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Saúde

Clamídia: uma infeção comum que pode levar à infertilidade

02 julho 2024
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A clamídia genital é uma infeção comum. Contudo, quando não é tratada, pode levar a sérios problemas, principalmente no sexo feminino. Saiba quais.

A clamídia, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, é uma infeção sexualmente transmissível bastante comum, que afeta tanto homens como mulheres.

Se não for tratada, a clamidiose genital pode provocar sérias complicações. No sexo feminino, a infeção nos órgãos reprodutores pode causar, até, infertilidade.

A clamídia genital pode afetar várias zonas do corpo e, por norma, localiza-se na boca, pénis, vagina ou ânus. 

Nem sempre o agente causador desta infeção deixa rasto para poder ser identificado, pelo que a maioria das pessoas infetadas são assintomáticas (entre 40% a 96%).1 e 2

Como se transmite a bactéria da clamídia?

Geralmente, a clamidiose genital transmite-se por contacto sexual desprotegido, ou seja, quando o preservativo não é usado.

Apesar de a clamídia ser uma infeção sexualmente transmissível, a bactéria Chlamydia trachomatis transmite-se de outras formas.2 e 3

 

Formas de transmissão 

Existem formas distintas da clamídia genital ser transmitida a outra pessoa: 1-4

  • Relações sexuais vaginais, anais e orais desprotegidas;
  • Contágio durante o parto para o bebé recém-nascido (caso a grávida esteja infetada com clamídia).

A clamídia genital não se transmite através de contacto casual, como beijos e abraços, nem através da partilha de banheiras, toalhas, piscinas, assentos sanitários ou talheres.

E para prevenir a clamídia genital?

A melhor forma de prevenir a infeção passa por evitar comportamentos sexuais de risco. As pessoas assintomáticas também correm o risco de infeção. Como tal, o preservativo deve ser sempre usado.

Para prevenir infeções deste género, as pessoas sexualmente ativas devem:

  • Usar sempre preservativo em relações sexuais vaginais, anais e orais;
  • Não partilhar brinquedos sexuais (ou lavá-los corretamente ou usar um preservativo neles);
  • Usar uma barreira (papel celofane ou látex) para cobrir os órgãos genitais femininos durante o sexo oral ou ao tocar os órgãos genitais femininos.

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Quais são os sintomas da clamídia?

A maioria das pessoas infetadas com o agente causador da clamídia pode não manifestar sintomas. É por este motivo que esta é frequentemente referida como uma “infeção silenciosa”.

Quando existem, podem levar várias semanas até uma pessoa infetada revelar os sintomas.

Sintomas em mulheres e homens

Alguns sintomas podem diferir ligeiramente entre o sexo feminino e o sexo masculino. Nas mulheres, os sintomas mais comuns são: 1 e 2

  • Dores nas relações sexuais;
  • Corrimento vaginal;
  • Sensação de ardor ao urinar;
  • Dor na parte inferior do abdómen;
  • Inflamação do colo do útero;
  • Sangramento entre os períodos menstruais.

A infeção pode atingir o útero, as trompas de Falópio, os ovários ou os órgãos circundantes do sistema reprodutor, o que pode causar uma doença chamada Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A DIP é uma emergência médica, que pode incluir sintomas como:

  • Febre;
  • Dor pélvica intensa;
  • Náuseas;
  • Corrimento vaginal anormal entre os períodos menstruais.

A clamídia também pode infetar o reto. Os sintomas de infeção retal, podem incluir dor, secreção e sangramento.

Já nas pessoas do sexo masculino, alguns dos sintomas mais comuns da clamídia incluem:2

  • Sensação de ardor ao urinar;
  • Secreções amarelas ou verdes do pénis;
  • Dor na parte inferior do abdómen;
  • Dor nos testículos.

Também é possível contrair uma infeção por clamídia no ânus. Neste caso, os principais sintomas são dor e sangramento no ânus.

Dependendo da atividade sexual, a clamídia genital pode afetar os olhos, a garganta ou o reto. As infeções oculares, chamadas conjuntivites, fazem com que o interior da pálpebra fique vermelho e irritado. Na garganta, a pessoa pode ter dores ou ser assintomática.5

Existem complicações associadas à clamidiose genital?

A bactéria da clamídia pode estar associada a:5 e 6

 

  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP): a DIP pode danificar as trompas de Falópio, os ovários e o útero, incluindo o colo do útero;
  • Infeção perto dos testículos: a infeção por clamídia pode inflamar o ducto onde estão armazenados os espermatozoides, chamado epidídimo;
  • Infeção da próstata: é raro, mas a bactéria da clamídia pode atingir a próstata;
  • Artrite reativa: pessoas com clamídia correm um maior risco de desenvolver esta condição, que, geralmente, afeta as articulações, os olhos e a uretra;
  • Infeções em recém-nascidos: a infeção por clamídia pode passar do canal vaginal para o bebé durante o parto, causando-lhe pneumonia ou uma infeção ocular grave;
  • Gravidez ectópica: uma infeção por clamídia genital aumenta o risco desta condição (o óvulo fertilizado cresce fora do útero);
  • Infertilidade: como qualquer infeção genital não tratada adequadamente, a clamídia pode causar cicatrizes e obstrução nas trompas de Falópio, o que pode levar à infertilidade.

Em mulheres grávidas, ter clamídia também pode aumentar a probabilidade de um parto prematuro.

Na primeira consulta pré-natal, é aconselhável que as grávidas façam o teste de clamídia para que, se for o caso, se proceda ao tratamento correto.

A clamídia pode evoluir para linfogranuloma venéreo?

 

As estirpes L1, L2 e L3 da Chlamydia trachomatis podem evoluir para outros problemas, nomeadamente uma lesão genital chamada linfogranuloma venéreo, mais comum em países tropicais.

Esta infeção sexualmente transmissível, muito rara na Europa até à primeira década de 2000, manifesta-se como:8

  • Pápula ou úlcera genital;
  • Aumento dos gânglios das virilhas.

Desde a década passada, têm surgido formas atípicas de linfogranuloma venéreo, em vários países da Europa, sob estes sintomas: 8

  • Inflamação do reto (proctite);
  • Inflamação do cólon (colite);
  • Dor ou incómodo anal, corrimento mucoso ou sangue.

Estas formas de linfogranuloma venéreo são mais frequentes nos homens que têm sexo com homens, principalmente nos seropositivos para o VIH.

Para diagnosticar o linfogranuloma venéreo, é necessário observar o paciente, recolher informação epidemiológica e proceder à confirmação laboratorial com recursos a análises.

À semelhança da clamídia ‘original’, esta estirpe da Chlamydia trachomatis tem cura. É necessário que os parceiros sexuais sejam tratados, mesmo que a clamídia seja assintomática.

Há grupos de risco afetados pelo agente causador da clamídia?

A clamídia pode infetar homens e mulheres de qualquer idade, uma vez que qualquer pessoa sexualmente ativa pode contrair o agente causador da clamídia.

As pessoas com maior risco de contrair clamídia genital são os jovens, entre os 14 e os 24 anos, e indivíduos sexualmente ativos com múltiplos parceiros.1

médico a segurar tubo com amostra de urina.jpg

Como diagnosticar?

 

O diagnóstico da clamídia faz-se com base na avaliação de sintomas, rastreio e confirmação da presença da bactéria em amostras.

Essas amostras podem ser recolhidas da uretra, do colo do útero, do ânus ou da garganta. Também podem ser feitas análises à urina.

Uma vez que a clamídia é conhecida por ser uma infeção assintomática na maior parte das pessoas, fazer um rastreio é crucial para diagnosticar o problema. Na Unilabs, tem à sua disposição três testes ISTs, que permitem diagnosticar as infeções sexualmente transmissíveis mais frequentes, incluindo a clamídia.

Estas análises clínicas são essenciais para o diagnóstico de determinadas infeções. Caso a clamídia seja diagnosticada, é aconselhável fazer o rastreio a outras ISTs, como a gonorreia ou o VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana).1

Como tratar?

A bactéria Chlamydia trachomatis tem cura. Contudo, mesmo sendo uma infeção comum, podem surgir complicações graves, se não for tratada a tempo.

O tratamento para a Chlamydia trachomatis é feito à base de antibióticos, que devem ser prescritos por um médico. Contudo, caso o tratamento seja iniciado tardiamente, o antibiótico interrompe a infeção, mas não repara os danos permanentes causados pela clamídia.

Assim, é aconselhável fazer outro teste cerca de três meses após o tratamento, principalmente se os comportamentos de risco se mantiverem. O tratamento para a clamídia genital serve para a infeção do momento, não protegendo contra novas infeções nem conferindo imunidade.

Também é recomendável evitar relações sexuais até a clamídia estar completamente tratada e erradicada do organismo.1 e 6

A população tem sido afetada pela clamídia nos últimos anos?

Em 2018, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) estimaram que havia, aproximadamente, quatro milhões de casos de clamídia só nos Estados Unidos.

Apesar de tanto homens como mulheres poderem contrair a infeção da clamídia genital, as taxas de infeção são mais altas entre as mulheres, sobretudo entre os 15 e os 24 anos.

As taxas de infeção por clamídia variam entre 0,1 e 709 casos por 100 mil habitantes. Provavelmente, o número de infeções é maior, uma vez que muitos casos não são registados, devido ao facto de a maioria das pessoas infetadas por clamídia ser assintomática. 

Segundo dados do CDC, nos países da União Europeia:2, 3 e 9

216.508 casos de clamídia foram confirmados em 2022. Isto representa um aumento de 16% em comparação com o ano de 2021 e um aumento de 15% relativamente ao ano de 2018.

Após atingir um pico em 2019, as taxas de infeção por clamídia diminuíram em 2020 e 2021, durante a pandemia da Covid-19. Em 2022, foi observado um recorde alto da taxa de infeção por clamídia.

O mesmo relatório indica que, em Portugal, foram registados 1.501 casos de clamídia genital no ano de 2022.9

Fontes

 

  1. SNS 24 (2023). Clamídia. Disponível aqui.

  2. Healthline (2021). Everything You Need to Know About Chlamydia Infection. Disponível aqui.

  3. Cleveland Clinic (2023). Chlamydia. Disponível aqui.

  4. NHS (2021). Chlamydia. Disponível aqui.

  5. Mayo Clinic (2024). Chlamydia trachomatis. Disponível aqui.

  6. CDC (2022). Chlamydia – CDC Basic Fact Sheet. Disponível aqui.

  7. MedlinePlus (2024). Chlamydia Infections. Disponível aqui.

  8. Associação para o Planeamento da Família (APF). Clamídia. Disponível aqui.

  9. CDC (2024). Chlamydia infection - Annual Epidemiological Report for 2022. Disponível aqui.

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