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Saúde

Micoplasmose genital: já ouviu falar desta IST?

17 fevereiro 2025
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O micoplasma tem cura, mas pode causar infeções graves se não for diagnosticado com antecedência. Saiba quais os sintomas desta IST e como pode preveni-la.

A micoplasmose genital, causada pelas bactérias do género Mycoplasma, é uma infeção sexualmente transmissível (IST).

Segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), esta IST causa até 40% das infeções persistentes ou recorrentes da uretra no sexo masculino. Já no sexo feminino, a micoplasmose duplica o risco de infeções do trato genital, parto prematuro e infertilidade.

A comunidade científica descobriu a bactéria Mycoplasma genitalium na década de 1980 e os dados mais recentes indicam que mais de 1 em cada 100 adultos pode contraí-la. 1,2 e 3

Tipos de micoplasma

As espécies mais comuns envolvidas neste tipo de infeção são Mycoplasma genitalium e Ureaplasma urealyticum, causando sintomas variados ou até ser assintomáticas em alguns casos.

O Mycoplasma genitalium pode ser transmitido de pessoa para pessoa através de qualquer tipo de contacto íntimo genital.

O simples contacto direto entre as áreas genitais de uma pessoa infetada e de uma pessoa não infetada é suficiente para possibilitar a transmissão. 

Esse contacto costuma resultar em infeções no trato genital e/ou na uretra, especialmente quando a exposição é frequente ou prolongada.

Apesar de as pessoas infetadas com este tipo de micoplasma terem poucos ou até nenhum sintoma, a bactéria pode causar sintomas semelhantes a outras infeções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia.

Se não for tratada, pode levar a problemas mais sérios, como inchaço do escroto (orquite ou epididimite), sangramento vaginal, doença inflamatória pélvica (DIP) e infertilidade, estas últimas em pessoas do sexo feminino.1

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Sintomas

O Mycoplasma genitalium é descrito como um patogénico furtivo, o que significa que a maioria das pessoas não apresenta sintomas visíveis.

Quando ocorrem, os sintomas no sexo masculino podem incluir:1

  • Dor ou ardência ao urinar;
  • Prurido (comichão) no pénis;
  • Secreção ou corrimento na uretra.

Já as pessoas do sexo feminino podem sentir:1 

  • Sangramento vaginal irregular, especialmente entre os períodos menstruais ou após relações sexuais;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Dor ou ardência ao urinar;
  • Corrimento vaginal;
  • Prurido na vagina;
  • Dor abdominal;
  • Febre.

Grupos de risco

Tal como acontece com outras IST, existem alguns fatores predominantes que podem aumentar a possibilidade de contrair a micoplasmose. 

Em maior risco estão as pessoas que:1

  • Não usem preservativo ou outro método de barreira nas relações sexuais;
  • Tenham um diagnóstico recente de clamídia ou gonorreia;
  • Tenham vários parceiros sexuais nos últimos 12 meses;
  • Tenham VIH ou SIDA.

Complicações associadas

Se não for tratada, a micoplasmose genital pode levar a complicações como:1 e 3

  • Uretrite: a uretra fica irritada, inchada e com prurido, sendo que esta condição pode afetar tanto o sexo masculino como feminino;
  • Infeções nos órgãos reprodutivos femininos: a doença inflamatória pélvica (DIP) pode dificultar a gravidez.

As portadoras do sexo feminino podem, ainda, correr um maior risco de cervicite (colo do útero inflamado), aborto espontâneo, vaginose bacteriana e trabalho de parto prematuro.

Diagnóstico

Embora geralmente esta condição seja assintomática, uma pessoa deve consultar o médico perante sinais como corrimento na vagina ou no pénis, bem como dores e ardência ao urinar.

Para confirmar o diagnóstico de micoplasmose genital, são realizadas análises à urina específicas ou recolhidas amostras da vagina ou uretra com um cotonete.

Na Unilabs, tem à sua disposição três testes de IST. Um só para detetar o VIH, outro para as IST mais frequentes (que inclui o despiste para o micoplasma) e outro mais completo, que, além de detetar as IST mais comuns, identifica também o VIH.1, 4 e 6

Tratamento

Os antibióticos comummente prescritos podem não ser eficazes para tratar o micoplasma genital.

Segundo investigações recentes, a bactéria Mycoplasma genitalium está a tornar-se resistente aos antibióticos normalmente usados no tratamento da mesma. Isso pode levar a estirpes mais fortes e resistentes que são mais difíceis de tratar.

A título de exemplo, a prevalência de marcadores moleculares resistentes varia entre os 44% a 90% nos Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental e Austrália.

Os fatores de risco para mutações de resistência associadas a esta condição incluem contacto sexual entre homens, IST recente, reincidência de IST e uso de antibióticos nos últimos 30 dias.

Se a bactéria for detetada em pacientes com outras IST, é recomendável dar prioridade ao tratamento para Mycoplasma genitalium para aqueles com sintomas persistentes, apesar do tratamento adequado da outra infeção continuar (sífilis, gonorreia ou tricomoníase, por exemplo).

É fundamental que os parceiros sexuais também recebam tratamento para evitar reinfeções.1, 2 e 5

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Prevenção

A micoplasmose só é transmitida por contacto direto entre genitais. Isso significa que não pode ser contraída por beijos, abraços, uso de piscinas ou banheiras partilhadas e assentos sanitários.

A única maneira de evitar completamente infeções como a micoplasmose genital é não praticar relações sexuais desprotegidas, sejam vaginais, orais ou anais. Por isso, o uso de preservativos durante as relações sexuais é a principal forma de prevenção.1, 3 e 6

Optar por relações monogâmicas de longo prazo é também outra maneira de prevenir, pois ter vários parceiros sexuais pode aumentar a probabilidade de ficar infetado.

É de realçar que o preservativo pode reduzir o risco de contrair Mycoplasma genitalium, mas não a 100%.

Para pessoas que tenham sido infetadas, é aconselhável evitar relações sexuais por sete dias após iniciar o tratamento.

A micoplasmose genital pode ser controlada com procura de atendimento médico no início dos sintomas, com consequente diagnóstico precoce e tratamento adequado, permitindo reduzir o risco de complicações e de disseminação da infeção.

Fontes:

  1. Healthline (2022). What Is Mycoplasma Genitalium? Disponível aqui.

  2. CDC (2023). About Mycoplasma genitalium. Disponível aqui.

  3. WebMD (2024). What Is Mycoplasma Genitalium? Disponível aqui.

  4. NIH (2022). 2021 European guideline on the management of

  5. Mycoplasma genitalium infections. Disponível aqui.

  6. NIH (2022). Mycoplasma genitalium Management in Adults. Disponível aqui.

  7. CDC (2021). Mycoplasma genitalium. Disponível aqui.

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