Sofre de indigestão? Saiba o que a causa e como evitá-la
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Comer muito é uma das causas possíveis da dispepsia, mais conhecida por indigestão. Saiba como pode prevenir esta situação e aliviar os sintomas.
A indigestão, também denominada dispepsia, pode provocar diversos sintomas, entre os quais dor ou desconforto na parte superior do abdómen, durante ou após a ingestão de comida.
Este é um incómodo comum a muitas pessoas, algumas sentem-no ocasionalmente e outras diariamente.
A má digestão pode ser causada por determinados alimentos, hábitos, medicamentos e condições médicas, nomeadamente distúrbios digestivos.
Muitas vezes, este problema pode ser atenuado com mudanças no estilo de vida e na alimentação.1
Que tipos de má digestão existem?
A indigestão não é o mesmo que azia, uma vez que não está vinculada à acidez gástrica. A azia ocorre quando o ácido do estômago reflui para o esófago, enquanto a indigestão refere-se a sintomas de desconforto digestivos mais amplos. Porém, é possível ter sintomas de dispepsia e azia ao mesmo tempo.3
Em todo o caso, a má digestão ocasional pode ser causada pelos excessos alimentares ou por comida com muita gordura. Os sintomas da indigestão aparecem, porque esse tipo de refeições exigem que o sistema digestivo trabalhe a dobrar.
A dispepsia que dure mais do que uma refeição, ou que vai e vem, pode ser provocada pelo estilo de vida, por um problema de saúde ou por certos medicamentos irritativos, de toma regular, tais como anti-inflamatórios não esteroides ou bifosfonados, entre outros.
Ainda assim, algumas pessoas podem sentir má digestão persistente por diversos motivos não relacionados com estes fatores. Entre os tipos de indigestão mais comuns, destacam-se: 2 e 3
- A dispepsia orgânica: pode ser provocada por uma patologia orgânica específica (como gastrites ou refluxo gastroesofágico). Quando o ácido do estômago passa para o esófago, que é sensível ao mesmo, pode levar ao desenvolvimento de úlceras, entre outras lesões, no tubo digestivo;
- A dispepsia funcional: não existe uma causa orgânica, o que significa que não existe uma doença associada. Este é o tipo de indigestão mais frequente, quando comparado com a dispepsia orgânica.
Quais as causas e consequências da dispepsia?
A digestão é um processo complexo, que pode ser comprometido por hábitos como: 3
- Comer muito ou rápido, ou fazê-lo durante situações de stress;
- Ingerir alimentos que o corpo tenha dificuldade em processar;
- Fumar;
- Consumo excessivo de álcool;
- Não praticar exercício físico regular.
Alimentos e bebidas que provocam indigestão
Há certos alimentos e bebidas que podem dificultar a digestão. Por isso, é aconselhável dispensá-los por algum tempo e introduzi-los, lentamente, na dieta para verificar se estes estão na origem do desconforto digestivo. Eis alguns exemplos: 3
- Alimentos condimentados;
- Alimentos gordurosos e fritos;
- Alimentos com muito ácido, como frutos cítricos, tomates, molhos e vinagre;
- Álcool;
- Bebidas gaseificadas;
- Café;
- Chocolate;
- Cebola;
- Hortelã-pimenta.
Outras causas da indigestão
A má digestão nem sempre está associada às escolhas alimentares ou a determinados hábitos. Pode ser um sintoma de várias condições médicas, sendo estas as mais comuns: 3
- Úlceras gástricas;
- Refluxo gastroesofágico;
- Excesso de ácido estomacal (hipercloridria);
- Esvaziamento lento do estômago (gastroparesia);
- Inflamação do revestimento do estômago (gastrite);
- Hérnia de hiato (quando o estômago empurra através do diafragma, um órgão do aparelho respiratório);
- Infeções bacterianas do estômago;
- Distúrbios alimentares (como anorexia nervosa e bulimia);
- Cálculos biliares e inflamação da vesícula biliar (colecistite);
- Pancreatite crónica (inchaço do pâncreas);
- Condições autoimunes (como doença da tiroide ou doença celíaca);
- Neoplasia do aparelho digestivo alto (engloba tanto o cancro do estômago, como do esófago).
Indigestão na gravidez: o que fazer?
A má digestão também é comum na gravidez. Uma mulher grávida está mais suscetível a este problema, devido a fatores como: 3 e 5
- Mudanças hormonais;
- O desenvolvimento do bebé, com consequente aumento do útero, vai pressionando o estômago;
- O esfíncter (músculo) que separa o esófago do estômago relaxa, o que resulta na subida do ácido estomacal.
Se a dispepsia é um problema recorrente antes da gravidez, ou se já não se trata da primeira gestação, é provável que a mulher sofra de indigestão. Quando isto acontece, é aconselhável procurar aconselhamento clínico para poder ser prescrita uma medicação adequada ao alívio deste desconforto.
Existem, contudo, outros sintomas que podem ser confundidos com a má digestão e que podem indicar a existência de problemas mais graves. Por isso, é recomendável que todas as grávidas consultem um médico, se: 5
- Após a toma de medicação, a indigestão persistir;
- Sentirem dores abdominais intensas;
- Perderem muito peso involuntariamente;
- Tiverem dificuldade em engolir (disfagia);
- Sentirem que têm um caroço no estômago;
- Tiverem vómitos ou fezes com sangue.
Quais são os sintomas da indigestão?
Por vezes, a indigestão pode ser confundida com outros problemas de saúde, dada a semelhança de sintomas. Apesar de variarem de pessoa para pessoa, os sinais mais comuns da dispepsia são: 5 e 4
- Saciação repentina, geralmente logo no início da refeição;
- Dor, ardor ou desconforto na parte superior do abdómen;
- Sensação de inchaço;
- Arrotos e sons estomacais ruidosos;
- Vómitos;
- Regurgitação (os alimentos ingeridos voltam a “subir”);
- Diarreia;
- Flatulência.
Os sintomas da indigestão podem durar alguns minutos ou algumas horas após comer. Geralmente, são precisas três a cinco horas para o estômago poder digerir uma refeição, antes de passá-la para os intestinos.
Durante o processo digestivo, o pâncreas e a vesícula biliar enviam bílis e enzimas para o estômago, de maneira a facilitar a digestão dos alimentos. Estes são os órgãos da região epigástrica (abdómen médio superior) onde ocorrem os sintomas da indigestão.
É fácil diagnosticar uma dispepsia?
Se sente sintomas idênticos aos da indigestão, é provável que o seu médico consulte o seu historial clínico e que faça um exame físico completo. Estas avaliações podem ser suficientes, se a má digestão for ligeira e não existirem sintomas mais graves, como perda de peso ou vómitos repetidos.
No entanto, se a indigestão começou de repente, se os sintomas são graves ou se tiver mais de 55 anos, o médico pode recomendar: 1 e 2
- Exames específicos, para detetar anemia ou distúrbios metabólicos;
- Testes respiratórios e fecais, para verificar a presença de Helicobacter pylori (bactéria associada a úlceras gástricas);
- Uma endoscopia, para descartar problemas no trato digestivo superior, particularmente em pessoas idosas com sintomas que não desaparecem (uma amostra de tecido, mediante biópsia, pode ser colhida para análise);
- Raio-x ou tomografia computorizada, para verificar se há obstrução intestinal ou outro problema relacionado;
- Ultrassonografia da vesícula biliar;
- Análises ao sangue.
A melhor defesa contra a dor e o desconforto que a má digestão pode provocar passa pela prevenção, que inclui uma consulta com um especialista em gastrenterologia, para que este avalie o estado e o funcionamento do aparelho digestivo.
Indigestão: o que pode fazer para a aliviar
A alteração no estilo de vida pode ajudar a aliviar a dispepsia, assim como a não ingestão de determinados alimentos ou medicamentos. Também é benéfico evitar situações causadoras de stress. Para tratar a má digestão, o profissional de saúde pode recomendar que: 1 e 2
- Evite alimentos que desencadeiam a indigestão;
- Coma cinco ou seis pequenas refeições por dia, em vez de três grandes refeições;
- Reduza ou elimine o consumo de álcool e de cafeína;
- Evite certos analgésicos, como aspirina ou ibuprofeno;
- Encontre alternativas para os medicamentos que intensificam a indigestão;
- Controle o stress e a ansiedade;
- Tome medicação que auxilie o estômago a diminuir a quantidade de ácido no mesmo ou que acalme o sistema nervoso intestinal.
Como prevenir a má digestão?
Para prevenir a dispepsia ocasional, é importante, desde logo, evitar alimentos ou situações que possam causá-la. Manter um diário alimentar pode ajudar a identificar os alimentos prejudiciais a uma boa digestão. Além deste, há outros cuidados a considerar: 2,3 e 4
- Consumir pequenas quantidades de comida com maior frequência ao longo do dia;
Mastigar a comida devagar e cuidadosamente, antes de engolir; - Tentar não mastigar com a boca aberta: isto faz com que se engula demasiado ar, o que pode intensificar os sintomas;
- Evitar deitar-se imediatamente após comer, para contornar que tenha uma má digestão noturna. Deve esperar, pelo menos, três horas depois da última refeição do dia antes de ir dormir;
- Dormir com a cabeça elevada, usando almofadas para a sustentar (isto ajuda a que os sucos digestivos fluam para os intestinos em vez de irem para o esófago);
- Manter um peso saudável: o excesso de peso pressiona o estômago e a parte inferior do esófago.
Fontes
-
Mayo Clinic. Indigestion (2024). Disponível aqui.
-
Johns Hopkins Medicine. Indigestion. Disponível aqui.
-
WebMD. Indigestion (Dyspepsia): Symptoms, Causes, and Treatments (2024). Disponível aqui.
-
Cleveland Clinic. Indigestion (Dyspepsia) (2022). Disponível aqui.
-
NHS. Indigestion (2023). Disponível aqui.



