar sintomas. É por este motivo que esta é frequentemente referida como uma “infeção silenciosa”.
Quando existem, podem levar várias semanas até uma pessoa infetada revelar os sintomas.
Sintomas em mulheres e homens
Alguns sintomas podem diferir ligeiramente entre o sexo feminino e o sexo masculino. Nas mulheres, os sintomas mais comuns são: 1 e 2
- Dores nas relações sexuais;
- Corrimento vaginal;
- Sensação de ardor ao urinar;
- Dor na parte inferior do abdómen;
- Inflamação do colo do útero;
- Sangramento entre os períodos menstruais.
A infeção pode atingir o útero, as trompas de Falópio, os ovários ou os órgãos circundantes do sistema reprodutor, o que pode causar uma doença chamada Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A DIP é uma emergência médica, que pode incluir sintomas como:
- Febre;
- Dor pélvica intensa;
- Náuseas;
- Corrimento vaginal anormal entre os períodos menstruais.
A clamídia também pode infetar o reto. Os sintomas de infeção retal, podem incluir dor, secreção e sangramento.
Já nas pessoas do sexo masculino, alguns dos sintomas mais comuns da clamídia incluem:2
- Sensação de ardor ao urinar;
- Secreções amarelas ou verdes do pénis;
- Dor na parte inferior do abdómen;
- Dor nos testículos.
Também é possível contrair uma infeção por clamídia no ânus. Neste caso, os principais sintomas são dor e sangramento no ânus.
Dependendo da atividade sexual, a clamídia genital pode afetar os olhos, a garganta ou o reto. As infeções oculares, chamadas conjuntivites, fazem com que o interior da pálpebra fique vermelho e irritado. Na garganta, a pessoa pode ter dores ou ser assintomática.5
Existem complicações associadas à clamidiose genital?
A bactéria da clamídia pode estar associada a:5 e 6
- Doença Inflamatória Pélvica (DIP): a DIP pode danificar as trompas de Falópio, os ovários e o útero, incluindo o colo do útero;
- Infeção perto dos testículos: a infeção por clamídia pode inflamar o ducto onde estão armazenados os espermatozoides, chamado epidídimo;
- Infeção da próstata: é raro, mas a bactéria da clamídia pode atingir a próstata;
- Artrite reativa: pessoas com clamídia correm um maior risco de desenvolver esta condição, que, geralmente, afeta as articulações, os olhos e a uretra;
- Infeções em recém-nascidos: a infeção por clamídia pode passar do canal vaginal para o bebé durante o parto, causando-lhe pneumonia ou uma infeção ocular grave;
- Gravidez ectópica: uma infeção por clamídia genital aumenta o risco desta condição (o óvulo fertilizado cresce fora do útero);
- Infertilidade: como qualquer infeção genital não tratada adequadamente, a clamídia pode causar cicatrizes e obstrução nas trompas de Falópio, o que pode levar à infertilidade.
Em mulheres grávidas, ter clamídia também pode aumentar a probabilidade de um parto prematuro.
Na primeira consulta pré-natal, é aconselhável que as grávidas façam o teste de clamídia para que, se for o caso, se proceda ao tratamento correto.
A clamídia pode evoluir para linfogranuloma venéreo?
As estirpes L1, L2 e L3 da Chlamydia trachomatis podem evoluir para outros problemas, nomeadamente uma lesão genital chamada linfogranuloma venéreo, mais comum em países tropicais.
Esta infeção sexualmente transmissível, muito rara na Europa até à primeira década de 2000, manifesta-se como:8
- Pápula ou úlcera genital;
- Aumento dos gânglios das virilhas.
Desde a década passada, têm surgido formas atípicas de linfogranuloma venéreo, em vários países da Europa, sob estes sintomas: 8
- Inflamação do reto (proctite);
- Inflamação do cólon (colite);
- Dor ou incómodo anal, corrimento mucoso ou sangue.
Estas formas de linfogranuloma venéreo são mais frequentes nos homens que têm sexo com homens, principalmente nos seropositivos para o VIH.
Para diagnosticar o linfogranuloma venéreo, é necessário observar o paciente, recolher informação epidemiológica e proceder à confirmação laboratorial com recursos a análises.
À semelhança da clamídia ‘original’, esta estirpe da Chlamydia trachomatis tem cura. É necessário que os parceiros sexuais sejam tratados, mesmo que a clamídia seja assintomática.
Há grupos de risco afetados pelo agente causador da clamídia?
A clamídia pode infetar homens e mulheres de qualquer idade, uma vez que qualquer pessoa sexualmente ativa pode contrair o agente causador da clamídia.
As pessoas com maior risco de contrair clamídia genital são os jovens, entre os 14 e os 24 anos, e indivíduos sexualmente ativos com múltiplos parceiros.1
Como diagnosticar?
O diagnóstico da clamídia faz-se com base na avaliação de sintomas, rastreio e confirmação da presença da bactéria em amostras.
Essas amostras podem ser recolhidas da uretra, do colo do útero, do ânus ou da garganta. Também podem ser feitas análises à urina.
Uma vez que a clamídia é conhecida por ser uma infeção assintomática na maior parte das pessoas, fazer um rastreio é crucial para diagnosticar o problema. Na Unilabs, tem à sua disposição três testes ISTs, que permitem diagnosticar as infeções sexualmente transmissíveis mais frequentes, incluindo a clamídia.
Estas análises clínicas são essenciais para o diagnóstico de determinadas infeções. Caso a clamídia seja diagnosticada, é aconselhável fazer o rastreio a outras ISTs, como a gonorreia ou o VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana).1
Como tratar?
A bactéria Chlamydia trachomatis tem cura. Contudo, mesmo sendo uma infeção comum, podem surgir complicações graves, se não for tratada a tempo.
O tratamento para a Chlamydia trachomatis é feito à base de antibióticos, que devem ser prescritos por um médico. Contudo, caso o tratamento seja iniciado tardiamente, o antibiótico interrompe a infeção, mas não repara os danos permanentes causados pela clamídia.
Assim, é aconselhável fazer outro teste cerca de três meses após o tratamento, principalmente se os comportamentos de risco se mantiverem. O tratamento para a clamídia genital serve para a infeção do momento, não protegendo contra novas infeções nem conferindo imunidade.
Também é recomendável evitar relações sexuais até a clamídia estar completamente tratada e erradicada do organismo.1 e 6
A população tem sido afetada pela clamídia nos últimos anos?
Em 2018, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) estimaram que havia, aproximadamente, quatro milhões de casos de clamídia só nos Estados Unidos.
Apesar de tanto homens como mulheres poderem contrair a infeção da clamídia genital, as taxas de infeção são mais altas entre as mulheres, sobretudo entre os 15 e os 24 anos.
As taxas de infeção por clamídia variam entre 0,1 e 709 casos por 100 mil habitantes. Provavelmente, o número de infeções é maior, uma vez que muitos casos não são registados, devido ao facto de a maioria das pessoas infetadas por clamídia ser assintomática.
Segundo dados do CDC, nos países da União Europeia:2, 3 e 9
216.508 casos de clamídia foram confirmados em 2022. Isto representa um aumento de 16% em comparação com o ano de 2021 e um aumento de 15% relativamente ao ano de 2018.
Após atingir um pico em 2019, as taxas de infeção por clamídia diminuíram em 2020 e 2021, durante a pandemia da Covid-19. Em 2022, foi observado um recorde alto da taxa de infeção por clamídia.
O mesmo relatório indica que, em Portugal, foram registados 1.501 casos de clamídia genital no ano de 2022.9
Fontes
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SNS 24 (2023). Clamídia. Disponível aqui.
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Healthline (2021). Everything You Need to Know About Chlamydia Infection. Disponível aqui.
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Cleveland Clinic (2023). Chlamydia. Disponível aqui.
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NHS (2021). Chlamydia. Disponível aqui.
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Mayo Clinic (2024). Chlamydia trachomatis. Disponível aqui.
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CDC (2022). Chlamydia – CDC Basic Fact Sheet. Disponível aqui.
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MedlinePlus (2024). Chlamydia Infections. Disponível aqui.
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Associação para o Planeamento da Família (APF). Clamídia. Disponível aqui.
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CDC (2024). Chlamydia infection - Annual Epidemiological Report for 2022. Disponível aqui.



