Espinha bífida: em que consiste e como prevenir
Copiado!
A espinha bífida é uma malformação que ocorre durante a gravidez e que pode ter repercussões na saúde do bebé. Saiba quais.
A espinha bífida, ou spina bifida, é a designação dada a um defeito do tubo neural, que ocorre durante a gestação.
Essa malformação corresponde a uma fenda que pode surgir em diferentes zonas da coluna. Aquando do nascimento, essa abertura é notória nas costas do bebé, podendo, por vezes, existir um saco de líquido que se desenvolveu no exterior da região da coluna. 1
Um indivíduo com espinha bífida irá apresentar danos nos nervos situados abaixo da área afetada da medula espinhal. Esses danos poderão traduzir-se em dificuldades de aprendizagem ou deficiência intelectual, além de outros problemas médicos.
Embora esta doença não tenha cura, as pessoas com espinha bífida podem ter uma vida longa. 2
O que é a espinha bífida?
A espinha bífida é uma malformação congénita da coluna vertebral, que prejudica as vértebras no momento em que o tubo neural é formado.
Tudo isto acontece entre o 14.º e o 25.º dia de gestação, tendo impacto no desenvolvimento do sistema nervoso central do bebé. Mais tarde, entre a 3.ª e a 4.ª semana de gravidez, ocorre um encerramento anormal do tubo neural.
Consequentemente, surge uma fenda na coluna vertebral e o anel ósseo não cerca totalmente a espinal-medula, podendo esta malformação afetar uma ou mais vértebras.
Essa condição prejudica as funções nervosas, o que pode ter repercussão no controlo muscular, resultando em paralisias ou noutras perturbações. 3
Que tipos de espinha bífida existem?
Existem vários tipos de espinha bífida com características e implicações muito distintas. 4
Espinha bífida oculta
A designação deste tipo de espinha bífida deve-se ao facto de aproximadamente 15% dos seus portadores não terem noção de que sofrem desta patologia.
Ao contrário de outras variantes da doença, a espinha bífida oculta não provoca nenhum dano, nem se manifesta. A medula espinhal e o sistema nervoso funcionam adequadamente e, por norma, as pessoas só sabem que sofrem desta patologia, após realizarem uma radiografia às costas.
Há, no entanto, indivíduos que relatam dor e sintomas neurológicos.
Meningocele
Na meningocele, parte da medula espinhal passa pela coluna, como que sendo “empurrada”. Habitualmente, daqui não resultam danos muito severos, somente deficiências menores.
Mielomeningocele, meningomielocele e spina bifida cystica
A mielomeningocele, a meningomielocele e a spina bifida cystica são as denominações referentes às formas mais graves de espinha bífida. Nestes tipos, partes da medula espinhal e dos nervos passaram pela fenda existente na coluna. Em resultado disso, há danos nos nervos e outras deficiências.
Os pacientes que sofrem destes tipos de espinha bífida também costumam, muitas vezes, possuir excesso de líquido no cérebro, porque o fluido que protege o cérebro e a medula espinhal não é convenientemente drenado.
Essa acumulação de fluido gera pressão e inchaço, podendo também provocar danos cerebrais.
Outras variações
Existem, ainda, outras variações de espinha bífida, que, embora com menor expressão, também devem ser tidas em consideração:
- Disrafismo Espinhal Oculto (OSD);
- Lipomielomeningocele;
- Fatty Filum Terminale;
- Malformação do cordão dividido;
- Mielocistocele Terminal.
O que pode causar a espinha bífida?
As causas subjacentes à espinha bífida ainda não são totalmente conhecidas pela comunidade científica. Para já, acredita-se que esta malformação possa estar relacionada com:
Apesar de ainda não haver certezas sobre o que motiva esta doença, sabe-se que é mais comum entre bebés caucasianos e hispânicos; e mais prevalente no sexo feminino. 5
Que sintomas podemos associar à espinha bífida?
Os sintomas desta doença variam em função do tipo de espinha bífida e do próprio organismo do paciente, podendo ser mais ligeiras ou mais severas. 1
Espinha bífida oculta
Os sinais mais frequentes da espinha bífida oculta são:
- Lacuna entre as vértebras, sem abertura visível do lado de fora e sem saco com líquido fora do corpo;
- Pequena marca de nascença ou covinha nas costas;
- Pequeno tufo de cabelo nas costas;
- Área de gordura extra nas costas.
Meningocele
Neste tipo de espinha bífida, os sintomas mais comuns são:
- Pequena abertura nas costas;
- Saco de líquido espinhal visível no nascimento;
- Membranas “empurradas” para fora, para dentro do saco;
- Desenvolvimento normal da medula espinhal.
Mielomeningocele
Quem sofre de mielomeningocele costuma apresentar:
- Canal espinhal aberto sobre algumas vértebras, normalmente na região média ou inferior das costas;
- Membranas e medula espinhal empurradas para fora das costas, num saco exposto ou coberto por pele;
- Músculos das pernas fracos ou paralisados;
- Convulsões;
- Pés deformados;
- Quadris que não são uniformes;
- Escoliose (coluna curvada);
- Problemas de intestino e bexiga.
Quando pode ser feito o diagnóstico de espinha bífida?
O diagnóstico de espinha bífida pode acontecer ainda durante a gravidez, através de alguns dos exames que a mulher costuma fazer para monitorizar a evolução da gestação. 5
Análises ao sangue
Se o nível de AFP (Alfafetoproteína) presente no sangue da mãe for muito elevado, isso pode ser um sinal de que o bebé sofre de espinha bífida ou de outro tipo de defeito no tubo neural.
Ecografias
As ecografias que se vão fazendo ao longo da gravidez permitem visualizar a evolução do feto e o modo como este se está a formar. Por isso, se o bebé tiver espinha bífida, será possível diagnosticá-la, pois o médico conseguirá identificar uma coluna aberta ou um saco a sair da coluna.
Amniocentese
Por vezes, os dois exames anteriores podem “contradizer-se”. Ou seja, por um lado, o nível de AFP no sangue pode indiciar a existência de defeitos no tubo neural, enquanto as imagens captadas pelas ecografias não corroboram essa tese. Nestas situações, é frequente o médico sugerir a realização de uma amniocentese.
Diagnóstico após o nascimento
Também há diagnósticos de espinha bífida após o nascimento do bebé. Nestes casos, o médico requer habitualmente a realização de radiografias ao corpo do bebé e propõe, ainda, fazer uma ressonância magnética.
Qual o tratamento de controlo para a espinha bífida?
O tratamento indicado depende sempre do tipo de espinha bífida e, geralmente, envolve uma equipa multidisciplinar. Por exemplo, a mielomeningocele e a meningocele obrigam à realização de uma cirurgia para fechar o saco presente no exterior do corpo do bebé, logo após o nascimento, de modo a evitar infeções graves como a meningite.
Além disso, grande parte dos doentes com mielomeningocele tem hidrocefalia, estando, para isso, prevista a realização de uma cirurgia para drenar o líquido no cérebro.
Existem, ainda, outras situações em que a cirurgia pode ser recomendada para evitar mais complicações, como fraqueza e problemas na função intestinal e na bexiga.
Cirurgia pré-parto
A cirurgia pré-parto ocorre quando o bebé ainda se encontra no útero materno e, por isso, implica a abertura do abdómen da mãe, de modo a conseguir suturar a abertura anormal da medula espinhal do bebé em desenvolvimento.
Segundo o Management of Myelomeningocele Study (MOMS), um estudo liderado por especialistas do Hospital Infantil da Filadélfia, este procedimento é mais vantajoso do que a cirurgia pós-parto. 2
Com a cirurgia pré-parto, é possível reduzir a necessidade de drenar fluidos do cérebro, melhorar a mobilidade e aumentar as possibilidades de a criança com espinha bífida conseguir andar autonomamente de forma precoce.
A principal mais-valia deste tipo de cirurgia é prevenir danos adicionais que poderiam ocorrer no bebé no restante período gestacional. Contudo, há que ter em conta que este género de intervenção comporta algum risco quer para o feto, quer para a mãe.
Cirurgia pós-parto
Outra possibilidade é operar o bebé com espinha bífida (mielomeningocele ou meningocele) logo nos primeiros dias de vida, de modo a encerrar o defeito no tubo neural e a minimizar o risco de infeção ou de danos adicionais nos nervos expostos e na medula espinhal.
Tratamentos para outras complicações
Além das primeiras intervenções, alguns doentes terão de ser sujeitos, mais tarde, a outras cirurgias, de maneira a tratar ou a atenuar certos problemas de saúde que advêm da espinha bífida. Assim, alguns destes pacientes precisarão de ser operados para melhorar o alinhamento dos pés, pernas ou coluna vertebral.
É também comum que as pessoas com esta doença necessitem de ser acompanhadas por um fisioterapeuta e que tenham de recorrer a certos dispositivos auxiliares de mobilidade, tais como muletas ou cadeira de rodas.
Logo após o nascimento, também é habitual iniciar o tratamento para disfunções da bexiga e do intestino, muito frequentes em pessoas com esta malformação.
O funcionamento renal destes doentes deve ser controlado através da toma de medicação e, se necessário, de cirurgia, para evitar um quadro de insuficiência renal. 2
Como é possível prevenir a espinha bífida?
Uma vez que ainda se desconhece as causas exatas da espinha bífida, a melhor maneira de tentar prevenir esta doença é evitar os fatores de risco que lhe são associados. Por isso, as grávidas devem adotar alguns cuidados, como: 1
- Incluir, na sua dieta alimentar, vegetais de folhas verdes, frutos secos, leguminosas e outros alimentos ricos em ácido fólico;
- Falar com o médico sobre os medicamentos ou suplementos que deve ou não deve tomar;
- Manter a diabetes controlada durante a gestação;
- Manter um peso equilibrado;
- Evitar temperaturas elevadas, não frequentando saunas ou banheiras de hidromassagem, por exemplo;
- Tomar um suplemento de ácido fólico, conforme prescrito pelo médico, três meses antes da conceção e durante o 1.º trimestre da gestação.
Este último ponto merece destaque, pois a importância do ácido fólico na prevenção de malformações do tubo neural já é uma evidência e, por isso, os médicos aconselham a toma deste suplemento antes de as mulheres engravidarem.
O ácido fólico é um micronutriente essencial no desenvolvimento do feto. Embora tomar esta vitamina não possa garantir que o bebé nasça sem malformações no tubo neural, a verdade é que essa é uma medida que ajuda a prevenir esse género de situações. 2
Fontes
-
Healthline. (2017). What Is Spina Bifida? Disponível aqui
-
National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Spina Bifida. Disponível aqui
-
Associação Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal. A Spina Bífida. O que é? Disponível aqui
-
Spina Bifida Association. What is Spina Bifida? Disponível aqui
-
WebMD. (2023). What Is Spina Bifida? Disponível aqui



