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Saúde

Doenças genéticas: sabe quais são as mais comuns?

01 dezembro 2025
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O Alzheimer de início tardio é um exemplo de mutação genética multifatorial. Entenda os outros tipos de doenças genéticas e a importância do diagnóstico.

As doenças genéticas são causadas por alterações no nosso material genético, o ADN. 

A maioria das mutações genéticas são o resultado da junção de muitas alterações genéticas que atuam em conjunto com o comportamento e o ambiente da pessoa. 1

Essas alterações podem levar a uma variedade de problemas de saúde, desde condições leves até doenças graves. 

Neste artigo, abordamos os diferentes tipos de doenças genéticas, as suas causas, sintomas, como diagnosticar e quais as opções de tratamento. 

Tipos de mutações genéticas

Cada pessoa recebe metade dos genes de cada progenitor e pode herdar uma mutação genética de um deles ou de ambos.

Por vezes, os genes sofrem alterações devido a problemas no ADN (mutações). Isso pode aumentar o risco de ter um distúrbio genético.

Alguns causam sintomas no nascimento, enquanto outros se desenvolvem com o tempo. As doenças causadas por mutações genéticas podem ser:2

  • Cromossómicas: afetam as estruturas que contêm os genes dentro de cada célula (cromossomas). Nessas condições, o material cromossómico está ausente, duplicado ou tem uma variação na forma.
  • Multifatoriais: resultam de uma combinação de mutações genéticas e outros fatores, como exposição a produtos químicos, dieta, certos medicamentos e uso de tabaco ou álcool.
  • Monogénicas: ocorrem a partir de uma mutação genética única.

Passamos a enumerar as doenças genéticas mais comuns, em cada tipo.

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Doenças cromossómicas

As doenças cromossómicas mais comuns são:2 e 3

  • Síndrome de Down ou trissomia 21 (afeta 1 em 800 a 1 em 1.000 bebés nascidos vivos);
  • Trissomia 18;
  • Trissomia 13;
  • Síndrome de Turner (a prevalência é de cerca de 1 por cada 2.000 nascimentos do sexo feminino);
  • Síndrome do X-Frágil;
  • Síndrome do Triplo X;
  • Síndrome de Klinefelter (afeta cerca de 1 em cada 500 a 1.000 recém-nascidos do sexo masculino).

Doenças multifatoriais

Dos distúrbios genéticos multifatoriais, os exemplos mais comuns são:2 e 3

Doenças monogénicas

No que diz respeito às doenças monogénicas, as mais comuns incluem:2, 3 e 4

  • Hipercolesterolemia familiar (1 em cada 500 indivíduos tem um gene modificado que causa esta condição);
  • Anemia falciforme (se ambos os progenitores forem portadores do gene falciforme, a hipótese de ter um filho com doença falciforme é de uma em quatro);
  • Surdez presente desde o nascimento (nem todos os casos são monogénicos);
  • Hemocromatose (se ambos os progenitores forem portadores, têm 25% de hipóteses de ter um filho com duas cópias dessas anomalias genéticas);
  • Distrofia muscular de Duchenne (afeta aproximadamente 1 em cada 3.500 nascimentos do sexo masculino a nível mundial);
  • Neurofibromatose tipo 1 (NF1);
  • Doença de Tay-Sachs (cerca de 1 em cada 250 pessoas são portadoras desta doença genética);
  • Fibrose cística.

Principais doenças genéticas raras

As doenças genéticas também podem causar doenças raras.

Embora individualmente raro, o número coletivo de pessoas afetadas por doenças raras será de 263 milhões a 446 milhões (entre 3,5% a 5,9% da população mundial). 

Uma vez que o impacto destas doenças estende-se aos familiares dos pacientes, prevê-se que, mundialmente, as doenças raras afetem, aproximadamente, 1,05 mil milhões a 1,4 mil milhões de pessoas.

Essas doenças genéticas raras incluem:2 e 5

  • Síndrome de Ehlers-Danlos;
  • Doenças mitocondriais (estima-se que 1 em cada 5.000 pessoas tenha uma doença mitocondrial genética);
  • Adrenoleucodistrofia;
  • Síndrome de Usher;
  • Amiloidose AA.

Quais são as causas dos distúrbios genéticos?

Quando ocorre uma mutação nos genes, esta afeta as instruções de produção de proteínas nos genes. Podem faltar ou as que restam não funcionam adequadamente.

Além da predisposição genética, os fatores ambientais que podem levar a uma mutação genética podem incluir:2

  • Exposição à radiação ultravioleta (UV);
  • Exposição a outra radiação para além da UV;
  • Exposição a tóxicos como o tabaco;
  • Exposição química.

Sintomas

Os sintomas das anomalias genéticas variam consoante o tipo de distúrbio, os órgãos afetados e a gravidade. Alguns sintomas gerais podem incluir:2

  • Mudanças ou distúrbios comportamentais;
  • Défices cognitivos, quando o cérebro não consegue processar as informações como deveria;
  • Atrasos no desenvolvimento, que incluem problemas de fala e dificuldades nas habilidades sociais;
  • Problemas alimentares e digestivos, como dificuldade em engolir ou incapacidade em processar nutrientes;
  • Distúrbios do movimento, devido à rigidez ou fraqueza muscular;
  • Anomalias faciais, que incluem falta de dedos ou fenda labial e palatina;
  • Problemas neurológicos, como convulsões ou acidente vascular cerebral;
  • Crescimento lento ou estatura baixa;
  • Perda de visão ou audição;
  • Problemas respiratórios.

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Diagnóstico e tratamento de doenças genéticas

Se houver histórico familiar, os testes de ADN para detetar distúrbios genéticos são fundamentais. Outras opções incluem:2, 6 e 7

  • Teste de portador: é um exame de sangue que verifica se uma pessoa é portadora de uma mutação ligada a doenças genéticas (este teste é recomendado para todas as mulheres que pensam em engravidar);
  • Testes pré-natais: geralmente envolve tirar sangue da grávida e sinaliza a probabilidade de o feto ter uma condição cromossómica comum;
  • Teste pré-natal de diagnóstico: uma amostra de líquido do útero (amniocentese) deteta se o feto em desenvolvimento enfrenta um maior risco de desenvolver certos distúrbios genéticos;
  • Rastreio neonatal (teste do pezinho): as análises ao sangue permitem identificar doenças, quase sempre genéticas, nas primeiras semanas de vida do bebé.

Estima-se que, anualmente, as doenças congénitas sejam responsáveis pela morte, em todo o mundo, de 240 mil recém-nascidos, dentro de 28 dias após o nascimento. Essas patologias causam mais de 170 mil mortes em crianças com idades entre um mês e cinco anos.

As doenças congénitas graves mais comuns são defeitos cardíacos, defeitos do tubo neural e síndrome de Down.

Algumas doenças congénitas podem ser prevenidas. A vacinação, a ingestão adequada de ácido fólico e cuidados adequados antes e durante a gravidez são exemplos de métodos preventivos.

Consciente da importância do diagnóstico de doenças genéticas, o serviço de Genética Médica da Unilabs dispõe de vários testes para despiste, como o teste pré-natal Tomorrow.

Este teste pré-natal não invasivo inclui as trissomias mais comuns (21, 18 e 13), assim como alterações numéricas dos cromossomas sexuais e CNV autossómicas raras, a partir das 10 semanas de gravidez.

Tratamento

A maioria das doenças cromossómicas não tem cura.

Alguns tratamentos podem retardar a progressão da doença ou diminuir o impacto que a condição tem na vida do portador. O tratamento adequado depende do tipo e da gravidade da condição.

Um portador de uma doença genética pode precisar de:2

  • Medicamentos para controlar os sintomas, ou quimioterapia, para retardar o crescimento anómalo celular;
  • Aconselhamento nutricional, ou suplementos dietéticos, para obter os nutrientes de que o organismo necessita;
  • Terapia física, ocupacional ou fonoaudiológica para maximizar as suas capacidades;
  • Transfusão de sangue, para restaurar os níveis de células sanguíneas saudáveis;
  • Cirurgia, para tratar complicações ou estruturas anómalas;
  • Tratamentos especializados, como radioterapia para cancro;
  • Transplante de órgãos, um procedimento de substituição de um órgão não funcional por um de um doador saudável.

Prevenção

Muitas vezes, não há muito a fazer para prevenir uma condição genética.

No entanto, o aconselhamento e os testes genéticos podem ajudar o portador a aprender mais sobre os riscos associados à sua doença, assim como a informar-se da probabilidade de transmissão de alguns distúrbios aos filhos.

A melhor estratégia passa por despistar algumas doenças genéticas, principalmente durante a gravidez.

É fundamental saber o histórico de saúde familiar e partilhar essas informações com o médico, o qual pode indicar medidas estratégicas consoante cada caso, tais como:2 e 8

  • Verificar regularmente o estado da doença;
  • Praticar exercícios regularmente;
  • Seguir uma dieta saudável;
  • Evitar fumar e beber álcool;
  • Realizar testes genéticos específicos que podem ajudar no diagnóstico e tratamento.

Fontes:

  1. CDC (2024). Genetic Disorders. Disponível aqui.

  2. Cleveland Clinic (2021). Genetic Disorders. Disponível aqui.

  3. NIH (2018). Genetic Disorders. Disponível aqui.

  4. Johns Hopkins. Genetic Disorders. Disponível aqui.

  5. NIH (2022). Rare disease emerging as a global public health priority. Disponível aqui.

  6. SNS 24 (2023). Rastreio neonatal. Disponível aqui.

  7. World Health Organization (2023). Congenital disorders. Disponível aqui.

  8. NIH (2018). Genetics, Disease Prevention and Treatment FAQ. Disponível aqui.

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