Engravidar aos 40: o que esperar e quais os cuidados a ter
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Há cada vez mais mulheres a engravidar aos 40 anos. Mas quais os riscos de uma gravidez tardia? E que precauções devem ser tidas? Conheça as respostas.
Em Portugal, assim como noutros países desenvolvidos um pouco por todo o mundo, engravidar aos 40 ou mais anos tem-se tornado cada vez mais habitual. Em 2012, por cada mil mulheres na faixa etária dos 40 aos 44 anos, houve nove nascimentos. No ano de 2022, este número quase duplicou (16,7 nascimentos). 2
Do investimento das mulheres nas suas carreiras profissionais à dificuldade em encontrar um trabalho estável, os motivos para adiar a decisão de ter filhos são variados.
No entanto, se por um lado a maternidade tardia pode ter muitas vantagens, como uma maior maturidade da mulher, por outro, pode representar mais desafios.
Desde logo, no que diz respeito à fertilidade que diminui com a passagem dos anos. Já o risco de uma gravidez com complicações aumenta, à medida que a idade avança.
Porém, muitas dessas situações podem ser reduzidas, se forem tomadas as devidas precauções e a gestante receber o acompanhamento médico adequado.
Quais os riscos associados a uma gravidez aos 40 anos?
As mulheres começam a registar uma descida nos seus níveis de fertilidade, a partir dos 30 anos, tornando-se, por isso, cada vez mais difícil engravidar. Entre os 20 e os 30 anos, 1 em cada 4 mulheres engravida em qualquer ciclo menstrual, enquanto, aos 40 anos, apenas 1 em cada 10 mulheres engravida em qualquer ciclo menstrual.3
Esta situação está relacionada com a diminuição do número de óvulos e com o aumento da probabilidade de desenvolver distúrbios que afetem a fertilidade.
Além disso, dos 35 anos em diante, o risco de a grávida ter algumas complicações, que podem prejudicar tanto a sua saúde, como a do feto, aumentam significativamente. Entre os principais estão: 3
- Pré-eclâmpsia: pode acontecer se a gestante for hipertensa. Esta condição exige um acompanhamento e uma intervenção rápidos, pois põe em risco o bem-estar da gestante e do bebé;
- Macrossomia: as gestantes mais velhas tendem a gerar bebés com um peso mais elevado, o que pode dificultar quer a gravidez, quer o parto;
- Placenta prévia: dá-se quando a placenta cobre parcial ou totalmente o colo do útero, aumentando o risco de hemorragia durante a gravidez e durante o parto;
- Diabetes gestacional: caracteriza-se por níveis elevados de açúcar no sangue;
- Hipertensão gestacional: mesmo que não haja pré-eclâmpsia, a gestante pode desenvolver hipertensão;
- Aborto espontâneo ou nado-morto: os dados estatísticos indicam que, aos 40 anos, 27% das gestações terminam em aborto espontâneo, taxa que reduz para 16% nas grávidas com menos de 30 anos;
- Cesariana: a partir dos 40 anos, torna-se mais provável o recurso a uma cesariana, implicando mais riscos, no momento do nascimento, e um pós-parto de recuperação mais lenta e difícil. Contudo, importa realçar que a via do parto é uma decisão conjunta entre o médico obstetra e a grávida, tendo em consideração a sua autonomia e condição clínica;
- Síndrome de Down/Trissomia 21: o risco de o bebé ter Síndrome de Down sobe em função da idade. Aos 20 anos, a taxa de incidência é de 1 caso por cada 1500 a 2000 nascimentos. Já aos 40 anos, a probabilidade é de 1 por cada 85 a 100 nascimentos. Além disso, aumentam as hipóteses de ocorrerem outras anomalias cromossómicas. 3,7
Quais os cuidados a ter, se engravidar aos 40 ou mais anos
Tendo em conta o maior risco de complicações gestacionais que existe a partir dos 40 anos, há precauções adicionais que devem ser tomadas e, sempre que possível, ainda antes de engravidar.
É recomendável que a mulher comece por consultar um médico para que este lhe indique alguns cuidados a ter, que podem incluir: 6
- Fazer uma alimentação equilibrada;
- Tomar um suplemento de ácido fólico;
- Manter um peso equilibrado;
- Praticar atividade física adequada à sua condição de saúde;
- Não fumar e não consumir álcool ou drogas.
Durante a gestação, é comum que as mulheres com mais de 40 anos tenham mais dores articulares, devido à diminuição da massa óssea. Também o cansaço pode ser mais acentuado. 4
Assim, é essencial que a gestante tenha um acompanhamento médico especializado e próximo, que ajude a diminuir os desconfortos, ao mesmo tempo que permita prevenir ou antecipar o risco de algumas complicações.
Para isso, existem recursos como o rastreio pré-natal, para saber se existe o risco de o feto possuir anomalias cromossómicas. Este rastreio é não invasivo, uma vez que requer apenas uma colheita de sangue da grávida.
Este tipo de teste é especialmente recomendado a grávidas com mais de 35 anos, a partir da 10.ª semana de gestação, conseguindo detetar o nível de risco de o bebé sofrer de uma das seguintes patologias:
- Trissomia 21 (Síndrome de Down);
- Trissomia 18 (Síndrome de Edwards);
- Trissomia 13 (Síndrome de Patau);
- Síndrome de Turner;
- Síndrome de Klinefelter;
- Síndrome de Triplo X (XXX);
- Síndrome de Jacob (XYY).
A Unilabs dispõe de um teste dedicado às grávidas que pretendam descartar a presença destas alterações cromossómicas no feto, sem recorrer a procedimentos invasivos. Trata-se do teste Tomorrow, que pode ser feito em todas as unidades com a especialidade de Genética Médica, bem como no domicílio da grávida.
Vantagens de ser mãe depois dos 40
Embora os riscos sejam maiores, também existem vantagens em ser mãe mais tarde. Eis alguns desses possíveis benefícios:
- Já ter uma carreira profissional mais segura e tranquila, podendo, assim, dispensar mais tempo para estar com o seu filho;
- Possuir uma situação financeira mais estável;
- Ser mais madura e estar mais preparada para lidar com a responsabilidade de ter uma criança.
Existem, ainda, estudos que apontam que quem tem um filho depois dos 40 anos demonstra ter um baixo declínio cognitivo e uma vida útil mais longa. Ao mesmo tempo, os filhos de pais nesta faixa etária apresentam melhores resultados educacionais, alcançando, por exemplo, níveis mais altos de graduação académica. 3, 4
Fontes
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Pordata. (2022). Idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho. Disponível aqui
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Pordata. (2022). Taxas de fecundidade por grupo etário. Disponível aqui
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WebMD. (2023). Pregnant at 40: What to Expect. Disponível aqui
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Healthline. (2019). What You Should Know About Having a Baby at 40. Disponível aqui
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Unilabs. (2019). Teste pré-natal não invasivo: teste de anomalias cromossómicas. Disponível aqui
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Healthline. (2022). The Risks of Advanced Maternal Age: Pregnancy After Age 35. Disponível aqui
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National Down Syndrome Society. About Down Syndrome. Disponível aqui



