Micoplasmose genital: já ouviu falar desta IST?
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O micoplasma tem cura, mas pode causar infeções graves se não for diagnosticado com antecedência. Saiba quais os sintomas desta IST e como pode preveni-la.
A micoplasmose genital, causada pelas bactérias do género Mycoplasma, é uma infeção sexualmente transmissível (IST).
Segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), esta IST causa até 40% das infeções persistentes ou recorrentes da uretra no sexo masculino. Já no sexo feminino, a micoplasmose duplica o risco de infeções do trato genital, parto prematuro e infertilidade.
A comunidade científica descobriu a bactéria Mycoplasma genitalium na década de 1980 e os dados mais recentes indicam que mais de 1 em cada 100 adultos pode contraí-la. 1,2 e 3
Tipos de micoplasma
As espécies mais comuns envolvidas neste tipo de infeção são Mycoplasma genitalium e Ureaplasma urealyticum, causando sintomas variados ou até ser assintomáticas em alguns casos.
O Mycoplasma genitalium pode ser transmitido de pessoa para pessoa através de qualquer tipo de contacto íntimo genital.
O simples contacto direto entre as áreas genitais de uma pessoa infetada e de uma pessoa não infetada é suficiente para possibilitar a transmissão.
Esse contacto costuma resultar em infeções no trato genital e/ou na uretra, especialmente quando a exposição é frequente ou prolongada.
Apesar de as pessoas infetadas com este tipo de micoplasma terem poucos ou até nenhum sintoma, a bactéria pode causar sintomas semelhantes a outras infeções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia.
Se não for tratada, pode levar a problemas mais sérios, como inchaço do escroto (orquite ou epididimite), sangramento vaginal, doença inflamatória pélvica (DIP) e infertilidade, estas últimas em pessoas do sexo feminino.1
Sintomas
O Mycoplasma genitalium é descrito como um patogénico furtivo, o que significa que a maioria das pessoas não apresenta sintomas visíveis.
Quando ocorrem, os sintomas no sexo masculino podem incluir:1
- Dor ou ardência ao urinar;
- Prurido (comichão) no pénis;
- Secreção ou corrimento na uretra.
Já as pessoas do sexo feminino podem sentir:1
- Sangramento vaginal irregular, especialmente entre os períodos menstruais ou após relações sexuais;
- Dor durante as relações sexuais;
- Dor ou ardência ao urinar;
- Corrimento vaginal;
- Prurido na vagina;
- Dor abdominal;
- Febre.
Grupos de risco
Tal como acontece com outras IST, existem alguns fatores predominantes que podem aumentar a possibilidade de contrair a micoplasmose.
Em maior risco estão as pessoas que:1
- Não usem preservativo ou outro método de barreira nas relações sexuais;
- Tenham um diagnóstico recente de clamídia ou gonorreia;
- Tenham vários parceiros sexuais nos últimos 12 meses;
- Tenham VIH ou SIDA.
Complicações associadas
Se não for tratada, a micoplasmose genital pode levar a complicações como:1 e 3
- Uretrite: a uretra fica irritada, inchada e com prurido, sendo que esta condição pode afetar tanto o sexo masculino como feminino;
- Infeções nos órgãos reprodutivos femininos: a doença inflamatória pélvica (DIP) pode dificultar a gravidez.
As portadoras do sexo feminino podem, ainda, correr um maior risco de cervicite (colo do útero inflamado), aborto espontâneo, vaginose bacteriana e trabalho de parto prematuro.
Diagnóstico
Embora geralmente esta condição seja assintomática, uma pessoa deve consultar o médico perante sinais como corrimento na vagina ou no pénis, bem como dores e ardência ao urinar.
Para confirmar o diagnóstico de micoplasmose genital, são realizadas análises à urina específicas ou recolhidas amostras da vagina ou uretra com um cotonete.
Na Unilabs, tem à sua disposição três testes de IST. Um só para detetar o VIH, outro para as IST mais frequentes (que inclui o despiste para o micoplasma) e outro mais completo, que, além de detetar as IST mais comuns, identifica também o VIH.1, 4 e 6
Tratamento
Os antibióticos comummente prescritos podem não ser eficazes para tratar o micoplasma genital.
Segundo investigações recentes, a bactéria Mycoplasma genitalium está a tornar-se resistente aos antibióticos normalmente usados no tratamento da mesma. Isso pode levar a estirpes mais fortes e resistentes que são mais difíceis de tratar.
A título de exemplo, a prevalência de marcadores moleculares resistentes varia entre os 44% a 90% nos Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental e Austrália.
Os fatores de risco para mutações de resistência associadas a esta condição incluem contacto sexual entre homens, IST recente, reincidência de IST e uso de antibióticos nos últimos 30 dias.
Se a bactéria for detetada em pacientes com outras IST, é recomendável dar prioridade ao tratamento para Mycoplasma genitalium para aqueles com sintomas persistentes, apesar do tratamento adequado da outra infeção continuar (sífilis, gonorreia ou tricomoníase, por exemplo).
É fundamental que os parceiros sexuais também recebam tratamento para evitar reinfeções.1, 2 e 5
Prevenção
A micoplasmose só é transmitida por contacto direto entre genitais. Isso significa que não pode ser contraída por beijos, abraços, uso de piscinas ou banheiras partilhadas e assentos sanitários.
A única maneira de evitar completamente infeções como a micoplasmose genital é não praticar relações sexuais desprotegidas, sejam vaginais, orais ou anais. Por isso, o uso de preservativos durante as relações sexuais é a principal forma de prevenção.1, 3 e 6
Optar por relações monogâmicas de longo prazo é também outra maneira de prevenir, pois ter vários parceiros sexuais pode aumentar a probabilidade de ficar infetado.
É de realçar que o preservativo pode reduzir o risco de contrair Mycoplasma genitalium, mas não a 100%.
Para pessoas que tenham sido infetadas, é aconselhável evitar relações sexuais por sete dias após iniciar o tratamento.
A micoplasmose genital pode ser controlada com procura de atendimento médico no início dos sintomas, com consequente diagnóstico precoce e tratamento adequado, permitindo reduzir o risco de complicações e de disseminação da infeção.
Fontes:
-
Healthline (2022). What Is Mycoplasma Genitalium? Disponível aqui.
-
CDC (2023). About Mycoplasma genitalium. Disponível aqui.
-
WebMD (2024). What Is Mycoplasma Genitalium? Disponível aqui.
-
NIH (2022). 2021 European guideline on the management of
-
Mycoplasma genitalium infections. Disponível aqui.
-
NIH (2022). Mycoplasma genitalium Management in Adults. Disponível aqui.
-
CDC (2021). Mycoplasma genitalium. Disponível aqui.



