O que é a amniocentese e quando deve ser feita
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Nem todas as grávidas precisam de realizar uma amniocentese, mas é um procedimento recomendado para certos casos. Saiba quais.
A amniocentese é uma técnica invasiva, geralmente realizada durante o segundo ou terceiro trimestre da gravidez.
O procedimento implica a colheita do líquido amniótico, que envolve e protege o bebé durante a gestação, e as células do útero para fins diagnósticos ou de tratamento.
Este exame pré-natal pode fornecer informações úteis sobre a saúde do bebé.1, 2, 3, 4 e 5
Para que serve a amniocentese?
A amniocentese pode ser realizada por diversos motivos, nomeadamente para:2 e 5
- Diagnóstico de infeção fetal: ocasionalmente, esta técnica é usada para procurar infeções ou outras doenças no bebé;
- Testes genéticos: pode detetar distúrbios cromossómicos, genéticos ou defeitos congénitos, como síndrome de Down, doença de Tay-Sachs e defeitos do tubo neural, como espinha bífida ou anencefalia;
- Tratamento: este exame também pode ser realizado para drenar o líquido amniótico do útero se houver acumulação excessiva, uma condição chamada polidrâmnio;
- Teste pulmonar fetal: se o parto for planeado para antes de 39 semanas, pode ser necessário testar o líquido amniótico para aferir se os pulmões do bebé estão desenvolvidos o suficiente para o nascimento. Isso raramente é feito.
Quando fazer uma amniocentese?
Nem todas as grávidas precisam de realizar este procedimento.
Geralmente, o exame é recomendado entre a 15.ª e a 20.ª semana de gestação para mulheres com um maior risco de doenças congénitas.
Também pode ser usado para acompanhamento quando um teste anterior sugere um problema.
O médico pode recomendar esta técnica quando:3, 4 e 5
- Um exame de rastreio pré-natal sugere que o bebé pode nascer com alguma condição específica, como síndrome de Down, síndrome de Edwards ou síndrome de Patau;
- Uma gravidez anterior foi afetada por uma condição genética;
- Há histórico familiar de uma condição genética, como anemia falciforme, talassemia, fibrose cística ou distrofia muscular;
- A grávida tem mais de 35 anos no momento do parto.
Estas são algumas das condições em que a amniocentese pode ser usada para exames genéticos e cromossómicos do 2.º trimestre da gravidez.
Além disso, pode ser usada no 3.º trimestre da gestação para diagnosticar maturidade pulmonar fetal, infeção uterina e doença do fator Rh.
Riscos
A maioria dos procedimentos são seguros.
No entanto, esta técnica pode ter riscos sérios, tanto para a saúde da mulher como para o feto, tais como:2, 3, 4 e 5
- Vazamento de líquido amniótico: pode ocorrer pela vagina após o exame. Geralmente, a quantidade de líquido perdida é pequena e cessa em até uma semana sem afetar a gravidez;
- Sensibilização ao fator Rh: pode fazer com que as células sanguíneas do bebé entrem na corrente sanguínea da grávida;
- Transmissão de infeções: uma pessoa com uma infeção, como VIH, hepatite C ou toxoplasmose, pode transmiti-la ao bebé durante o exame;
- Lesão por agulha: durante o procedimento, o bebé pode mover um braço ou uma perna de encontro à agulha;
- Infeção: pode desencadear uma infeção uterina.
Ainda assim, as complicações são raras. Em menos de 1% dos casos, a amniocentese leva a aborto espontâneo ou parto prematuro.
A amniocentese causa dor?
É possível sentir desconforto ou ardor quando a agulha é inserida na pele.
Durante o procedimento, também pode sentir cólicas leves, semelhantes às menstruais.
Essas cólicas podem durar algumas horas após o exame.2, 4 e 5
Resultados
Geralmente, os resultados ficam prontos em cerca de 10 a 14 dias.
No que diz respeito ao procedimento genético, os resultados podem excluir ou diagnosticar algumas condições genéticas. No entanto, o teste não consegue identificar todas as condições genéticas e doenças congénitas.
Na Unilabs, o tempo de resposta da cariotipagem do líquido amniótico é de 11 dias úteis.2, 4 e 5
Alternativas ao exame da amniocentese
Uma alternativa é um exame chamado biópsia das vilosidades coriónicas (BVC), caracterizado pela colheita de uma amostra de células da placenta.
Geralmente, a biópsia é realizada entre a 11.ª e a 14.ª semana de gestação, embora possa ser realizada posteriormente, se necessário.
Além disso, a BVC pode ser efetuada por via abdominal ou por via vaginal.3, 6, 7 e 8
Qual é a diferença entre a BVC e a amniocentese?
A biópsia da vilosidade coriónica é realizada no início da gravidez, entre 10 e 13 semanas, enquanto a amniocentese ocorre após 15 semanas. Além disso, a BVC não consegue detetar condições como defeitos do tubo neural.5
Existe algum exame menos invasivo?
O teste de ADN fetal livre pode detetar algumas anomalias cromossómicas, como a síndrome de Down. No entanto, condições genéticas como a fibrose cística não podem ser diagnosticadas por meio desse exame de sangue.
A amniocentese continua a ser o método de diagnóstico predileto de doenças cromossómicas e genéticas.5
Fontes:
-
NCBI (2023). Amniocentesis. Disponível aqui.
-
Mayo Clinic (2022). Amniocentesis. Disponível aqui.
-
NHS (2022). Amniocentesis. Disponível aqui.
-
Johns Hopkins Medicine. Amniocentesis. Disponível aqui.
-
Cleveland Clinic (2022). Amniocentesis. Disponível aqui.
-
Centro Hospitalar Lisboa Norte, EPE. AMNIOCENTESE E BIÓPSIA DAS VILOSIDADES CORIÓNICAS. Disponível aqui.
-
Cleveland Clinic (2024). Chorionic Villus Sampling for Prenatal Diagnosis. Disponível aqui.
-
Johns Hopkins Medicine. Chorionic Villus Sampling (CVS). Disponível aqui.



